Criatividade, Cultura Digital, Inovação, Tendências

Gigatendências, parte II – Zeitgeist e Weltanschauung

Galileu Galilei
Quando o bom senso mostra o contrário, penso em Galileu resmungando:
“e, no entanto, ela se move…”

Inovação é observação. Quando olhada sob a fita métrica da história, a maioria das descobertas e invenções científicas, tecnológicas e em modelos de negócios surgiu da prestação de um serviço que fazia todo sentido ao eliminar, acelerar, reduzir, limpar… otimizar, enfim, algum processo cotidiano ou simplesmente remover próteses que, apesar de corriqueiras, não faziam o menor sentido. O sucesso de RSS, podcasts, YouTube e o download de músicas, filmes e séries de TV vem muito mais de uma questão prática que de uma econômica.

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Carreira, Criatividade, Inovação

Interlúdio:
virais, contágio e DM9(/11)

Interrompemos excepcionalmente nossa série sobre gigatendências para comentar dois erros de percepção um bocado desagradáveis cometidos por aquela que deveria ser uma das mais importantes agências de propaganda do país. Über-premiada em Cannes, não é a primeira vez que ela leva o título um bocado discutível de “agência do ano”, coisa que fez questão de comentar em uma tentativa capenga de vídeo “viral”:

(aiaiai, quando esses caras vão entender que viral é efeito, não causa – e que não é sinônimo de mal-feito?)

No melhor estilo de profecia auto-realizável, o tal vídeo se tornou popular e distribuído pelas redes. Mas infelizmente para eles – e para a alegria geral do resto – a versão distribuída não era a oficial, mas uma divertida apropriação:

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Criatividade, Cultura Digital, Inovação

Gigatendências, parte I – inovação e observação

Tem coisa que a gente não pode deixar passar. “Mad Avenue Blues“, paródia brilhante do folk-fanho-chiclete “American Pie“, de 1971, é uma delas. Cheia de jargões típicos do mercadinho de propaganda americano – alguns difíceis de traduzir, alguns intraduzíveis – resume muito bem o cenário aterrorizante para uma indústria que, feito zumbi mal-resolvido, se recusa a aceitar que morreu.

Para quem está habituado com a revolução proporcionada pelas mídias sociais, a paródia não tem nada de novo. Ela, aliás, é quase tão óbvia quanto a importância da reciclagem e dos carros elétricos. Mas chega a ser chocante ao mostrar que nós, nascidos e criados no século passado, achávamos normal o enorme desperdício de tempo e recursos.

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Carreira, Inovação

Mais dois artigos

Robin

Ao receber minha edição da Webdesign de Agosto, percebi que a quarentena de seis meses já tinha vencido para os artigos de Janeiro e Fevereiro. O primeiro comenta que, no ritmo que as mídias e tecnologias andam, você deixa de ser “um jovem talento” bem rápido, ou:

Já foi chique acessar a Internet, ter e-mail, conta em fórum, número de ICQ, jogar em MOODs, mentir a identidade em salas de chat, registrar um domínio, ser webdesigner, usar Flash, detonar no Photoshop, ter um Mac, usar banda larga, baixar torrents, defender sofware livre, consultar a Wikipedia, instalar o Napster, o Opera, o Firefox, ter conta no Orkut, no Flickr, no Facebook, ser blogueiro, usar Skype, assistir YouTube, descobrir os enigmas de LOST, repassar virais, mandar SMS, MMS, acessar a rede via GPRS, EDGE, WiFi, ter bluetooth no carro, teclar em um Blackberry, portar um iPhone, blogar no Twitter, ouvir podcasts, fazer mashups e adaptações caseiras de blockbusters, criar sua própria rede social e ser amigo íntimo de gente que você nunca viu na vida. Hoje todas essas coisas são banais.
Algumas até já deixaram de ser usadas.

No de fevereiro, comento a diferença entre workaholic e apaixonado por seu trabalho, em uma época que todos trabalham cada vez mais, todos os dias. Minha maior preocupação é que:

Unanimidades me assustam. Não por serem burras, como dizia Nelson Rodrigues, mas por serem perigosamente emburrecedoras. A partir do instante que criam verdades absolutas, ninguém mais está autorizado a pensar no assunto. Questionar, argumentar ou se opor é praticamente uma heresia. E, como todo sacrilégio em religião fundamentalista, punido com o exílio.

Boa leitura: Janeiro ||  Fevereiro. Até semana que vem.

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Criatividade, Cultura Digital, Inovação

Marcas e conversas, parte III

hummer

A teimosia de certas idéias às vezes tem a sutileza de um Hummer rosa.

Por mais que se cultivem as glórias daqueles que nunca falharam, não se pode negar o valor didático de uma bela mancada – e melhor ainda se ela for alheia. Para encerrar a série, este post se concentrará em alguns erros que, apesar de serem considerados pra lá de óbvios depois que cometidos, costumam se perpetuar mesmo entre as melhores marcas e profissionais:

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Marcas e conversas, parte II

cocold

No post anterior, defendi que a Internet como a conhecemos odeia a publicidade como a conhecemos por sua natureza arrogante, impertinente e obstrusiva. Já não é a primeira vez que falo nisso, mas volto ao tema porque ainda não consegui entender qual foi o delírio coletivo que levou a publicidade, na segunda metade do século XX a ter perdido a compostura. Sem motivo aparente, o “gentil patrocinador” deixou a elegância de lado e passou a importunar, interromper, incomodar a ponto de se tornar desagradável, evitado feito chato em festa, ignorado e desprezado, assunto de uma categoria muito particular de nerds, a desculpa perfeita para fugir para o banheiro.

SaatchiOliveto

Uma notável diferença em elegância. Sem contar que o primeiro é filantropo e dono de um belíssimo museu de arte contemporânea e o outro ainda pede ajuda para escrever um livreco sobre um time de futebol.
Cada povo tem o magnata publicitário que merece.

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