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Vem aí: geração HSM

Janeiro de 2009 – Revista Webdesign nº 61

Triste dizer, mas acredito que seus anos dourados já se foram. Duraram pouco, eu sei. Mal deu pra aproveitar, não tenho dúvidas. Mas vamos encarar os fatos: você não é mais novidade, não está mais na moda e as coisas que você faz, gosta ou usa já não causam espanto em ninguém. Para ser sincero, elas não chamam a atenção nem atraem o interesse que costumavam. Em outras palavras: tudo que você fazia de novo se tornou comum e banal.

Como diriam os Titãs, você não cabe mais nas roupas que cabia nem enche mais a casa de alegria. E não há praticamente nada que possa fazer para reverter a situação. O trem-bala da História não perde tempo com as estações que deixou para trás.

Já foi diferente ser Punk, Clubber ou Emo; já causou impacto marcar o corpo com tintas, cortes, furos e argolas; já houve um tempo em que a música eletrônica e as raves eram consideradas manifestações culturais. Hoje todas essas coisas são corriqueiras, partes insignificantes de um cotidiano cada vez mais acelerado.

No mundinho digital a situação não é diferente. Já foi chique acessar a Internet, ter e-mail, conta em fórum, número de ICQ, jogar em MOODs, mentir a identidade em salas de chat, registrar um domínio, ser webdesigner, usar Flash, detonar no Photoshop, ter um Mac, usar banda larga, baixar torrents, defender sofware livre, consultar a Wikipedia, instalar o Napster, o Opera, o Firefox, ter conta no Orkut, no Flickr, no Facebook, ser blogueiro, usar Skype, assistir YouTube, descobrir os enigmas de LOST, repassar virais, mandar SMS, MMS, acessar a rede via GPRS, EDGE, WiFi, ter bluetooth no carro, teclar em um Blackberry, portar um iPhone, blogar no Twitter, ouvir podcasts, fazer mashups e adaptações caseiras de blockbusters, criar sua própria rede social e ser amigo íntimo de gente que você nunca viu na vida. Hoje todas essas coisas são banais. Algumas até já deixaram de ser usadas.

Ao ver essa pilha de inovações tornadas corriqueiras fica difícil evitar uma ponta de amargura ao pensar no trabalho que deu aprender isso tudo, sem falar nas novidades que foram só grandes desperdícios de esforço, do VRML ao SecondLife e Silverlight. Não há como recuperar o esforço que foi empregado para abrir esses caminhos na base do facão, nem como ser reembolsado ou até mesmo reconhecido. O fato de ter trabalhado com a versão 1.0.7 do Photoshop não torna um profissional melhor nem pior. Nostálgico, talvez. Mas isso não é necessariamente uma qualidade.

Pelo contrário, é um perigo. Muita gente séria, competente e bem-intencionada se desespera ao sentir que todo os esforço que fizeram para dominar uma área de conhecimento foi automatizado ou se tornou obsoleto. Em uma mistura de medo, preguiça e desconhecimento, tendem a desprezar as novidades enquanto defendem ferozmente algumas estruturas claramente ineficientes. Assim se tornam velhos e caretas feito seus chefes e clientes de quem tanto reclamavam há menos de uma década.

Ninguém está livre dessa situação, muito pelo contrário. Inovações migram de um grupo de Geeks, Nerds e outras categorias fascinadas por novidades para o resto da sociedade em uma velocidade muito maior que as tendências da moda ou a popularidade de sitcoms. Não é de se estranhar, portanto, que tamanha inundação de conceitos tenda a desorientar o público geral que, em atitude de auto-preservação, acaba por rejeitar a novidade. Em conversas com profissionais de várias áreas ligadas à comunicação digital é cada vez mais comum ver “velhos” de vinte ou trinta anos de idade, pessoas inteligentes e sensatas que, por medo de darem vexame ao retornarem à função de aprendizes, preferem penar com os males a que estão acostumados a encarar um bem desconhecido.

É uma pena. A evolução das tecnologias se torna cada vez mais acelerada e não há crise econômica mundial que reverta o processo. A única forma de prosperar e se divertir com as novidades que surgem a cada dia é manter a mente aberta e livre de preconceitos. Nunca vou me esquecer de uma cena que vi num corredor, a caminho de uma aula: passou por mim uma mulher muito bonita e sorridente e comentou com a amiga que estava ao seu lado que ela tinha conseguido o contato do MSN do carinha com quem tinha ficado na noite anterior. Naquele momento eu tive que reconhecer que a tecnologia dos comunicadores instantâneos tinha transcendido o mundinho técnico.

O mundo muda cada vez mais rápido e você não pertence mais à “nova geração”. Ela hoje tem 17 anos e foi alfabetizada trocando e-mails. Eu, que vivi uma época em que os computadores pessoais ainda não tinham sido inventados, me espanto ao considerar que em breve surgirão profissionais que nunca viram conexão sem banda larga e que não conseguem conceber um mundo sem celulares. Como a grande mídia sempre precisa de um rótulo para classificar os “jovens”, a cada instante surge um termo novo. Já ouvi falarem em “nativos digitais”, “Geração Y” ou até “Geração Z”. Nesse ritmo ficaremos sem letras para a próxima década ou teremos que apelar para o recurso das planilhas e chamar os novos de “Geração AA”, “AB” e assim por diante.

Prefiro chamar os novos de “Geração HSM”. Não me refiro àquela firma que organiza seminários empresariais, mas ao “High School Musical”, manifestação pop que, como a Sandy e os Pokémons, já foi considerada coisa de criança. O nome não importa, só serve para mostrar como o tempo voa. Hoje essas crianças começam a prestar vestibular e daqui a pouco trabalharão com você. É bom estar preparado para elas.

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