São três da manhã. Você não consegue dormir direito. Precisa de alguém para conversar. Amenidades. Ou não. A quem vai recorrer? Na realidade, você brigou com a namorada e quer espairecer. Ou sacaneou alguém no trabalho e precisa abrir seu coração. Mas não quer ser identificado. Ou sua vida está meio sem graça e você procura por um pouco de emoção. Ou você é solitário e só quer ver pessoas conversando, imaginar suas histórias. Ou você mora em Joaçaba e quer discutir cinema iraniano. Ou está para se mudar para o Rio e não conhece nada por lá. Ou marcou viagem para Cabo Verde e só sabe que fica na África. Ou está nos Estados Unidos e sente saudades de casa. Ou ainda quer saber as melhores trilhas de bicicleta na Serra da Bocaina. Ou tem um parente com Alzheimer e não sabe o que fazer. Ou precisa de um advogado. Ou só quer um pouco de sacanagem. Ouvir fofocas. Pegar conselhos…
As salas de chat, listas de e-mail e grupos de discussão da internet são as novas ruas, igrejas, partidos, padarias: praças públicas onde as pessoas apressadas e atarefadas e estressadas conseguem ser um pouco humanas. São simples espaços para que todos possam trocar idéias, brigar, brincar, pedir ajuda, postar mensagens, conviver, ser humano, enfim. O excesso de tecnologia entupiu todo mundo de trabalho a tal ponto que todos ficam cansados demais para sair quando chegam em casa. Isso estimula o encasulamento: as pessoas ficam cada vez mais isoladas, fechadas, sozinhas.
Em um ambiente social mutável e imprevisível, cada vez mais as pessoas querem pertencer a um grupo. Muitos procuram mais do que informação quando entram em um sistema online, vendo-os como lugares em que podem interagir com outras pessoas, pedir conselhos, compartilhar experiências etc., mesmo que não seja em ambientes reais, com pessoas reais ou mesmo que não sejam experiências reais. O conteúdo não importa, o importante é pertencer.
Fala-se por aí que a internet é uma rede de computadores interligados. Bobagem. A internet é uma rede de pessoas conectadas, isso sim. Pessoas com experiências, anseios, idéias e, acima de tudo, uma inteligência que está muito longe de ser artificial.
O serviço About.com, dos Estados Unidos, identificou essa tendência e montou um portal em que gente comum, com interesses pra lá de corriqueiros, ganha espaço para falar sobre aquilo que é especialista, seja profissionalmente ou — o que é muito mais interessante — um hobby.
Assim, se você precisa saber algo sobre anestesiologia ou quer um guia de viagens com dicas completamente isentas (tão isentas que podem até estar desatualizadas) este é o lugar: gente autêntica, informação autêntica com todas as suas incorreções, como se falássemos com elas ao vivo. Um belo exemplo do que chamo de “rede de pessoas”.
Popularity: unranked [?]
Comente este post ou dê um link do seu site.
Acompanhe esses comentários.
Seja legal, não fuja do tópico.
Não faça nada que você não faria.
Se souber HTML, pode usar essas tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>