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	<title>LULI RADFAHRER</title>
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	<description>Considerações sobre design de interfaces e criatividade digital.</description>
	<pubDate>Fri, 04 Jul 2008 00:15:59 +0000</pubDate>
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	<language>en</language>
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		<title>Londres, parte 2</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Jul 2008 00:14:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Radfahrer</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Não marcado]]></category>

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		<description><![CDATA[Pra você que acha que eu estou &#8220;de férias&#8221;, saca o mapa de quarta-feira:

O dia começa com a KentLyons, em uma conversa animada e de altíssimo nível com o Jon e o Noel. Falamos sobre as diferenças entre as diversas mídias, projetos de design inovadores e mídias pra lá de alternativas. A idéia de que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pra você que acha que eu estou &#8220;de férias&#8221;, saca o mapa de quarta-feira:</p>
<p><img class="aligncenter" title="Londres" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/lon/lon_15.JPG" alt="" /></p>
<p>O dia começa com a <a href="http://www.kentlyons.com" target="_blank">KentLyons</a>, em uma conversa animada e de altíssimo nível com o Jon e o Noel. Falamos sobre as diferenças entre as diversas mídias, projetos de design inovadores e mídias pra lá de alternativas. A idéia de que o designer tem que ser parceiro de seu cliente é, sem sombra de dúvida, o que eu mais ouço nessas entrevistas. Em um momento eles levantaram uma questão fundamental: as marcas não falam com os clientes. Design é compreensão, é preciso entender o ambiente em que se está. É disso, e não de uma ou outra firula gráfica da moda, que tratam os melhores profissionais da área. Mas que diferença para os publicitários&#8230;<br />
<img class="aligncenter" title="Londres" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/lon/lon_16.JPG" alt="" /></p>
<p>Pude comprovar essa diferença na entrevista seguinte, feita com o diretor de criação global da <a href="http://www.saffron-consultants.com/Home/Default.aspx" target="_blank">Saffron</a>, Eric Scott. A expectativa era grande, afinal o cara tinha sido diretor de criação da Apple e até agora as entrevistas tinham sido excelentes. Pois não é que foi uma gigantesca decepção? Um almofadinha arrogante, vomitador de frases feitas, com cara de quem achava tudo um nojo. Inacreditável. Ou não. Na verdade ele tinha a personalidade parecida com a de muitos donos de agências de publicidade do Brasil que, ao longo da carreira, vim a conhecer. Agendaram uma conversa com ele que se estenderia para a hora do almoço. Depois de vinte minutos, cheguei à conclusão que era uma gigantesca perda de tempo continuar ali. Inventei uma desculpa qualquer e fugi dali, parando para comer um sanduíche no meio do caminho.</p>
<p>Com isso me sobrou um tempo antes da próxima entrevista. Para relaxar, nada melhor que uma boa dose de Rembrandt. Quando percebi, já estava na National Gallery:</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Rembrandt" src="http://www.jamescgroves.com/rembrandt/6.jpg" alt="Rembrandt" width="450" height="337" /></p>
<p style="text-align: center;">Tio Shakespeare diria &#8220;<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Hamlet" target="_blank">What a piece of work is a man, how noble in reason, how infinite in faculties</a>&#8220;</p>
<p>Revigorado, fui trocar uma idéia com o Áthila, que hoje é diretor de criação da <a href="http://www.rga.com/default.htm?v=1.0" target="_blank">R/GA</a> - que, se você não sabe, é responsável, entre outras coisas, pelo <a href="http://nikeplus.nike.com/nikeplus/" target="_blank">Nike+iPod</a>. Veja bem: não é pela criação da campanha de divulgação do produto, mas pela concepção do produto em si. É impressionante o escopo dos produtos de design hoje em dia. Com ele troquei uma idéia sobre o mercado, a criação de produtos diferentes e a repercussão do trabalho brasileiro fora do país. Muito bom.</p>
<p><img class="aligncenter" title="Londres" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/lon/lon_17.JPG" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;">Da esquerda para a direita: Eric Scott, Áthila Armstrong e Claudio Toyama.</p>
<p>Para encerrar o dia com chave de ouro, corri para o Hotel Hoxton onde fui trocar algumas idéias com  o Claudio Toyama e ouvir suas opiniões sobre pesquisa, interação e design. Foi  uma entrevista muito bacana, em que ele me contou de seu trabalho na <a href="http://www.equilibrioinc.com/" target="_blank">Equilibrio</a> inc, a importância de se interpretar direito uma pesquisa e do valor estratégico da comunicação. De todas as entrevistas, foi a com visão mais próxima do ambiente corporativo e de resultados de negócios - e sem dúvida uma das que eu mais aprendi.</p>
<p>Exausto e com uma feliz sensação de missão cumprida, fui comer um peixe em um de meus restaurantes preferidos e correr pra cama, poi no dia seguinte teria que acordar de madrugada para voltar a Amsterdam. Ufa!</p>
<p><img class="aligncenter" title="Londres" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/lon/lon_18.JPG" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;">Parece museu, já foi borracharia e hoje é um restaurante descolado.<br />
A síntese da experiência londrina.</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Quarta parada - Londres, Inglaterra</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Jul 2008 12:05:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Radfahrer</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Não marcado]]></category>

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		<description><![CDATA[


Luli: Julius, no meu caminho de volta do KSA vou passar uma semana entrevistando pessoas e coletando referências para meu livro novo. Estava pensando em passar por Amsterdam, o que você acha?
Julius: Amsterdam é ótima, você vai encontrar muita gente interessante por lá.
Luli: Legal, bom saber. Que outra cidade vale a pena visitar para ter [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/j1240x1848-07982.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-528" title="j1240x1848-07982" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/j1240x1848-07982.jpg" alt="Alou?" width="450" height="445" /></a><br />
<em><br />
</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><span style="font-family: courier new,courier; color: #993300;"><strong>Luli:</strong> Julius, no meu caminho de volta do KSA vou passar uma semana entrevistando pessoas e coletando referências para meu livro novo. Estava pensando em passar por Amsterdam, o que você acha?</span></p>
<p style="padding-left: 30px;"><span style="font-family: courier new,courier; color: #993300;"><strong>Julius:</strong> Amsterdam é ótima, você vai encontrar muita gente interessante por lá.</span></p>
<p style="padding-left: 30px;"><span style="font-family: courier new,courier; color: #993300;"><strong>Luli:</strong> Legal, bom saber. Que outra cidade vale a pena visitar para ter uma perspectiva mais ampla?</span></p>
<p style="padding-left: 30px;"><span style="font-family: courier new,courier; color: #993300;"><strong>Julius:</strong> Londres, sem dúvida.</span></p>
<p style="padding-left: 30px;"><span style="font-family: courier new,courier; color: #993300;"><strong>Luli:</strong> Berlim não é bacana?</span></p>
<p style="padding-left: 30px;"><span style="font-family: courier new,courier; color: #993300;"><strong>Julius:</strong> É, mas Londres é muito mais.</span></p>
<p>OK, bora pra Londres. Não dá pra reclamar, muitíssimo pelo contrário. Na verdade, como eu já morei em Londres em 2000-01 e - falha no currículo - nunca tinha ido a Berlim, pensei em aproveitar a oportunidade. Mas como meu chefe sou eu mesmo, não dava para picaretear.</p>
<p><img class="aligncenter" title="Londres" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/lon/lon_01.JPG" alt="" /></p>
<p>Pra ser honesto, também tinha uma bronca com Londres. Minha vida por lá coincidiu com o 11 de Setembro, uma época não muito boa para estrangeiros, onde quer que estivessem. Mas não há como negar que a cidade é fascinante.<br />
<img class="aligncenter" title="Londres" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/lon/lon_19.JPG" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;">Algumas placas são um estímulo à imaginação, não?</p>
<p>Comecei minha entrevista pelo laboratório de tipografia da <a href="http://www.lcc.arts.ac.uk/" target="_blank">London College of Communications</a>, antiga London College of Printing. Lá tive uma conversa muito boa com o Alex Cooper, em que conversamos sobre o tempo que o trabalho manual requer e esse processo de mensuração e cálculo leva o designer a meditar sobre o trabalho que faz, analisá-lo melhor e ponderar soluções. Ele, apesar de apaixonado pelo que se convencionou chamar de &#8220;artes gráficas&#8221;, não tem nada contra computadores e acredita que possa haver uma convivência saudável entre os sistemas artesanal e eletrônico.<br />
<img class="aligncenter" title="Londres" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/lon/lon_05.JPG" alt="" /></p>
<p>Não são todos os alunos que concordam com esse ponto de vista, como bem se pode ver neste vídeo, feito na mesma escola:<br />
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/1Xg5O0l7ybY&amp;hl=en" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/1Xg5O0l7ybY&amp;hl=en" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: left;">Depois dele, conversei com os professores Tony Pritchard e Jamie Hobson. Tivemos um longo e extenso debate sobre fundamentos, questões conceituais, a ênfase na idéia, processos e, principalmente, sobre a diferença entre design e firula gráfica e a questão fundamental da disciplina artesanal, que, mesmo com computador (e principalmente com ele), se concentra em cada detalhe cuidadosamente.</p>
<p><img class="aligncenter" title="Londres" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/lon/lon_06.JPG" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;">Essa é uma matriz de impressão. A Monotype estava jogando os originais fora e o professor Pritchard pegou uma pra mostrar pros alunos.</p>
<p style="text-align: center;">
<p><img class="aligncenter" title="Londres" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/lon/lon_07.JPG" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;">Verão europeu: sol se pondo às 10:30 da noite e lua cheia. Assim fica fácil.</p>
<p style="text-align: left;">No dia seguinte fui falar com o Jeff Knowles, na <a href="http://www.researchstudios.com/" target="_blank">Research Studios</a>. Se você não conhece o estúdio ou acha que é instituto de pesquisa, vale lembrar que é o estúdio do <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Neville_Brody" target="_blank">Neville Brody</a>, o sujeito que praticamente reinventou o design nos anos 80, ao diagramar a revista <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Face_%28magazine%29" target="_blank">The Face</a>. Esperava encontrar um baita predião numa torre metida a besta em <a href="http://www.flickr.com/groups/canarywharf/" target="_blank">Canary Wharf</a>, o bairro estranho em que Londres tenta copiar Nova York? Esperava encontrar uma agência &#8220;descolada&#8221; com um hipopótamo no jardim? Esperava encontrar gente afetada com terninhos Armani? Pois esqueça: o lugar que redesenhou a marca <a href="http://www.kenzoparfums.com/EN/home/kenzo-perfumes.html" target="_blank">Kenzo</a> e a transformou em uma fábrica cafona de perfumes dos anos 80, uma coisa meio Azzaro, em uma das marcas mais descoladas do segmento, com a espetacular Flower by Kenzo parece mais aquele escritório mambembe que você e seus bróderes montaram ao sair da faculdade: um sobradinho sem graça, com pilhas de livros e cabos espalhados e uma baita confusão.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/gG2_A0M5gQ4&amp;hl=en&amp;fs=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/gG2_A0M5gQ4&amp;hl=en&amp;fs=1" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: left;">
<p><img class="aligncenter" title="Londres" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/lon/lon_08.JPG" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;">Pode ver que os designers são moçada, de camiseta e super gente boa. Na tela do computador do cara à esquerda tem um grid, é bom deixar bem claro.</p>
<p><img class="aligncenter" title="Londres" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/lon/lon_09.JPG" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;">Tá estranhando o quê? Vai dizer que você nunca espalhou layouts pelo chão?</p>
<p><img class="aligncenter" title="Londres" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/lon/lon_10.JPG" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;">Como falei, um sobradinho sem nada de especial, em bairro idem.</p>
<p><img class="aligncenter" title="Londres" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/lon/lon_11.JPG" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;">E aqui estou eu, sentado na cadeira em um dos caras<br />
que me inspiraram a seguir na profissão. Confortável.</p>
<p style="text-align: left;">À tarde fui para a <a href="http://www.chiandpartners.com/" target="_blank">CHI&amp;Partners</a>, trocar uma idéia com o diretor de criação associado Thiago Boud&#8217;Hours, também conhecido como Tibo e meu ex-aluno da ECA. Dá um baita orgulho ver aqueles carinhas que a gente conheceu bem no começo de carreira se tornarem figurões importantes. Dá mais orgulho ver que, mesmo com o cargo e o dinheiro, ele continua praticamente o mesmo. Quer dizer, fora essa barba, que o deixa com cara de iraniano.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Londres" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/lon/lon_12.JPG" alt="" /></p>
<p style="text-align: left;">O papo foi excelente, e durou quase duas horas. Ele sempre teve uma visão bastante ampla e sensata, coisa rara no freak show que é o mercado de propaganda. Por isso, sem falar em prêmios ou modismos, comentou-se a racionalização dos processos, o problema de campanhas de alcance mundial, a riqueza de abrangência que as novas mídias permitem e a constatação que o óbvio é o novo criativo. Fantástico.</p>
<p style="text-align: left;">Saindo de lá consegui uma folguinha curta pra ver a exposição de Street Art na <a href="http://www.tate.org.uk/modern/" target="_blank">Tate Modern</a>, com direito a uma megailustração feita pelos <a href="http://www.flickr.com/photos/tags/osgemeos/" target="_blank">OsGemeos</a> na parede da galeria.</p>
<p><img class="aligncenter" title="Londres" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/lon/lon_13.JPG" alt="" /></p>
<p>Saí de lá atrasado para um chopp que tinha marcado com o <a href="http://www.cacovaccaro.com/" target="_blank">Caco Vaccaro</a> e o <a href="http://www.urbanoia.com.br/" target="_blank">Ricardo Scappini</a>. Designers brasileiros de primeira que trabalham em agências daqui. Soube histórias divertidas, como o fato do Caco ter vendido o meu DWD:2 junto com sua biblioteca inteira para custear a viagem para Londres (bom negócio, rapaz, <a href="http://www.luli.com.br/dwd2/" target="_blank">disponibilizei o livro online de graça</a>). O Ricardo me conta que trabalhava na <a href="http://urbana.com.br/" target="_blank">Urbana</a>, estúdio de dois amigões meus, justo no dia em que foram me fotografar para uma matéria sobre o <a href="http://webinsider.uol.com.br/index.php/2004/11/16/para-quem-mexeu-no-queijo-do-pai-rico/" target="_blank">A.D.G.P.Q.M.N.Q.D.P.R.</a>, que ainda está em catálogo, <a href="http://compare.buscape.com.br/a-arte-da-guerra-para-quem-mexeu-no-queijo-do-pai-rico-luli-radfahrer-8576650274.html" target="_blank">aqui</a>.</p>
<p><img class="aligncenter" title="Londres" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/lon/lon_14.JPG" alt="" /></p>
<p>Foi um papo excelente, regado a muita Guinness, em que se comentou um pouco da brasilidade, de nossa flexibilidade e criatividade e como isso é um excepcional diferencial competitivo nesse mundo cada vez mais estruturado, quadradinho e encaixotado. Me lembrou o sensacional livro &#8220;<a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1146275&amp;sid=1811151161073324993211767&amp;k5=2C109E9C&amp;uid=" target="_blank">A Whole new mind</a>&#8220;, do Daniel Pink, que eu comentarei posteriormente, junto com o ótimo &#8220;O mundo é plano&#8221;, do Thomas Friedman.</p>
<p>Esse post ficou enorme e só falou de dois dias. O último dia em Londres, com as quatro entrevistas que aconteceram nele, fica para o próximo post.</p>
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		<title>Porque não fui a Cannes</title>
		<link>http://www.luli.com.br/2008/06/30/porque-nao-fui-a-cannes/</link>
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		<pubDate>Mon, 30 Jun 2008 20:13:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Radfahrer</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Não marcado]]></category>

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Durante os preparativos para a viagem, me dei conta que a semana em que eu pretendia passar pelas cidades e entrevistar os profissionais nos estúdios coincidia com o Festival Internacional de Publicidade de Cannes e que vários amigos e ex-alunos meus estariam por lá,  não em Londres ou Amsterdam. Uma pena. Cheguei até a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><img class="aligncenter" src="http://www.canneslions.com/images/press_image_library/Gold_Outdoor_Lion_1000.jpg" alt="Leãozinho" width="450" height="450" /></p>
<p style="text-align: left;">Durante os preparativos para a viagem, me dei conta que a semana em que eu pretendia passar pelas cidades e entrevistar os profissionais nos estúdios coincidia com o <a href="http://www.canneslions.com/" target="_blank">Festival Internacional de Publicidade de Cannes</a> e que vários amigos e ex-alunos meus estariam por lá,  não em Londres ou Amsterdam. Uma pena. Cheguei até a cogitar dar um pulinho lá, mas confesso que não gosto do espírito do festival.</p>
<p style="text-align: left;"><img class="aligncenter" title="Cannes" src="http://www.imcdb.org/images/013/886.jpg" alt="Cannes" width="450" height="240" /></p>
<p style="text-align: left;">A cidade é legal, é o festival que estraga. Ela é uma daquelas típicas cidades da Riviera Francesa, mediterrânea, quente e alto-astral. Embora um pouco decadente feito Guadalupe ou Acapulco, mas só por ter sido palco de &#8220;<a href="http://cinema.uol.com.br/dvd/2007/06/05/ult2372u408.jhtm" target="_blank">Ladrão de Casaca</a>&#8220;, merece crédito. Nessa época do ano, as praias de pedras explicam porque gringo vai de papete pro mar, e o clima não poderia ser dos melhores. E no entanto&#8230;</p>
<p style="text-align: left;">Pra quem nunca foi a Cannes no Festival Internacional de Publicidade, acredito que uma vez seja mais do que o suficiente. A minha foi em 2000, ano que o &#8220;WAZZUP?!&#8221; fez barba, cabelo e bigode. Curiosamente, os prêmios que ganhei por lá foram em 1997 e 2003.</p>
<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/2GWrrTpJ1eU&#038;hl=en"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/2GWrrTpJ1eU&#038;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p style="text-align: left;">Eu achei o lugar afetado, com um exibicionismo e um fetiche por prêmios desproporcional à sua verdadeira importância. Como se não bastasse, todos os lugares eram ambientes de networking, e muita gente parecia estar lá mais para tirar umas férias ou arranjar emprego que para acompanhar as últimas novidades do mercado. Além disso, a quantidade de prêmios exposta no Palais é tão grande que embota os sentidos e atordoa, a ponto de muita gente ir pra lá para escapar do burburinho e - por que não? - tirar uma soneca, já que tem festas à Hollywood todas, todas as noites. E são muitas.</p>
<p style="text-align: left;">O ambiente faz com que &#8220;O Diabo Veste Prada&#8221; esteja mais para documentário que ficção. Os sorrisos e tapinhas nas costas vazios absolutamente não fazem o meu gênero, eu sinceramente prefiro uma cerveja quente em uma mesa de boteco com um grupo de estudantes que me faça rever posições e aprender tendências do que os frufrus, rococós e dompérignons dos restaurantes esnobes ou do insuportável lobby do hotel Martinez, ambiente que lhe viram as costas sem aviso e que criativos que eram tratados como manobristas no ano passado são tratados como superstars depois de duas ou três campanhas fantasma. Parece o final do Império Romano. Cadê o Nero quando se precisa dele? O Borat já servia&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Borat em Cannes" src="http://bedazzled.blogs.com/bedazzled/images/bor4.jpg" alt="Cannes" width="450" height="313" /></p>
<p style="text-align: left;">Não, melhor não ir. Até porque, como no <a href="http://www.ted.com/" target="_blank">TED</a>, o melhor do festival sempre escapa para a <a href="http://www.bannerblog.com.au/" target="_blank">Internet</a>, e a única lembrança que resta é a oportunidade única de se ver uma fofoca de perto. Muito obrigado, vou visitar quem, como eu, dispensa as honrarias e adora a semana mais tranqüila que se anuncia depois de passada a histeria de se produzir peças com o foco exclusivo em levar prêmios no festival.</p>
<p style="text-align: left;">Mas essa é só a minha imodesta opinião. De qualquer forma, este é meu diário de viagem. Bora pra Londres, então.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Terceira parada - Rotterdam, Holanda</title>
		<link>http://www.luli.com.br/2008/06/30/terceira-parada-rotterdam-holanda/</link>
		<comments>http://www.luli.com.br/2008/06/30/terceira-parada-rotterdam-holanda/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 30 Jun 2008 17:44:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Radfahrer</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Não marcado]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.luli.com.br/?p=526</guid>
		<description><![CDATA[Ao tomar um café e comer uma appeltaart no aeroporto de Schipol, em Amsterdam, pensava nas experiências da semana e meia que tinham se passado como um tipo de sonho estranho, uma realidade paralela. Os países que eram extremamente parecidos com o nosso, tanto pelas discussões que se viam na ArabAd quanto no uso intenso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="margin: 10px; float: left;" title="ArabAd" src="http://www.arabadmag.com/highlights/MAI-2008---1.jpg" alt="ArabAd" width="193" height="250" />Ao tomar um café e comer uma <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Apple_pie#Dutch_style" target="_blank">appeltaart</a> no aeroporto de Schipol, em Amsterdam, pensava nas experiências da semana e meia que tinham se passado como um tipo de sonho estranho, uma realidade paralela. Os países que eram extremamente parecidos com o nosso, tanto pelas discussões que se viam na <a href="http://www.arabadmag.com/issue.asp">ArabAd</a> quanto no uso intenso do Facebook eram, ao mesmo tempo, tão diferentes. Em uma conversa com meu amigo Rabih, comentei como o KSA era exótico. Ele me responde prontamente: &#8220;exótico? Exótico é o Brasil. Esse país é louco.&#8221; E completa: &#8220;Sabe o que faria muito bem a esse país? Uns 10% de brasileiros, pra flexibilizar um pouco as coisas.&#8221; Sábias palavras. À medida que avancei na viagem que eu consegui perceber que elas tinham muito pouco de pejorativo. Falo mais disso depois.</p>
<p>De volta ao meu café. A sensação de realidade alternativa ainda persistia, por mais que eu estivesse no que se convencionou chamar de &#8220;primeiro mundo&#8221;. As coisas eram limpas demais, organizadas demais, assépticas demais e, acima de tudo, obsessivamente organizadas. A impressão de &#8220;admirável mundo novo&#8221; - no que ele tem de esquisito, não no que tem de bom - era inevitável. O café, a propósito, era ruim. Em resumo, exatamente o contrário do que tinha vivenciado até então.</p>
<p>Sem muito esforço, peguei um trem para Rotterdam, onde me esperava o <a href="http://www.yomaraugusto.com/">Yomar</a>. Designer de primeira, foi meu primeiro entrevistado e teste para um novo gravador que funcionou espetacularmente. Sentamos em um pub europeu típico: madeira velha, cheiro de cigarro, comida estranha e gordurosa e serviço ruim. Mas a companhia valia a pena. Ali trocamos uma excelente idéia sobre arte, free-lances internacional, deixar o Brasil e voltar pra casa, o nível de qualidade holandês e uma série de outros pontos bem interessantes.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Rotterdam" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/rot/rot_01.JPG" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Rotterdam" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/rot/rot_02.JPG" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.yomaraugusto.com/small/fur04.jpg" alt="Yomar" width="448" height="139" /></p>
<p>A entrevista, como todas as outras a seguir, foi gravada mas não será disponibilizada aqui. O que eu combinei com os entrevistados foi que transcreveria o material, enviaria para que eles façam eventuais adaptações, correções e tergiversações. Quando me devolverem, devo selecionar alguns trecho para publicar aqui, outros ficam só para quando o livro estiver pronto. Não gostou? Paciência. Não sou repórter e confesso não ser muito fã do espontâneo e &#8220;ao vivo&#8221;, a não ser quando estritamente necessário.</p>
<p>Depois da entrevista, Yomar me levou para dar uma volta pelas ruas de Rotterdam, uma cidade litorânea com albatrozes e cheiro de mar, mas com uma quantidade desproporcional de galerias, livrarias e eventos culturais. Ele mora aqui e trabalha em Amsterdam, que está a meia hora de trem, se você escolher o trem certo. Eu escolhi o trem errado e levou mais de uma hora. Mas foi um passeio bem agradável.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Rotterdam" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/rot/rot_07.JPG" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Rotterdam" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/rot/rot_06.JPG" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Rotterdam" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/rot/rot_05.JPG" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;">Tem tanto jornal cultural e de galeria que não tem mesa que caiba.<br />
A solução é espalhar pelo chão e em degraus de escadas.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Rotterdam" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/rot/rot_04.JPG" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;">A atenção para a tipografia é impressionante.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Rotterdam" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/rot/rot_03.JPG" alt="" /></p>
<p>Rotterdam é especialmente silenciosa e tranqüila, principalmente quando considerada sua efervescência cultural e econômica. Ela tem, no entanto, uma diferença gritante com relação à maioria das cidades européias: sua arquitetura é muito ousada e criativa, o que dá uma boa pista do pensamento liberal do holandês. Os prédios podem não ser universalmente aceitos como &#8220;belos&#8221;, mas são muito inusitados. Ruy Ohtake faria a festa (e passaria despercebido) aqui.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Rotterdam" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/rot/rot_12.JPG" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Rotterdam" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/rot/rot_11.JPG" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Rotterdam" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/rot/rot_10.JPG" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Rotterdam" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/rot/rot_09.JPG" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Rotterdam" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/rot/rot_08.JPG" alt="" /></p>
<p>Voltei a Rotterdam na semana seguinte, para entrevistar o Tom Dorresteijn, sócio do <a href="http://www.studiodumbar.com/main.php" target="_blank">Studio Dumbar</a>, um dos melhores escritórios de design do mundo, que entre outros clientes tem o governo holandês e seus treze ministérios, a força policial e um monte de outras coisas.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Rotterdam" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/rot/rot_17.JPG" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.studiodumbar.com/main.php"><img class="aligncenter" title="Rotterdam" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/rot/rot_15.JPG" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Rotterdam" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/rot/rot_14.JPG" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Rotterdam" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/rot/rot_13.JPG" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Rotterdam" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/rot/rot_16.png" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;">Gostou da moto? Entre pra polícia que você ganha uma.</p>
<p style="text-align: center;">
<p>Conversamos longamente sobre a relação designer-cliente, as identidades de países, autenticidade, personalidade e a  função do designer. Acredito que foi uma das melhores entrevistas que tive na viagem, vocês poderão confirmar quando eu publicá-la aqui.</p>
<p>A propósito, tanto o Tom quanto o Yomar são tão gente boa que não duvido que se disponham a responder a algumas perguntas sugeridas por vocês. Por isso vamos fazer o seguinte: pensem em alguns tópicos que, daqui a umas duas semanas, quando eu acredito que publicarei os excertos, debateremos para selecionar alguns e mandar para eles.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Segunda parada - Beirute, Líbano</title>
		<link>http://www.luli.com.br/2008/06/20/segunda-parada-beirute-libano/</link>
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		<pubDate>Fri, 20 Jun 2008 07:38:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Radfahrer</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Não marcado]]></category>

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		<description><![CDATA[
Yalla! Yallllllla! Yaaaalllllllaaaaaaa! Anda, desgraça! A primeira coisa que se nota em Beirute é o trânsito, um vale-tudo em que vale qualquer atitude que caiba nas leis propostas por sir Isaac Newton. Entrar na contramão em uma via expressa? Pode. Obstruir uma ambulância? Demorô. Ignorar semáforos e pedestres? Tamos aí. Estacionar em qualquer lugar? Qualquer, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img title="Beirute" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/bei/bei_04.JPG" /><br />
Yalla! Yallllllla! Yaaaalllllllaaaaaaa! Anda, desgraça! A primeira coisa que se nota em Beirute é o trânsito, um vale-tudo em que vale qualquer atitude que caiba nas leis propostas por sir Isaac Newton. Entrar na contramão em uma via expressa? Pode. Obstruir uma ambulância? Demorô. Ignorar semáforos e pedestres? Tamos aí. Estacionar em qualquer lugar? Qualquer, qualquer, qualquer lugar? Opa! Acredito que uns anos de guerra civil levaram a um estado de tensão permanente no tráfego, pois tudo isso acontece em uma relativa harmonia, com poucas buzinas e todo mundo mais ou menos que se entendendo. Quer dizer, todo mundo menos o gringo aqui. Pra tornar as coisas mais emocionantes, só chove em três meses do ano, por isso muitos engenheiros simplesmente desapegaram de fazer qualquer espécie de drenagem das pistas. O óleo expelido por automóveis e caminhões em variados estados de conservação, acumulado por nove meses, torna as pistas algo&#8230; inerciais. Tudo isso sem contar que as casas e prédios não têm número e muitas ruas não tem nome. Os motoristas se orientam por acidentes geográficos que, em alguns casos, já desapareceram. Meu endereço, por exemplo, era “Metropolitan Hotel, Sin El Fil”. Só? Só.<br />
<img title="Beirute" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/bei/bei_16.JPG" /><br />
<img title="Beirute" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/bei/bei_03.JPG" /><br />
Como se não bastasse, de vez em quando a polícia resolve fazer bloqueios ou checkpoints e paira no ar a eterna probabilidade de Israel mandar um SCUD de lembrança, transformando uma ponte em escada do Harry Potter ou um prédio em cratera da rua Capri, ou ambos. Mas se isso não amedronta os motoristas de táxi, o que dizer dos destemidos jovens em suas Vespas?<br />
<img title="Beirute" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/bei/bei_27.JPG" /><br />
Em outras palavras, andar pelas ruas de Beirute é uma baita emoção. Talvez um moto-táxi em Bangkok ou uma bicicleta no centro histórico de Roma sejam piores, não sei. Não sou tão corajoso assim.<br />
A segunda coisa que se nota – para você ver como o trânsito é caótico – são os buracos de bala nas paredes. Eles são muitos, e datam de épocas variadas. A maioria vem da grande guerra civil que transformou aquela que seus tios e avós de ascendência libanesa chamavam de “Paris do Oriente Médio” em uma grande confusão. Dá pra acreditar. Apesar de tudo, ainda se vê, aqui e ali, umas construções belle-époque, em um mix pós-moderno com ruínas greco-romanas, prédios estilo caixote hediondos da década de 70 – todos com varandas ENORMES – cortinas grossas pra compensar o calorão - e umas mesquitas gigantescas que a turma do Hezbollah resolveu enxertar nessa Babel de conflitos.<br />
<img title="Beirute" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/bei/bei_19.JPG" /><br />
<img title="Beirute" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/bei/bei_15.JPG" /><br />
<img title="Beirute" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/bei/bei_17.JPG" /><br />
Essa estátua, preservada no centro da cidade, é um bom exemplo da destruição que aconteceu por aqui: vista de perto, ela é uma peneira com furos pra dar inveja a qualquer Nike Air.<br />
<img title="Beirute" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/bei/bei_25.JPG" /><br />
<img title="Beirute" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/bei/bei_10.JPG" /><br />
<img title="Beirute" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/bei/bei_06.JPG" /><br />
<img title="Beirute" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/bei/bei_02.JPG" /><br />
Tirei essa foto da janela do carro do Rabih: ela é um bom exemplo de Beirute: Porsches, plantações e um caos urbano convivendo em relativa harmonia. Lembra algo? Agora entendo porque há tantos libaneses em São Paulo: o ambiente, pelo menos, não é tão estranho assim. E nós não temos guerra. Quero dizer, não declaradamente.<br />
Mas toda essa tensão pode dar a impressão que a cidade é ruim, o que é um baita engano. Acredito que pela constante ameaça de caos, as pessoas vivam em uma bela harmonia e uma impressionante alegria e cordialidade. Não é bem uma Barcelona, mas é mais alegre que Recife, em linhas gerais. Como pernambucanos, eles têm posições políticas bem fortes e fundamentadas, melhor não discordar delas. O resto é relax. Me disseram, inclusive, que tem umas baladas ótimas. Algumas até um pouco histéricas demais, como se o mundo fosse acabar amanhã.<br />
Essa é a opinião de Jennifer Carey, que apesar do nome, não é cantora nem curvilínea, mas uma americana com quem trabalhei aqui. Ela está para se casar com outro americano, o Ryan. Ambos gente finíssima e bastante conectados. Pra você fazer uma idéia, eles ainda usam o conceito de elaboração de personas para o planejamento de websites, embora o considerem um pouco ultrapassado.<br />
<img title="Beirute" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/bei/bei_18.JPG" /><br />
 (Vi essa placa quando o casal me deixou no aeroporto, era a piada pronta, por mais que não concordasse. Mas achei melhor não dizer o que Azar significa em português)<br />
A cena interativa aqui também é bastante desenvolvida. Tive um almoço com uma designer, a Nathalie, que tem conexões em vários países e um portfólio de não fazer feio em nenhuma publicação internacional. É divertido ver que as peças delas parecem um pouco as desenvolvidas em São Paulo e sul do país: bonitas, refinadas, mas um pouco frias demais para uma cidade tão efervescente. Talvez seja exatamente esse o motivo, não tive a oportunidade (nem considerei adequado) perguntar.<br />
<img title="Beirute" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/bei/bei_12.JPG" /><br />
Meu escritório: o que você vê atrás é uma grade de proteção e uma estufa, não pense besteiras.</p>
<p><img title="Beirute" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/bei/bei_01.JPG" /></p>
<p>A caminho do trabalho. Yalla!</p>
<p><img title="Beirute" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/bei/bei_07.JPG" /></p>
<p>Tipografia tosca é uma pandemia&#8230;</p>
<p><img title="Beirute" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/bei/bei_05.JPG" /></p>
<p>Nargüilés por toda parte, dos bares chiques aos botecos.<br />
<img title="Beirute" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/bei/bei_26.JPG" /><br />
<img title="Beirute" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/bei/bei_24.JPG" /><br />
<img title="Beirute" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/bei/bei_23.JPG" /><br />
<img title="Beirute" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/bei/bei_09.JPG" /><br />
<img title="Beirute" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/bei/bei_08.JPG" /><br />
A pedra natural da região é muito bonita – e faz construções espetaculares, como as do centro da cidade, todo restaurado. OK que eles têm essa coisa com guerras e destruição, mas achei que poderia ser um pouco menos “cenográfico” – está tão limpo e liso que parece meio disneylândia. Mas mesmo assim é muito bonito. O mais legal é ver igrejas e mesquitas, uma de frente pra outra. Sinagogas? Melhor nem perguntar. Aliás, o oficial de imigração, fardado, eum um aeroporto que cheirava a cigarros, me pergunta se eu estive em Israel. Ao dizer que não, ele me sacaneia perguntando: &#8220;não quer ir? Ouvi dizer que é linda&#8230;&#8221; Sorte minha que eu sabia que, se tivesse visitado Israel, não entraria no Líbano. Simples e tenso assim.<br />
<img title="Beirute" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/bei/bei_21.JPG" /><br />
<img title="Beirute" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/bei/bei_22.JPG" /><br />
Mudando o assunto para coisas mais conhecidas, vale falar da comida, conhecidíssima a ponto de gerar situações constrangedoras, do tipo: “vou te mostrar um prato muito bacana&#8230; KIBE! ESFIHA! TABULE! COALHADA!” Hahahahahahah! Vamos lá, finge que é novo e não ri. Até porque todo mundo aqui cozinha muito, muito bem. Falar de comida é um assunto profissional. Manja conversar com Mineiro sobre temperos ou gaúchos sobre churrasco? Então.<br />
<img title="Beirute" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/bei/bei_11.JPG" /><br />
Playboys com capa preta. Mas pelo menos elas existem. Se vc entrar no KSA com qualquer coisa no seu HD que LEMBRE pornografia e for parado na alfândega, já era. Por isso nossas máquinas passaram por um “pon patrol” preventivo antes de sair do país. Por segurança, minhas músicas e filmes foram pro saco. Agora tenho que ouvir audiobooks&#8230;<br />
<img title="Beirute" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/bei/bei_13.JPG" /><br />
Para finalizar este capítulo, nada como um belo jantar regado a Arak com toda a equipe – curiosamente, na mesa do lado estavam três dirigentes do Hezbollah, por isso não se flou em política ali. Ainda bem, pois não entendo nada desse emaranhado ideológico deles. De qualquer forma, acredito que minha contribuição profissional tenha sido válida, pois um ponto de vista externo é sempre bom. Mas confesso que saí no lucro, pois ganhei dinheiro para aprender muito. Nada mal.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Roteiro</title>
		<link>http://www.luli.com.br/2008/06/16/roteiro/</link>
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		<pubDate>Mon, 16 Jun 2008 09:10:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Radfahrer</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Não marcado]]></category>

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		<description><![CDATA[
A melhor vista de Beirute até agora =D
Caro/a:
mil perdões por não atualizá-lo/a adequadamente. Estou em Londres e as coisas estão bem corridas, mas acredito que à noite sobre um tempinho pra atualizar coisas. Por enquanto está aqui o roteiro da minha viagem, que já mudou porque consegui agendar mais 2 entrevistas.
Abra o link no Google [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/picture-2.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-524" title="Beirute" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/picture-2-300x235.png" alt="" width="300" height="235" /></a><br />
A melhor vista de Beirute até agora =D</p>
<p style="text-align: left;">Caro/a:</p>
<p>mil perdões por não atualizá-lo/a adequadamente. Estou em Londres e as coisas estão bem corridas, mas acredito que à noite sobre um tempinho pra atualizar coisas. Por enquanto está <a href="http://www.luli.com.br/media/viagem.kmz">aqui</a> o roteiro da minha viagem, que já mudou porque consegui agendar mais 2 entrevistas.</p>
<p>Abra o link no Google Earth. Depois faço um relato mais bacana de Beirute. Vocês vão gostar, não perdem por esperar.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Primeira parada - Riyadh, Arábia Saudita</title>
		<link>http://www.luli.com.br/2008/06/12/primeira-parada-riyadh-arabia-saudita/</link>
		<comments>http://www.luli.com.br/2008/06/12/primeira-parada-riyadh-arabia-saudita/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 12 Jun 2008 22:09:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Radfahrer</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Não marcado]]></category>

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		<description><![CDATA[
Muhammed acelera o carro de Wadih pelas ruas enormes de Riad. São duas da manhã e a temperatura está agradável, perto de 36ºC. A essa hora, felizmente não há mais trânsito. Ainda bem. Em um país que a gasolina é (muito) mais barata que a água, não são ruas de sete pistas de cada lado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/riad/ksa13.JPG" alt="" /></p>
<p>Muhammed acelera o carro de Wadih pelas ruas enormes de Riad. São duas da manhã e a temperatura está agradável, perto de 36ºC. A essa hora, felizmente não há mais trânsito. Ainda bem. Em um país que a gasolina é (muito) mais barata que a água, não são ruas de sete pistas de cada lado que evitam um razoável buzinaço. Não chega a ser um SP ou mesmo um Rio, até porque não há ônibus nem gente a andar pelas ruas - e motoboys seriam cozidos se andassem a 60 Km/h debaixo de um sol de 47ºC. Mesmo assim, acho que o que eles chamam de &#8220;trancado&#8221; em Porto Alegre seja bem livre para os padrões daqui. Dizem que há mais do que um carro por habitante em Riad, mas isso é impossível de calcular.</p>
<p>O Islã não permite a usura, e isso faz com que um mesmo carro seja comprado e vendido cerca de seis vezes, em um sistema de empréstimos bancários que faz a eleição nos Estados Unidos simples.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/riad/ksa10.JPG" alt="" /></p>
<p>Chego a meu quarto tão cansado que resolvo aproveitar o ar condicionado generalizado para tomar um belo banho de banheira. Não dá pra ver direito o controle, por isso coloco no máximo do calor para depois temperar. Um tempo depois, nada de esquentar. &#8220;OK, vai ser um banho meio frio&#8221;, penso eu, só para ver que o registro estava no que eles consideram gelado. Mudei de idéia.</p>
<p>Cheguei aqui naquela correria típica de apresentação: jantei McDonald&#8217;s no hotel, almocei num clone dum Burger King, café no Bufê do hotel. De bom, até agora, só a coalhada e um croissant de Zaatar. A comida daqui não é inspiradora (arroz apimentado com carne gordurenta). No entanto, a comida árabe em geral, espalhada pelo Império Otomano e aperfeiçoada no Levante - aquela que a gente conhece tão bem em SP, com seus quibes, hommus, kaftas e tabules - é sempre muito boa.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/riad/ksa07.JPG" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/nizt2oEtHl8&amp;hl=en" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/nizt2oEtHl8&amp;hl=en"></embed></object></p>
<p style="text-align: center;">&#8220;I&#8217;m not a terrorist with a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/HMMWV" target="_blank">Humvee</a>, trying to be dead,<br />
I&#8217;m just an Arab with a Hommus and a Pita bread&#8221;<br />
UGC made in Dubai. Se mostrasse isso em Riad,<br />
rolava deportation. Depois falo da porn patrol.</p>
<p>A apresentação foi muito boa, fiz amigos e influenciei pessoas. Confesso que estava nervoso, abri minha apresentação com um SLM padrão e mandei bala. Mais da metade da sala de reuniões vestia túnica branca e turbante. Para minha surpresa, o CEO, do Kuwait, abre a reunião dizendo que passou a respeitar as redes sociais depois de ver um documentário de 20 minutos na BBC sobre o sucesso do Obama e as redes sociais. Gancho perfeito, comecei. Um cara de túnica e barba, meio mal-encarado, levantou dúvidas com relação a países  árabes e conteúdo. Excelente pergunta. Respondi e ele se deu por satisfeito. Mais tarde ele veio comentar, sorrindo, que a filha dele era usuária do Club Penguin e que o tinha recusado no Facebook porque ele era &#8220;muito velho&#8221;. Super gente boa, ele era do Bahrein e achava aquele país muito louco. Me perguntou se eu havia visto alguma mulher ali. Disse-lhe que não e ele me respondeu: &#8220;então!&#8221;. Pra completar, o VP de Marketing, tunisiano com passagem pela KPMG de Mali e que teve a opção de ser CEO do Sudão mas preferiu ficar na KSA (sábia decisão), veio falar comigo que gostou muito e que só não aplaudiu porque era uma reunião corporativa.</p>
<p>Então tá, se é o sr. quem diz&#8230;</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/riad/ksa09.JPG" alt="" /></p>
<p>O resultado é que eu fiquei besta. Se a reunião tivesse sido em NY ou Paris ou SP, acredito que encontraria gente mais teimosa ou besta ou turrona. Na saída, vejo um dos caras da reunião explicando para um com jeito de alemão que Niger não era Nigéria. Aproveito para perguntar como era Niamey e os dois arregalaram os olhos. Achei que tinha falado bobagem mas fui recebido com um baita sorriso e aproveitei para destacar o alto nível da educação brasileira. Ninguém precisa saber que meu pai é geógrafo. Não ali. Valeu, Pai!</p>
<p>O mundo é cada vez menor, mas o Kingdom of Saudi Arabia (KSA para os íntimos) não poderia se importar menos. Com o barril ao <a href="http://ar.wikipedia.org/wiki/%D8%A3%D9%88%D8%A8%D9%83" target="_blank">preço que está</a>, eles ainda têm muito a ganhar. E debaixo daquele areal ainda tem Urânio, Cobre, Ouro&#8230; sob certos aspectos, isso não é muito diferente do Canadá ou da Namíbia. Mais interessante que o primeiro, menos perigoso que o último. Pouco importa se você for homem ou mulher.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/riad/ksa01.JPG" alt="" /></p>
<p>Confesso que, apesar de ter alfinetes em boas partes deste globo, de ter sido preso por um guarda de fronteira húngaro, de ter apanhado de um guarda chinês, de ter escapado por um dia de um atentado na Jordânia e de passar por vários checkpoints em Beirute, estou chocado com a quantidade de barricadas e militares - tinha achado o Líbano tenso e eles tinham acabado de sair de uma guerra, mas comparado com o que vejo aqui, Beirute é Zurique. Saca pick-ups com metrancas giratórias na caçamba? Pois. Perguntei a meu amigo Rabih se não era paranóia e ele me responde com um fantástico senso de humor árabe, que os sauditas têm que se proteger de si mesmos. Ou melhor, dos terroristas que criam: &#8220;saca aquele cara que cria Dobermanns e precisa se proteger deles? Pois é mais ou menos a mesma idéia&#8221;.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/riad/ksa16.JPG" alt="" />O banco recusou meu cartão. Pela cara do tio, fazer o quê?<br />
Reclamar pro Papa que não dá.</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;"><img class="aligncenter" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/riad/ksa14.JPG" alt="" /><br />
<img class="aligncenter" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/riad/ksa05.JPG" alt="" /><img class="aligncenter" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/riad/ksa11.JPG" alt="" /><br />
Os caras daqui A-DO-RAM o Txávez e não há quem os convença do contrário. Ouvi coisas da Condoleezza que não tinha ouvido da Cicarelli quando ela tentou bloquear o YouTube ou da mãe do juiz que mandou o Corinthians para a segundona. Eles chamam Israel de Palestina e acham que boa parte do 11/9 foi gorpe. E esses são os esclarecidos, aqueles que acham normal a mulher andar a seu lado, embora não lhes dêem a mão e acreditem que as regras do casamento se &#8220;flexibilizem&#8221; quando se toma um avião. Acham estranho que eu nem repare nas moças e que jamais passe pela minha cabeça agir feito um chiuaua no cio, mas até respeitam. O que eles acham muito doido é o fato de eu não fumar. Nada, nem um charuto ou cigarrilha? Mas&#8230; nem mascar um tabaquinho?</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/riad/ksa17.JPG" alt="" /><br />
Caso eu me perca, Meca fica pra lá.</p>
<p style="text-align: left;"><img class="aligncenter" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/riad/ksa15.JPG" alt="" /></p>
<p>Terminada a apresentação, no dia seguinte tive meio período para passear por uma cidade em que ninguém anda pelas ruas, que &#8220;<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Date_palm" target="_blank">date</a>&#8221; quer dizer &#8220;tâmara&#8221;, os guardas não deixam fotografar nada e que o calor&#8230; bem, faz com que Palmas pareça Helsinque. Seca. Foi uma emoção, mas não cabe neste blog. O mapa taí, digno de Guinness de manezice: saí do hotel e o sangue fervia: 38ºC. ATMs não aceitam cartões estrangeiros e pouquíssimos são os bancos que fazem câmbio. Não sobrou pro táxi, tive que camelar. Sacou? camelar, Rarararará! O sol do deserto  está me deixando goiaba. Pelo menos segui a orientação da minha mulher e passei protetor. Não segui a orientação dela e comprei uma chuteira. Sempre quis ter uma. Amanhã vou trabalhar com ela.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/riad/ksa08.JPG" alt="" /><br />
Cartão do hotel, para que o taxista saiba como te levar de volta.</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/riad/ksa12.JPG" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;">Como há controvérsias quanto à representação da figura humana,<br />
melhor não arriscar e cortar a cabeça. Não há ego de fotógrafo que questione</p>
<p style="text-align: left;">Ah! Esqueci de falar dos gringos. O KSA está cheio deles. Chineses, Europeus, Americanos. Você tem negócios em Monróvia? Melhor resolvê-los por aqui, por pior que aqui esteja. Todos falam Inglês. Ou, como eu, acham que falam Inglês. Ou algo parecido. Em todos, deu pra ver no café da manhã, uma expressão cansada e zangada, meio cheios dessa terra e dessa vida. Todos com sapatos de segunda. Justificável.</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: center;">
]]></content:encoded>
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		<title>Diário de bordo</title>
		<link>http://www.luli.com.br/2008/06/09/diario-de-bordo/</link>
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		<pubDate>Mon, 09 Jun 2008 23:01:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Radfahrer</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Não marcado]]></category>

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		<description><![CDATA[
Não, não é Brasília.
Peço perdão aos leitores que se acostumaram a ler considerações sobre o ambiente digital neste blog para transformá-lo, temporariamente, em um diário de viagem. Uma coisa meio assim&#8230;blog. Não é tão off-topic, você não verá fotos de cachorros aqui (até porque ciclistas, como carteiros, não são muito fãs do dito melhor amigo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/picture-1.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-501" title="Riyadh" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/06/picture-1.png" alt="Riad" width="500" height="322" /></a></p>
<p style="text-align: center;">Não, não é Brasília.</p>
<p>Peço perdão aos leitores que se acostumaram a ler considerações sobre o ambiente digital neste blog para transformá-lo, temporariamente, em um diário de viagem. Uma coisa meio assim&#8230;blog. Não é tão off-topic, você não verá fotos de cachorros aqui (até porque ciclistas, como carteiros, não são muito fãs do dito melhor amigo do homem). Na verdade vou aproveitar uma viagem de trabalho ao Oriente Médio para, na volta, passar uma semana entre Amsterdam e Londres entrevistando designers e diretores de criação para o DWD3. No presente momento estou em 24°40&#8242;26.81&#8243;N e 46°41&#8242;41.95&#8243;E, ou seja, no meio do nada. Até agora só comi em McDonald&#8217;s e em hotel. Mas isso deve mudar logo.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Entrevista para o Itaú Cultural</title>
		<link>http://www.luli.com.br/2008/06/03/entrevista-para-o-itau-cultural/</link>
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		<pubDate>Tue, 03 Jun 2008 15:15:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Radfahrer</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Não marcado]]></category>

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		<description><![CDATA[O <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/" target="_blank">Inagaki</a> fez uma entrevista comigo e outros profissionais da área para a revista do Itaú Cultural. Trechos dela estão publicados <a href="http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2720&#38;cd_materia=471&#38;mes_revista=5" target="_blank">aqui</a>. Posto-a na íntegra a seguir:

<dl> <dt><span style="color: #ff6600;">1) </span><span style="color: #ff6600;">"Celulose é celulose e pixel é pixel". Quais são as principais diferenças entre design impresso e webdesign?</span><span style="color: #ff6600;"></span></dt> <dd>Existem alguns princípios de design que são universais, até instintivos. Eles se relacionam com a</dd></dl>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/" target="_blank">Inagaki</a> fez uma entrevista comigo e outros profissionais da área para a revista do Itaú Cultural. Trechos dela estão publicados <a href="http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2720&amp;cd_materia=471&amp;mes_revista=5" target="_blank">aqui</a>. Posto-a na íntegra a seguir:</p>
<dl>
<dt><span style="color: #ff6600;"><strong>1) </strong></span><span style="color: #ff6600;"><strong>&#8220;Celulose é celulose e pixel é pixel&#8221;. Quais são as principais diferenças entre design impresso e webdesign?</strong></span><span style="color: #ff6600;"><strong></strong></span></dt>
<dd>Existem alguns princípios de design que são universais, até instintivos. Eles se relacionam com a forma com que aprendemos a interpretar o mundo à nossa volta. Preto em amarelo, por exemplo, é uma combinação de cores tão potente que é usada em placas de advertência ao redor do mundo. O mesmo vale para determinados ângulos, formas, alinhamentos e espaços.</dd>
<dd> </dd>
<dd>Na verdade, o cérebro humano percebe as imagens de uma vez só, como uma mensagem instantânea, e depois interpreta cada pedaço delas, em um processo ativo. Quando você vê uma imagem, ouve uma música, sente um cheiro, essa informação é interpretada e colocada em um contexto imediatamente, e só depois é analisada. Em outras palavras, o design funciona ao contrário da leitura: pega-se o todo, depois dissecam-se as partes.</dd>
<dd> </dd>
<dd>Por depender de um contexto, a imagem estática é percebida de uma forma diferente da dinâmica e aquela que se vê em uma sala escura é completamente diferente da que se vê na rua, ao meio-dia.</dd>
<dd> </dd>
<dd>A diferença entre design gráfico e digital é, portanto, muito maior do que alguns elementos que constituem uma imagem possam sugerir, sejam eles feitos de tinta ou cristal líquido. Ela depende do uso que se pretende dar, do nível de atenção que se demanda e da função da peça. Isso é o que confunde a maioria dos designer iniciantes, sedentos por &#8220;regras&#8221; e sua aplicação.</dd>
<dd> </dd>
<dd>A diferença entre design gráfico e digital é, portanto, muito maior do que alguns elementos que constituem uma imagem possam sugerir, sejam eles feitos de tinta ou cristal líquido. Ela depende do uso que se pretende dar, do nível de atenção que se demanda e da função da peça. Isso é o que confunde a maioria dos designer iniciantes, sedentos por &#8220;regras&#8221; e sua aplicação. </dd>
<dd> </dd>
<dd>Existem mais diferenças entre um anúncio e uma placa (duas peças de design gráfico) do que entre toda a categoria de impressos e a de eletrônicos. O designer precisa identificar qual é o contexto e a resposta que se espera, e trabalhar no que o melhor cada mídia pode oferecer para obtê-la.</dd>
<dd> </dd>
<dd> </dd>
</dl>
<dl>
<dt><span style="color: #ff6600;"><strong><span>2) </span>Qual é o seu background acadêmico? Você fez faculdade ou algum tipo de curso específico para a área de design?</strong></span></dt>
<dd>Sou graduado em comunicação pela ECA-USP, fiz uma especialização em design gráfico na New York University, depois mestrado e doutorado em comunicação digital. Mas minha melhor formação vem do fato de dar aulas (há 16 anos sou professor de Comunicação Digital, Fotografia e Design Gráfico na ECA) e ser, a cada semestre, inquirido e desafiado por alunos brilhantes. Isso me obriga a me reciclar continuamente e buscar formas cada vez mais inovadoras de fazer comunicação, sem deixar de ser consistente.</dd>
<dd> </dd>
<dd>Não importa o quanto sua formação seja rica, em poucos anos ela se torna senso comum. Aquilo que parecia ficção científica na virada do século - como usar VoIP em um notebook a partir de um carro em movimento ou algo similar - é normal entre adolescentes ou pessoas da Terceira Idade. Por isso eu acredito que a única forma de atingir uma posição de destaque e permanecer nela é o aprendizado contínuo. </dd>
</dl>
<dl>
<dt><span style="color: #ff6600;"><strong><span>3) </span>Um dos capítulos do seu livro cita uma frase recorrente: &#8220;qualquer imbecil faz design&#8221;. Diante disso, pergunto: qual a importância de se fazer uma faculdade de webdesign? É mais fundamental do que botar a mão na massa virtual?</strong></span></dt>
<dd>Se você tivesse lido o capítulo inteiro, perceberia que uso essa frase no título para dizer exatamente o contrário. Um imbecil que não saiba cozinhar pode ter à disposição a melhor cozinha e os melhores ingredientes do mundo que, mesmo colocando a mão na massa por tempo indeterminado, continuaria ruim.</dd>
<dd> </dd>
<dd>Não digo aqui que aquele sujeito afetado que soubesse todas as teorias culinárias mas que nunca tivesse acendido um fogão fosse melhor, até porque acredito que ele fosse igualmente ruim. Mas que, da mesma forma que não se aprende a guiar ou a fazer uma cirurgia pela prática simples, é preciso combinar uma base teórico-técnica com uma aplicação prática. Só isso pode formar um bom profissional.</dd>
<dd> </dd>
<dd>A propósito, não acredito em faculdades de webdesign, porque elas são específicas demais. Agora que migramos para interfaces em TV, celulares, games e carros, pra que serve um webdesigner? Na minha opinião é muito melhor fazer uma faculdade de design ou de computação, e se especializar no suporte que for mais adequado através da experiência prática.</dd>
</dl>
<dl>
<dt><span style="color: #ff6600;"><strong><span><span>4) </span></span>Quais são as suas principais referências? De onde vêm a inspiração?</strong></span></dt>
<dd>Inspiração é coisa de artistas e referência é coisa de músico ou literato. Designers usam a linguagem visual para resolver problemas de comunicação, em um processo fascinante que tem seus momentos dignos de Sherlock Holmes. A maior fonte de idéias costuma estar exposta junto com o problema, como se fossem pistas de um mistério a se resolver: quem é o público-alvo da comunicação? Quais são seus hábitos e gostos? Qual a função da peça? Qual a resposta esperada? Essas perguntas não são limitantes: são, pelo contrário, extremamente esclarecedoras.</dd>
<dd>
</dd>
<dt><span style="color: #ff6600;"><strong><span><span><span>5) </span></span></span>Qual é o seu conselho para quem está começando e pretende ser um bom designer?</strong></span><span style="color: #ff6600;"><strong></strong></span></dt>
<dd>O melhor de todos que eu conheço vem de um aforismo que me disseram ser chinês: &#8220;você tem dois olhos, dois ouvidos, dois buracos no nariz e uma só boca. Portanto receba seis vezes mais informação do que pretende emitir. Ou seja, estude muito, leia sobre áreas tão variadas quanto percepção, artes plásticas, fotografia e cinema. Mantenha-se sempre atento, curioso e aberto a novas perspectivas. Mesmo que isso não contribua diretamente para a sua atividade profissional, certamente o tornará uma pessoa bacana.</dd>
<dd>
</dd>
<dd>
</dd>
<dt><span style="color: #ff6600;"><strong><span><span><span>6) </span></span></span>Last, but not least: o que Luli Radfahrer tem feito de bom ultimamente na área do design<span><span></span></span>?</strong></span></dt>
<dd>Um monte de coisas que, infelizmente, não são universalmente visíveis: sistemas de projeção gráfica baseados em motion capture, produtos de telefonia e TV digital e uma ou outra coisinha em design gráfico. A maioria delas para clientes estrangeiros.</dd>
<dd> </dd>
<dd>
<dl>
<dd> </dd>
</dl>
</dd>
</dl>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Interlúdio</title>
		<link>http://www.luli.com.br/2008/05/28/interludio/</link>
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		<pubDate>Wed, 28 May 2008 03:24:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Radfahrer</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Não marcado]]></category>

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		<description><![CDATA[Caros, vou ter que fazer umas viagens em Junho, por isso terei que dar uma pausa neste Blog, em meu Twitter e no DWD:3. Vou tentar postar coisas, mas já aviso que a freqüência terá de baixar um pouco. Quando voltar, certamente trarei coisas boas para comentar - e compensarei pelo tempo perdido.

Enquanto isso você pode dar uma sapeada em posts antigos ou em meus textos. Neles eu procuro, sempre&#8230; ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caros, vou ter que fazer umas viagens em Junho, por isso terei que dar uma pausa neste Blog, em meu Twitter e no DWD:3. Vou tentar postar coisas, mas já aviso que a freqüência terá de baixar um pouco. Quando voltar, trarei coisas boas para comentar - e compensarei pelo tempo perdido.</p>
<p>Enquanto isso você pode dar uma sapeada em posts antigos ou em meus textos. Neles eu procuro, sempre que possível, ser o mais atemporal possível para o tema de que tratam.</p>
<p>Até breve. Blogar é um vício.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Do jeito que &#8220;sinhô&#8221; gosta</title>
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		<pubDate>Wed, 28 May 2008 03:12:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Radfahrer</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Não marcado]]></category>

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		<description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Siô" src="http://entretenimento.globo.com/Entretenimento/Tv/foto/0,,5125474,00.jpg" alt="Siô" width="312" height="252" /></p>
Vamos imaginar que você tem uma idéia que é realmente única (e melhor, boa). Pra melhorar sua situação, você conseguiu marcar uma reunião com alguém realmente importante. Não estou falando aqui de um gerente ou mesmo de um diretor ou VP em qualquer nível, mas com o próprio <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Chief_executive_officer" target="_blank">CEO</a> da empresa ou seu equivalente - o Presidente do Conselho&#8230; ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Siô" src="http://entretenimento.globo.com/Entretenimento/Tv/foto/0,,5125474,00.jpg" alt="Siô" width="312" height="252" /></p>
<p>Vamos imaginar que você tem uma idéia que é realmente única (e melhor, boa). Pra melhorar sua situação, você conseguiu marcar uma reunião com alguém realmente importante. Não estou falando aqui de um gerente ou mesmo de um diretor ou VP em qualquer nível, mas com o próprio <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Chief_executive_officer" target="_blank">CEO</a> da empresa ou seu equivalente - o Presidente do Conselho ou até mesmo um eventual investidor ou <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Angel_investor">Angel</a> que pode colocar uns milhõezinhos e mais alguns trocados em uma idéia sua, a ponto de fazê-lo viver dela. Isso, um cara importante assim.</p>
<p>Se você acredita que a probabilidade de algo assim acontecer é tão ou mais rara que a de você ser atropelado por um buraco negro no caminho da padaria, pense duas vezes. Estamos em um mundo de competitividade crescente e sobrecarga de inovação, o que faz muitas empresas - tradicionais massacradoras da criatividade de seus estressados funcionários - buscarem novas idéias o tempo todo. E é aí que você entra.</p>
<p>Uma coisa, no entanto, é clara: sua oportunidade será única. E você só terá uma chance de agradar. Sabe aquela mulher linda, sozinha em um bar? Aquela que você nem acredita que existe? Aquela que você precisa pensar rápido em algo inteligente e divertido, se aproximar com segurança e se preparar para o &#8220;não&#8221;? Pois ela é muito, muito mais impressionável e fácil que um cara desses. (<em>moças, meu exemplo não é machista - é que homens não costumam ter critério e, caso vocês não saibam, basta olharem para eles que a maioria costuma vir atrás, por isso o exemplo não se aplica</em>)</p>
<p>Mas - perguntaria você - por que se preparar para um eventual encontro desses, se ele é tão raro? Por dois motivos, acredito eu:</p>
<ol>
<li>Se ele acontecer, pode mudar a sua vida. Se não o deixar com os bolsos cheios, pode colocar você a trabalhar naquilo que acredita e isso pode ser o suficiente para você parar de resmungar que seu trabalho / chefe / firma / vida não presta; e</li>
<li>Mesmo que ele não aconteça, a perspectiva pode ajudá-lo a considerar a razão de sua profissão, suas motivações e o que você tem de diferente.</li>
</ol>
<p>Em outras palavras, é um círculo virtuoso: mesmo que você não tenha a oportunidade de encontrar um cara desses, pensar como um deles certamente não lhe fará mal. E é aí que boa parte do que você conhece por &#8220;técnicas de apresentação&#8221; cai por terra.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Dicas de falar bem" src="http://www.livrariasaraiva.com.br/imagem/imagem.dll?tam=2&amp;pro_id=2227350&amp;PIM_Id=1151802" alt="Dicas de falar bem" width="200" height="281" /></p>
<p>Uma coisa que nenhum manual de <em>Pauerpóint</em> ou livro de técnicas de apresentação gerencial diz (não que eu tenha lido muitos deles, confesso) é que CEOs não são o bicho corporativo típico. Como sua função na firma é guiá-la e muitas vezes tirá-la do marasmo ou fazê-la mudar de direção sem naufragar, eles precisam, por definição, pensar diferente da formigaiada. Não que sejam &#8220;artistas&#8221; ou qualquer outra classe de criativos entre aspas - eles ainda têm que tocar uma empresa, e há poucas coisas mais pragmáticas que isso - mas que certamente têm uma forma peculiar de pensar.</p>
<p>O que importa é que para eles, as técnicas de apresentação que você usa são tão manjadas quanto as cantadas de um livro de frases feitas. Como a famigerada mulher bonita, ele não se impressionará por elas.</p>
<p>Nem por seu terno, seu Macintosh, seus termos em inglês ou <em>tecnologês</em>, as tendências internacionais e dados que fundamentam sua proposta ou (ai!) pelos efeitos especiais da multimídia que você apresenta. Muito pelo contrário, se ele perceber que você (e sua idéia) são escravos de uma infra-estrutura qualquer, você já estará 90% fora do jogo.</p>
<p>Isso não significa que você deva rabiscar suas idéias a lápis ou Bic, em um papel impresso do outro lado. Mas que, como no Marketing viral, a riqueza está na idéia, não na qualidade da produção. Da mesma forma que vídeo ruim não é sinônimo de viral, uma apresentação desleixada dificilmente garantirá sua aposentadoria. Mais fácil é pensar o contrário: sua idéia  precisa ser tão boa que <em>poderia</em> ser apresentada de qualquer jeito. Se for impecável, tem boas chances de ser irrecusável.</p>
<p>Mas o que move esses caras, afinal? Se eu soubesse com certeza, escreveria um livro, daria consultoria para startups sem noção e estaria rico demais para escrever este blog. O que posso oferecer para vocês, assim, de graça, em um singelo e humilde post, são coisas que percebi no decorrer da minha vida profissional, em que, graças à novidade das tecnologias e efeitos colaterais da &#8220;bolha&#8221;, tive a oportunidade de apresentar alguns projetos a CEOs. Destes, posso dizer que acertei em alguns e errei na mosca em muitos. O que percebi foi:</p>
<ul>
<li><strong>Senso de oportunidade </strong>- como já dizia minha avó, certas coisas não são ditas em determinados lugares. Esses caras são, o tempo todo, abordados por gente inconveniente. Novamente a semelhança com as belas é automática. Se você só tem uma oportunidade e ela é em um, digamos, funeral, esqueça: não há clima. Mas isso não significa que você precise de uma apresentação formal. Para esses caras que têm a antena automaticamente ligada, uma simples e despretensiosa conversa pode dizer muita coisa e despertar o interesse. Nunca espere mais do que isso, por mais que sua idéia seja perfeita para o negócio dele.</li>
<li><strong>Pragmatismo</strong> - por mais que o discurso da visão da empresa tenha grandes aspirações, esses caras costumam ter os dois pés bem plantados no chão. Se a sua idéia só der lucro, pode até ser que te ouçam. Se ela contribuir remotamente para o desaquecimento global ou para as vítimas de daltonismo na Eritréia ou se representar lucros se o Biodiesel emplacar como combustível mundial, esqueça.</li>
<li><strong>Visão estratégica</strong> - para guiar grandes empresas ou pilhas de dinheiro, um cara desses precisa ver longe. Como uma aranha a sua teia, ele deve estar conectado com os principais fatores socioeconômicos que envolvem o seu negócio. Se você conseguir descobrir algo que afete algum desses fatores, excelente. Se mais de um deles, melhor ainda. Mas já aviso: esses caras estão cercados de gente procurando exatamente o mesmo que você.</li>
<li><strong>Pouco blablablá</strong> - para não cair no eterno chavão sobre tempo e dinheiro, prefiro voltar para a metáfora da cantada: quanto mais rápida e intrigante ela for, mais certo costuma dar. Ninguém &#8220;convence&#8221; alguém a lhe dar um beijo ou algo do gênero. Fernando Pessoa defendia que o mundo é para quem nasce para o conquistar. E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.</li>
<li><strong>Evite dados </strong>- pelo menos aqueles que não sejam significativos. Ele tem gente para estudá-los e, exatamente por isso, provavelmente não se impressionará com seus percentuais e gráficos. Pelo contrário, se aborrecerá - se não ficar com a impressão que aquela quantidade de dados mascara alguma verdade que não quer ser dita. Esses caras não são ariscos e desconfiados à toa.</li>
<li><strong>Não fale nada que ele já saiba</strong> - repetição só é legal para quem tem menos de 6 anos de idade. A partir daí, é muito, muito chato. Se você não quer que alguém lhe explique como funciona a Internet ou um mouse, por que acha que vai agradar um cara desses ao falar (bobagens, provavelmente) sobre o que sabe do negócio deles? Familiaridade? Isso é coisa de famílias, e não costuma ser bem-vinda quando na boca de estranhos.</li>
<li><strong>Procure ser inovador, não barato</strong> - a não ser que você seja estupidamente barato. A função de praticamente qualquer escalão em uma empresa é aumentar a eficiência dos processos. Eles não costumam precisar (nem receber bem) aqueles carinhas que vêm de fora cheios de formas de fazer &#8220;melhor&#8221; algo que eles arrastam às duras penas. Você é necessário para trazer uma revolução. Da evolução eles cuidam, mesmo que lentamente.</li>
<li><strong>Argumento-chave</strong> - se sua idéia pretende chegar a algum ponto, qual é esse ponto? Se você precisasse explicar o que faz em uma frase, ela caberia no Twitter? E em uma conversa de elevador? Dá para resumir quem você é em uma frase? E o que você faz? E o que pretende apresentar? Sua frase não é longa nem hermética demais? Não minta.</li>
</ul>
<p>Como disse em um <a href="http://www.luli.com.br/2008/03/04/simplicidade-e-elegancia-em-design/" target="_blank">post anterior</a>, boas idéias costumam ser ridiculamente simples. Se a sua (ainda) não o é, simplificá-la talvez seja o caminho mais curto para fazê-la desabrochar.</p>
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		<item>
		<title>Lindo, simplesmente</title>
		<link>http://www.luli.com.br/2008/05/20/lindo-simplesmente/</link>
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		<pubDate>Tue, 20 May 2008 16:13:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Radfahrer</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Não marcado]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Sábias palavras, Rita Lee.</p><p>
Uma confusão recorrente com relação à função do designer é acreditar que ele é responsável pela criação de coisas belas. O termo design, que muitos acreditam ser sinônimo de desenho, na verdade é um pouco mais abrangente do que isso: ele também diz respeito a "projeto" e "desígnio". Em uma definição resumida, o design é uma forma visual que segue um roteiro bem determinado em busca de&#8230; </p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="355" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="wmode" value="transparent" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/lmIr8oRQ9r8&amp;hl=en" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="355" src="http://www.youtube.com/v/lmIr8oRQ9r8&amp;hl=en" wmode="transparent"></embed></object></p>
<p>Sábias palavras, Rita Lee.</p>
<p>Uma confusão recorrente com relação à função do designer é acreditar que ele é responsável pela criação de coisas belas. O termo design, que muitos acreditam ser sinônimo de desenho, na verdade é um pouco mais abrangente do que isso: ele também diz respeito a &#8220;projeto&#8221; e &#8220;desígnio&#8221;. Em uma definição resumida, o design é uma forma visual que segue um roteiro bem determinado em busca de um objetivo. Nesses termos, Vinicius que me perdoe, a beleza não é fundamental.</p>
<p>Isso não significa, claaaro, que a feiúra seja um valor. Mas dá uma boa pista do porquê é comum se &#8220;enjoar&#8221; rapidamente de algumas coisas, pouco importa a sua beleza. Também explica a popular expressão &#8220;bonitinho, mas ordinário&#8221;.</p>
<p>Em um mundo de crescente especialização, que é cada vez mais difícil alguém se responsabilizar por todo o processo, essa função &#8220;holística&#8221; do design precisa ser mais detalhada, para que não fique hermética. Dá vontade de falar na <a title="Maslow" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Maslow's_hierarchy_of_needs" target="_blank">pirâmide de Maslow</a>, mas para que o post não fique muito comprido, me restrinjo a citá-la abaixo e fazer dela uma interpretação bastante aplicável em design:</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Pirâmide de Maslow" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/65/Hierarquia_das_necessidades_de_Maslow.svg/800px-Hierarquia_das_necessidades_de_Maslow.svg.png" alt="Pirâmide de Maslow" width="333" height="217" /></p>
<p>Com base nela, dá para dividir o design em três tipos:</p>
<ul>
<li><strong>Design de experiência</strong> busca respostas <span style="color: #ff6600;"><em>viscerais</em></span>. É aquilo que os sentidos percebem imediatamente: aparência, som, movimento. A resposta psicológica também é imediata e potente: ela exprime como o usuário quer se sentir. Está ligada a sua auto-estima e idéia de eficiência.</li>
</ul>
<p style="text-align: center;"><img src="http://www.poptherapy.com/wp-content/uploads/2007/11/jennifer_connelly.jpg" alt="Jenniffer" width="300" height="401" /><em><br />
“Uau, como isso é bonito / cheira bem&#8221;. </em>Jennifer Connely não é muito diferente de um saco de pipocas</p>
<ul>
<li><strong>Design de finalidade</strong> busca respostas <span style="color: #ff6600;"><em>comportamentais</em></span>. Seus produtos ou serviços representam a legítima “extensão do homem” e estão diretamente ligados à usabilidade e aos objetivos que ele pretende realizar.</li>
</ul>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Câmbio Automático" src="http://blog.estadao.com.br/blog/media/automa.JPG" alt="Câmbio Automático" width="418" height="272" /><em><br />
“Não sei como conseguiria viver sem isso”</em>. Câmbio automático, ar condicionado, telefone celular são vistos como &#8220;frescura&#8221; até que você os tenha.</p>
<ul>
<li><strong>Design de estilo de vida</strong> busca respostas <span style="color: #ff6600;">aspiracionais</span>. É o mais difícil, pois pretende construir relacionamentos de longo prazo. Representa as aspirações pessoais que se estendem muito além do contexto do produto. Quem os tem busca &#8220;ser&#8221; algo.</li>
</ul>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Harley" src="http://motorcyclespecs.co.za/Gallery/Harley-Davidson%20XL%201200L%20Sportster%201200%20Low%2006%20%201.jpg" alt="Harley" width="423" height="379" /><em><br />
“Você tem que entender, meu bem, que esta não é qualquer moto / caneta / câmara / bolsa&#8221;.</em> Fica muito mais fácil explicar o fenômeno iPod/iPhone desse jeito.</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: left;">Até aí parece óbvio, mas vale a pena destacar que nessa sociedade de valores platônico-judaico-cristãos ainda repressores, é &#8220;feio&#8221; e pega mal, perante tanta injustiça no mundo, alguém gostar de algo belo, simplesmente. Pior ainda aquele que gosta de um símbolo de status para lhe reforçar a auto-estima. Por isso as pessoas mentem descaradamente: para si mesmas, para seus entes queridos, para as pesquisas de mercado:</p>
<p style="text-align: left;"><a href="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/05/desejo.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-496" title="desejo e mentira" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/05/desejo.png" alt="Desejo e declaração" width="500" height="213" /></a></p>
<p style="text-align: left;">Nessa linha de raciocínio torto, o único investimento que parece justificável é aquele que, por obedecer a uma finalidade específica, admite uma explicação racional. Compram-se Armanis e MontBlancs por sua &#8220;qualidade&#8221;, não por serem belíssimos símbolos de status.</p>
<p style="text-align: left;">&#8220;Até aí, cada um com sua consciência&#8221;, diria você. E eu não tenho como negar. Mas se você trabalha com comunicação, tome cuidado: pode ser que aquele produto que não venda bem esteja a usar os argumentos errados.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Mais uma coisa ou duas sobre interface</title>
		<link>http://www.luli.com.br/2008/05/09/mais-uma-coisa-ou-duas-sobre-interface/</link>
		<comments>http://www.luli.com.br/2008/05/09/mais-uma-coisa-ou-duas-sobre-interface/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 09 May 2008 23:28:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Radfahrer</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Não marcado]]></category>

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		<description><![CDATA[Curiosamente me chegou pelo correio nesse final de sexta-feira absolutamente insano em São Paulo a minha revista Webdesign, com muita coisa boa. Com isso posso colocar no ar o artigo que escrevi para eles há seis meses. Ele fala sobre interfaces, partindo do universo do simulador de vôo do Google Earth.

Ele está <a href="http://www.luli.com.br/textos/artigos-revista-webdesign/wd47wd47/" target="_blank">aqui</a> - e completa por enquanto essa abordagem sobre interfaces. Bom final de semana&#8230; ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Curiosamente me chegou pelo correio nesse final de sexta-feira absolutamente insano em São Paulo a minha revista Webdesign, com muita coisa boa. Com isso posso colocar no ar o artigo que escrevi para eles há seis meses. Ele fala sobre interfaces, partindo do universo do simulador de vôo do Google Earth.</p>
<p>Ele está <a href="http://www.luli.com.br/textos/artigos-revista-webdesign/wd47/" target="_blank">aqui</a> - e completa por enquanto essa abordagem sobre interfaces. Bom final de semana.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Interfaces prestativas - ajustes</title>
		<link>http://www.luli.com.br/2008/05/08/interfaces-prestativas-ajustes/</link>
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		<pubDate>Thu, 08 May 2008 21:30:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Radfahrer</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Não marcado]]></category>

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		<description><![CDATA[Moçada, às vezes vocês me assustam. O nível de participação deste blog é tão alto que me obriga a fazer algumas correções de rumo para não haver mal-entendidos. No post anterior, quando eu falei de interfaces elegantes e prestativas, eu me referia à interpretação literal das interfaces e seu comportamento, e não nelas como uma metáfora da civilidade no trato humano. Como vi nos comentários que essa interpretação pode ter&#8230; ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Moçada, às vezes vocês me assustam. O nível de participação deste blog é tão alto que me obriga a fazer algumas correções de rumo para não haver mal-entendidos. No post anterior, quando eu falei de interfaces elegantes e prestativas, eu me referia à interpretação literal das interfaces e seu comportamento, e não nelas como uma metáfora da civilidade no trato humano. Como vi nos comentários que essa interpretação pode ter ficado meio nebulosa, vou detalhar um pouco mais os tópicos.</p>
<ol>
<li><strong>Dar importância para a pessoa com quem conversam e se interessar pelo que dizem / fazem</strong> - uma interface só deve solicitar os dados que vai usar efetivamente. Qualquer dado que não seja uma senha deve ser armazenado e só pedido uma vez. Se for possível, certos hábitos de uso e  navegação  devem ser armazenados e replicados para que a experiência seja o mais personalizada e conveniente possível. Não há problemas em se ter uma interface genérica em um primeiro contato. Ela é, inclusive, muito melhor aceita que outras que, convencidamente, &#8220;assumem&#8221; que sabem o que o usuário quer. Mas à medida que a convivência cresce, é maravilhoso ver a interface assumir, como um sapato, a forma de quem o usa.</li>
<li><strong>Ser prestativas e solícitas -</strong> seres humanos são excelentes reconhecedores de padrões e resolvedores de problemas. Mas não são exatamente rápidos para lembrar de 17 senhas ou fazer movimentos delicados do mouse. A interface deve se prontificar para fazer o que é fácil para um computador e ajudar seu usuário no que for possível. Acima de tudo não deve sacrificá-lo em nome de sua &#8220;segurança&#8221;.</li>
<li><strong>Usar o bom senso e não fazer perguntas estúpidas - </strong>se o usuário operou um aplicativo durante um bom tempo e fez mudanças significativas, será que ele quer gravar as alterações que fez? Provavelmente sim. De preferência em várias versões. Gravar versões automáticas temporariamente - e dar a cada uma delas um nome diferente até que o usuário se dê por satisfeito é algo tão fácil que deveria ser obrigatório. Outro exemplo típico é para aplicações web que perguntam para o indivíduo em que país está ou como pretende formatar seus dados. Não seria melhor partir do formato padrão da localidade revelada pelo número IP e permitir uma alteração se necessário?</li>
<li><strong>Se antecipar às necessidades e desejos daqueles com quem convivem - </strong>aqui é onde entram os alertas por e-mail, os assistentes da Amazon, a arquitetura de informação de produtos da Nokia e todas aquelas coisinhas maravilhosas que parecem &#8220;adivinhar&#8221; o que você vai fazer a seguir.</li>
<li><strong>Ter uma ampla perspectiva - pelo menos uma que seja maior do que sua tarefa braçal e imediata - </strong>praticamente nenhum aplicativo funciona sozinho. Uma planilha será usada em uma apresentação, uma imagem escaneada deverá ser aplicada em algum lugar. O usuário está em um ambiente social, tem suas demandas de performance e usará o conjunto de ferramentas que tiver à mão para resolver seus problemas da forma mais rápida e eficiente possível. Quem ignorar o próximo tenderá a ser ignorado por ele.</li>
<li><strong>Não aporrinhar as pessoas com seus problemas pessoais - </strong>faltou memória? A aplicação deu pau? Me diga o que o usuário tem a ver com isso, por que ele deve ser notificado em termos técnicos do que aconteceu e por que o trabalho dele deve ser perdido se foi a sua interface que não se comportou direito? Se um funcionário falta porque teve um problema, isso já é um baita incômodo. Comentar a respeito não vai atrair a empatia do usuário, só aumentará sua irritação com o problema.</li>
<li><strong>Manter seus colegas informados de suas ações - </strong>levando em consideração a relação que um aplicativo faz com seus usuários (falo mais sobre isso no post sobre <a href="http://www.luli.com.br/2008/04/28/tempos-de-latencia/" target="_blank">tempos de latência</a>), uma interface elegante e prestativa usa bem as margens e rodapé para dar uma série de informações que podem ser do interesse do usuário mas que ele ab-so-lu-ta-mente não vai parar o que está fazendo para procurar. Talvez até porque nem saiba onde ficam ou se estão disponíveis.</li>
<li><strong>Ser sensíveis, compreender os motivos dos outros, não insistir no que “faz sentido” pra você - </strong>a informação a ser dada é importante a ponto de precisar interromper a concentração do usuário? Ele pode fazer algo com ela? Ele precisa se esforçar para lembrá-la? Pra que contar que uma aplicação cometeu uma &#8220;operação ilegal&#8221;? Pra que colocar caixas de diálogo que fazem um monólogo e só permitem ao usuário clicar em OK? Ou pior, que ainda dão detalhes em vez de armazená-los em um arquivo de log?</li>
<li><strong>Não fazer muitas perguntas - </strong>essa aqui é meio óbvia, não? Você não acha magnífica a habilidade dos browsers em guardar um monte de dados repetitivos, como e-mail ou endereço? Pois então.</li>
<li><strong>Saber quando é preciso quebrar regras. Ser autoconfiante e assumir a responsabilidade por seus atos - </strong>O usuário quer fazer algo que não faz sentido para a aplicação? Algumas informações não cabem no grid? Certas cores desafiam a paleta estabelecida? Certas organizações da base de dados parecem imbecis? Quem é você para obrigar o cara a fazer as coisas do jeito que você acha certas? Pode ser que para ele faça sentido associar uma música do iTunes para cada endereço web que visita, ou qualquer coisa estranha do gênero. Deixe-o em paz, ele já tem chefes demais.</li>
</ol>
<p>Ficou mais claro? Se o bom comportamento é considerado default em humanos, ele é um adicional muito bem-vindo em interfaces.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Interfaces elegantes e prestativas</title>
		<link>http://www.luli.com.br/2008/05/05/interfaces-elegantes-e-prestativas/</link>
		<comments>http://www.luli.com.br/2008/05/05/interfaces-elegantes-e-prestativas/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 05 May 2008 22:21:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Radfahrer</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Não marcado]]></category>

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		<description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Hopkins" src="http://www.librarising.com/astrology/celebs/images2/A/anthonyhopkins.jpg" alt="Hopkins" width="285" height="352" /></p>
Outro dia, ao escrever um texto no Blackberry, percebi que algo me irritava, e não era o teclado pequeno. Era uma intervenção de software, uma irritante mensagem me notificando que havia sinal de rede aonde eu estava.

Por trazer uma boa notícia, a tal mensagem "proativa" deveria ser bem recebida. Mas sua mania irritante de aparecer no formato de uma caixa de&#8230; ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Hopkins" src="http://www.librarising.com/astrology/celebs/images2/A/anthonyhopkins.jpg" alt="Hopkins" width="285" height="352" /></p>
<p>Outro dia, ao escrever um texto no Blackberry, percebi que algo me irritava, e não era o teclado pequeno. Era uma intervenção de software, uma irritante mensagem me notificando que havia sinal de rede aonde eu estava.</p>
<p>Por trazer uma boa notícia, a tal mensagem &#8220;proativa&#8221; deveria ser bem recebida. Mas sua mania irritante de aparecer no formato de uma caixa de alerta e me obrigar a clicar em &#8220;OK&#8221; sempre que aparecia era um baita estorvo. Como eu estava em uma área de sinal instável, a maldita janela aparecia umas dez vezes por minuto, a ponto de irritar monge budista.</p>
<p>Esse entrave, que me obrigava a &#8220;dar ciência&#8221; sobre algo que não era do meu interesse e estava além do meu controle me fez lembrar de uma velha expressão que comparava serviços de informática a burocratas. Na época em que foi cunhada, acredito que ela devia se referir àquelas simpáticos sistemas movidos a DOS e suas inconfundíveis interfaces verde-azuladas</p>
<p>Algumas décadas se passaram e, apesar da tecnologia e qualidade das interfaces gráficas ter evoluído monstruosamente, muitas delas parecem ter desenvolvido uma predileção especial em serem malcriadas, distraídas, rígidas, formais, travadas&#8230; escolha seu sinônimo preferido para burocrático.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Cartório" src="http://www.tre-ro.gov.br/noticias/fotos/CARTORIO%20ELEITORAL%203%20%20250x180.jpg" alt="http://www.tre-ro.gov.br/noticias/fotos/CARTORIO%20ELEITORAL%203%20%20250x180.jpg" width="250" height="180" /></p>
<p>O fato inegável é que, pouco importa a tecnologia utilizada, são raras as interfaces que não transmitem a simpatia e boa-vontade de um&#8230; cartório. <em><span style="color: #ff6600;">O endereço foi digitado errado? </span>Azar. <span style="color: #ff6600;">Você não se lembra de sua senha? </span>Problema seu. <span style="color: #ff6600;">O plug-in ou a resolução de tela são incompatíveis com a sua máquina? </span>Dane-se. <span style="color: #ff6600;">Você não sabe o que quer aqui? </span>Pois não serei eu quem irá ajudar.</em> E vários exemplos do gênero.</p>
<p>Em resumo, uma lindeza de fino trato. O usuário (ainda) leva tudo isso de desaforo para casa porque a interação homem-computador ainda é uma coisa razoavelmente recente. Ao se lembrar como era desconfortável a vida sem tecnologia - ou a pensar que, no fundo, máquinas são mesmo um pouco estúpidas, muitos perdoam a malcriação e seguem adiante, com uma sensação de leve desconforto.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Fila MacOS" src="http://sf07.files.wordpress.com/2007/06/fila.jpg" alt="http://sf07.files.wordpress.com/2007/06/fila.jpg" width="507" height="293" /></p>
<p>Só que essa percepção é errada, e tende a ser cada vez menos comum. A tecnologia é uma via de mão única e não se voltará para uma época sem computadores, por isso pensar no progresso representado pelas máquinas é tão inútil quanto pensar no progresso trazido pela energia elétrica ou coleta de lixo. São conquistas sociais para as quais não há retrocesso.</p>
<p>Outra bobagem é pensar em inteligência artificial ou na relação que estabelecemos com &#8220;a máquina&#8221;. As interfaces são desenhadas por gente como você. Ou quase. Muitos profissionais de desenvolvimento de interfaces costumam estar tão envolvidos com os processos digitais que se esquecem que os humanos do outro lado da tela podem não estar interessados pelos estados das pilhas de memória ou bases de dados.</p>
<p>Isso não significa que sejam estúpidos nem que demandem &#8220;assistentes&#8221;, mas que normalmente estejam ocupados demais para se preocupar com um eventual xilique da interface.</p>
<p><a href="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/05/picture-1.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-488" title="AmazonKindle" src="http://www.luli.com.br/admin/wp-content/uploads/2008/05/picture-1-300x117.png" alt="Amazon Kindle" width="300" height="117" /></a></p>
<p>Todo mundo se apaixona pela Amazon e gosta de usá-la como referência. Acredito que seja menos por causa de seu potente sistema de CRM, mas de sua atitude elegante, prestativa e simpática.</p>
<p>Fica aqui a recomendação para o próximo produto digital que você desenhar: mais que bonito (design) ou poderoso (desenvolvimento), ele deve ser elegante e simpático. Em um mundo de modelos plastificadas, botocadas e arrogantes - e de PitBoys depilados, SUVzados e igualmente arrogantes, ser elegante e simpático não é bobagem. É distinção.</p>
<p>Nesse mundo cada vez mais duro, palavras assim podem parecer &#8220;virtuais&#8221; demais. Por isso segue uma listinha/lembrete das atitudes comuns aos produtos (e pessoas) elegantes e prestativas, todas facilmente replicáveis:</p>
<ol>
<li>Dar importância para a pessoa com quem conversam e se interessar pelo que dizem / fazem;</li>
<li>Ser prestativas e solícitas;</li>
<li>Usar o bom senso e não fazer perguntas estúpidas;</li>
<li>Se antecipar às necessidades e desejos daqueles com quem convivem;</li>
<li>Ter uma ampla perspectiva - pelo menos uma que seja maior do que sua tarefa braçal e imediata;</li>
<li>Não aporrinhar as pessoas com seus problemas pessoais;</li>
<li>Manter seus colegas informados de suas ações;</li>
<li>Ser sensíveis, compreender os motivos dos outros, não insistir no que &#8220;faz sentido&#8221; pra você;</li>
<li>Não fazer muitas perguntas; e</li>
<li>Saber quando é preciso quebrar regras. Ser autoconfiante e assumir a responsabilidade por seus atos.</li>
</ol>
<p>Pensando bem, não é tão difícil se comportar com deferência.</p>
<p>E faz uma diferença&#8230;</p>
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