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	<title>Luli Radfahrer &#187; delacroix</title>
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	<description>Considerações sobre design de interfaces e criatividade digital.</description>
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		<title>Delacroix e layers sem Photoshop</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Apr 2008 13:42:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Radfahrer</dc:creator>
				<category><![CDATA[Design]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[delacroix]]></category>
		<category><![CDATA[persepção]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Bonito quadro, não? Ele é de um pintor francês chamado <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Eug%C3%A8ne_Delacroix" target="_blank">Eugène Delacroix</a>. Quero dividir com você algumas observações que tenho sobre ele:</p>
<ol>
<li>A composição parece um bocado inusitada: o que raios essa mulher faz, seminua e descalça, no meio de uma cena de guerra?</li>
<li>Ao seu lado, o menino armado com duas pistolas não é exatamente o que se imagina em uma cena familiar.<span id="more-483"></span></li>
<li>Essa dupla improvável está à frente de um exército improvisado. Os dois &#8220;soldados&#8221; que se destacam não estão exatamente uniformizados. Um veste cartola e gravata, o outro está com a camisa aberta. Mas o que me chama mais a atenção é a cara de medo deles, muito diferente da expressão serena da mulher ou da raiva no menino. Como se eles não tivessem muita certeza de sua força.</li>
<li>Outro fato curioso é que eles marcham sem dó sobre algumas pessoas que parecem feridas, como que a ignorar completamente as suas súplicas. Os feridos, pelo que me parece, estão em traje militar.</li>
<li>A cena acontece no nascer do dia, próximo ao que parece ser uma cidade parcialmente destruída.</li>
</ol>
<p>Acredito que você deva ter reparado nessas mesmas coisas que eu, e bem provavelmente na mesma ordem. Apesar de imagens serem elementos contínuos que não &#8220;começam&#8221; em lugar nenhum (ver o tópico <strong><span style="color: #ff6600;">emergência</span></strong> <a href="http://www.luli.com.br/2007/05/22/aprenda-gestalt-com-james-brown/" target="_blank">neste post</a>), esta aí deixa bastante claro que o artista deixou bem clara uma ordem implícita , praticamente um roteiro a seguir pela composição. A imagem é percebida em camadas e, à medida que essas camadas são absorvidas, uma história é contada. Mas que história é essa? Bem, nesse quadro ela é tão ululantemente óbvia que foi por isso mesmo que eu o escolhi. Veja só:</p>
<p>Está na cara que essa mulher só pode ser simbólica. Ela leva uma bandeira (a da França) e parece guiar a criança e os cidadãos comuns contra um exército de forças de opressão&#8230; essa história parece bastante familiar, não? <em>Crianças da pátria, dia chegando, levantar o estandarte contra as forças de tirania, enfrentar ferozes soldados? Um batalhão de cidadãos armados, marchando pela liberdade? </em></p>
<p>Se você não percebeu ainda, o quadro é um retrato da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Hino_nacional_da_Fran%C3%A7a" target="_blank">Marselhesa</a>, hino nacional francês. Muitos criticaram Delacroix por ter feito um quadro tão panfletário, mas o fato é que ele é lindo. E ajuda a compreender como a disposição dos elementos define camadas e estabelece o tom da mensagem.</p>
<p>Hoje em dia qualquer um tem à disposição centenas de layers (camadas) no Photoshop. É um recurso extremamente útil, versátil e bem-vindo. Mas ele é só a resposta. Se você não sabe que pergunta fazer, o que pretende tirar dele, ele não poderá ajudar muito.</p>
<p>Por isso, da próxima vez que ficar sem idéias ao fazer um layout, pare por uns instantes e dê uma olhada em algum quadro que você gosta. Tente perceber, em sua estrutura, as camadas de informação que o artista determinou. Logo você verá como essas camadas são evidentes. Conforme o quadro e a habilidade do artista, você também verá que é praticamente inevitável seguir a ordem imposta por elas. Acredito que você se divertirá ao perceber como elas influenciam e direcionam o seu olhar. Às vezes elas até definem o tempo proporcional que se passa em cada parte da composição.</p>
<p>Agora olhe para seu briefing. Não é exatamente isso o que ele pede? Pois então identifique nele os principais componentes, sua hierarquia e seqüência. Ao dispor a informação em camadas, o primeiro passo já estará dado. O resto é com você.</p>
<p>Só não se esqueça de observar o tom da mensagem. Algumas são mais óbvias, outras mais sutis. Como no cinema e na literatura, existem histórias e histórias. Apesar desta daí de cima ser óbvia feito um filme com o Bruce Willis, isso não tira seu valor. </p>
<p>Cada um dos quadros com suas histórias e, no que diz respeito a esse post, camadas. Conforme o enfoque que se dê, um museu pode ser bem mais bacana que uma locadora ou um site de torrent.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Hieronymus_Bosch" target="_blank"><img title="Bosch" src="http://www.visoesuteis.pt/cidadedosdiarios/cruzcostas.jpg" alt="Bosch" width="320" /></a></p>
<p style="text-align: center;">Existem quadros herméticos feito filmes do David Lynch&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Vermeer" target="_blank"><img title="Vermeer" src="http://www.malaspina.org/GIF/BAR_Vermeer_22.JPG" alt="Vermeer" width="320" /></a></p>
<p style="text-align: center;">…outros mais delicados, feito certos romances ingleses</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.luli.com.br/admin/wp-admin/wikipedia" target="_blank"><img title="Schiele" src="http://www.penwith.co.uk/artofeurope/schiele_embrace.jpg" alt="Schiele" width="320"  /></a></p>
<p style="text-align: center;">há os eróticos-perturbados que não fariam feio no festival de Berlim etc&#8230;</p>
<p>Não há posts relacionado.</p>]]></content:encoded>
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