Meu aluno William Hertz está fazendo um TCC que tem mais ou menos a ver com meus últimos posts. Não sou seu orientador, mas dei uma entrevista para ele. Achei que valia a pena compartilhar por aqui:
1. Qual é o papel da Imagem para a construção de uma marca?
A imagem da marca é cada vez mais importante hoje em dia, por diversos motivos. O principal deles é o fato de existirem cada vez menos diferenças físicas entre dois produtos de fabricantes diferentes. À medida que a globalização e a terceirização avançam, os bens de consumo e seus processos se tornam cada vez mais commoditizados, com poucas diferenças significativas. Ora, se os componentes e a manufatura de dois produtos são essencialmente os mesmos, seu principal fator de diferenciação passa a ser o conjunto de valores intangíveis que cada um transporta. Ele normalmente está sintetizado na marca.
Para encerrar, pelo menos por enquanto, essa longa história sobre a nova forma de contar histórias, é preciso levar em consideração o aparelhinho que certamente vai mudar tudo: o computador-prancheta. Ele pode ser um leitor de eBooks, um Kindle, um iPad, um tablet, um netbook ou qualquer coisa bizarra inventada no Japão. Até mesmo um daqueles protótipos que a Microsoft inventa de vez em quando só para mostrar que a experiência do usuário não é a praia deles serve.
Como eu ia dizendo no post anterior, o personagem é genérico. É o leitor/espectador/usuário que se identifica com ele e, em um processo “mágico”, projeta nele suas próprias memórias afetivas. Toy Story 3 faz todo o mundo chorar na mesma hora porque certos sentimentos foram traduzidos em ações para serem reinterpretados e provocarem comoções.
A emoção não pode ser transmitida de forma direta, mas através de metáforas de segunda mão, normalmente bastante pobres, que só fazem sentido quando assimiladas e recombinadas com lembranças passadas. Quanto maior sua experiência afetiva, maior a complexidade da metáfora. Talvez seja por isso que muitas moças adorem sofrer em filmes iranianos enquanto aqueles que consideram a fisicultura uma forma de cultura se divirtam tanto com cinema de porradaria barulhenta. Este blog está mais ou menos no meio das duas experiências.
Projac. Todas as estruturas não são o que parecem. Ou vice-versa.
A convite do genial Manoel Fernandes, fui parar no Rio e visitei o PROJAC da TV Globo. Aquilo é impressionante, um verdadeiro País das Maravilhas, mas isso é outra história. Não fui lá para ver os enormes cenários ou caçar autógrafos de alguma aspirante a atriz-modelo-manicure, mas para assistir a uma palestra do Henry Jenkins, autor do livro “Cultura da Convergência”.
Lembrou um strip-tease? Sua mente é menos suja do que você imagina.
Por motivos que não vêm ao caso para o conteúdo editorial deste blog, me caiu na mão um iPad. Deu pra testar um bocado, ainda mais quando por coincidência (ou olho gordo, vai saber ;-) meu lépitópi começou a fazer um barulho pior do que ventoinha de Scania e tive que levá-lo para a manutenção. Como peças de reposição de produtos Apple costumam ser um pouco mais raras que cabeça de bacalhau e enterro de anão – e como eu, feito qualquer um, não tenho um desquitópi – o aipodão teve que quebrar o galho geral. Não foi fácil, nem mesmo com um teclato brutúfe emprestado (OK, OK, vou parar de ser mala com esses termos aportuguesados, não tenho paciência para ser purista).
A minha primeira impressão sobre o iPod Touch do Hagrid, confesso, não era lá muito lisonjeira. Para mim ele não era muito mais do que um Aipodão. Pesado demais, brilhante demais, frágil demais, limitado quando comparado a um netbook, desconfortável e pesado perto de um Kindle, aquilo para mim estava mais para um potencial do que para uma evolução.
Depois de duas semanas com ele, minha opinião mudou bastante. Ainda não acredito que seja uma máquina pronta ou perfeita – e ainda acho que é cara demais. Mas confesso que fiquei espantado com algumas de suas funcionalidades. Não vou torrar o seu tempo com elogios ao (enorme) tempo de bateria, à qualidade dos vídeos (que ainda é uma porcaria em 3G, mas é bem boa em wi-fi, ainda mais se você andar com um sachê de Vidrex e um paninho no bolso), nem mesmo dos efeitos de uma tela que emite luz na leitura de e-books (por mais que se possa reduzir drasticamente o brilho, ela ainda é bastante incômoda, sem contar que o próprio brilho do vidro e o peso do bichinho não ajudam).
Luli Radfahrer (luli@luli.com.br) é Ph.D. em comunicação digital pela ECA-USP, de onde também é professor há mais de dez anos. Trabalha com internet desde 1994, quando fundou a Hipermídia, uma das primeiras agências de comunicação digital do país, hoje parte do grupo Ogilvy. Saiu em 96 para fundar seu estúdio, onde atendeu AlmapBBDO, MTV, FIAT, Leo Burnett, VISA, Volkswagen e Camargo Corrêa. Em 99 foi para a StarMedia de Nova York assumir a Vice-Presidência de Conteúdo. De volta, criou a dpz.com, divisão digital da agência de propaganda DPZ. Em 2002 trabalhou em Londres, com projetos de TV Interativa e comunicação wireless. Voltou como consultor, tendo como clientes a AOL Brasil (redesenho e reestruturação do conteúdo) e o McDonald’s (projeto de conteúdo para o McInternet). Desenvolve, segundo seus amigos, “projetos meio malucos” para empresas no Brasil, Canadá, Estados Unidos e Oriente Médio. Colunista da revista Webdesign, é autor dos livros “Design/web/design” e “Design/web/design:2”, considerados referência para a área, e “A Arte da Guerra Para Quem Mexeu No Queijo Do Pai Rico”, uma análise crítica e bem-humorada do ambiente corporativo.