Design é arte? Designers e diretores de arte são descolados, bacanas, djoinhas. Estão em eventos badalados, são engraçados e despreocupados, usam roupas coloridas. A profissão não poderia ser mais bacana, a começar pelo nome: criação. O designer não deve ser interrompido, pois está criando. Ele faz isso o tempo todo. É um “gênio”, quase sempre incompreendido. Tanto que perde muito tempo discutindo o bom e o mau design (entenda-se como “bom” aquele feito por ele e como “mau” o feito pela concorrência). Parecem aqueles poetas que tentam vender seus livrinhos na porta de espaços culturais ou bares alternativos e que reclamam do sistema esmagador.
É triste dizer, mas a maioria dos designers é composta por cinderelas que acreditaram na fantasia. Depois de passar tanto tempo tentando convencer o cliente da importância da unidade e coerência visual em um trabalho e buscando traduzir visualmente a maioria dos conceitos, muitos designers acabam acreditando que realmente são especiais.
Um designer é especial? É. Sem ironia. Em um mundo brutalmente verbal é difícil encontrar alguém visualmente alfabetizado, capaz de “ler” uma fotografia e formular um visual interessante. Designers são compositores que, como poetas e músicos, coordenam uma sinfonia de elementos, gerando um resultado harmônico. Como esse resultado, na maioria das vezes, é inusitado, ele precisa de muita autoconfiança e auto-estima para não matar uma idéia nova em nome de uma possível rejeição do público. Por isso que, como a maioria dos artistas, muitos designers têm egos imensos e comportamentos inaceitáveis.
Só que é sempre bom lembrar que UM DESIGNER NÃO É UM ARTISTA, na melhor das hipóteses é um artista em função do mercado. Ele pode fazer a embalagem mais linda e premiada do mundo, contanto que ajude a vender. Ele pode fazer o relatório anual ou folheto mais chique deste sistema solar, contanto que mostre bem os produtos e idéias do cliente. Enquanto o artista deve ser coerente consigo próprio, o designer deve lealdade ao cliente e ao produto, ficando a arte em segundo plano. Não gostou? Pois vá fazer artes plásticas.
Um bom designer não deve ter seu “estilo pessoal”, pois seus projetos são resultados de um método objetivo. Ao contrário do artista, ele trabalha em grupo, visando à estética da lógica.
Para o design vale sempre a regra da observação. O que seu cliente faz? O que é presente no cotidiano dele? Quais são os elementos significativos? Chico Buarque faz músicas comoventes tiradas do dia a dia sem graça de uma classe média esmagada. Mágica? Duvido. Mesmo o famosérrimo e manjadérrimo David Carson tira suas idéias de desconstrução tipográfica de placas pintadas por gente simples dos bairros pobres perto da sua casa.
Essas idéias ingênuas muitas vezes são brilhantes exatamente por não procurar nada especial, extraterrestre, e sim tentar retratar o que se vê. Os donos de uma banca de jornal próxima de casa tiveram outro dia uma idéia dessas: impressionados com o crescente número de vídeos pornográficos à venda e com o constrangimento de pais que viam suas crianças olhar as fitas e fazer perguntas, resolveram cobrir, com papel sulfite e fita adesiva, os exemplares do topo da pilha. Se um adulto quisesse ver, que pegasse os de trás e visse à vontade. Resultado: das três bancas da praça, é a que vende menos títulos eróticos, mas a que tem mais público geral.
Em resumo: ao fazer seu website, não se preocupe em ver o que o pessoal da Nike ou da Wired está aprontando, nem tente descobrir o que há de mais moderno em HTML e plug-ins, muito pelo contrário: tente descobrir, no material que você vai fazer, elementos singelos de destaque e identificação e trabalhe neles. Pois, se a interatividade e o excesso de efeitos podem até atrair, não conseguirão prender o visitante, que busca participação e reconhecimento. São como uma maquiagem, que cedo ou tarde é descoberta.
O que é preciso para ser autônomo?
“Ser autônomo? É se saber se virar, no bom sentido, é claro. o papel de um designer em uma empresa é claro e objetivo: você tem sua mesa, um computador, chegam briefings, saem layouts para programadores, produtores, assistentes; fora de uma empresa, começa o one-man-show, nas mãos o banjo, nas pernas o bumbo e na boca a gaita. Você é o atendimento, o financeiro, o contato, o produtor, muitas vezes o programador e finalmente, o designer.
Não é uma profissão cômoda de modo algum. Idas e vindas a clientes, dos mais diversos tipos, tamanhos, gostos e temperamentos, idas e vindas ao banco que obrigam aquele lado esquerdo empoeirado do cérebro a trabalhar.
Lado esquerdo que se mostra bem útil para aquela programação básica em HTML, javascript e actionscript flashiano… tudo isso ocupa uma parte considerável de seu tempo exercendo a função cerne da profissão, designer.
Pré-requisitos são: cérebro, organização, fé, experiência no mundo profissional não-autônomo (indispensável para não cometer erros básicos, até de ordem contábil), equipamentos que funcionem, uma boa rede de contatos com colaboradores (programadores, fornecedores, parceiros) e possíveis clientes (o principal, é claro).
Se vale a pena? Bem, se por um lado a correria é muita e a jornada de trabalho varia do ócio a “48 horas diárias” de Photoshop, por outro não vemos aquele diretor folgadão da poderosa holding multinacional de propaganda comprar um iate com os dividendos do suado trabalho de um submisso designer, muito menos aquele chefe chato reclamando dos quinze minutos de atraso de manhã, ou dizendo que vamos todos trabalhar no feriado em que cai seu aniversário.
É o gostinho da liberdade - uma liberdade que pode aprisionar mais que qualquer outro emprego - mas que continua sendo a boa e velha liberdade.
Dica para quem está começando: não comece. Não antes de estar bem preparado. Avalie friamente a qualidade de seus trabalhos, reflita se você já tem a experiência básica necessária para encarar o feroz mercado sozinho, analise sua infra-estrutura — aquele macintosh performa velho pode abrir o bico e não aguentar a onda de seus trabalhos novos — e boa sorte. Você vai precisar dela. Talvez até mais do que imagina.”
Popularity: unranked [?]
[...] informação 7. Quem precisa de um website? 8. O processo de produção e suas etapas 9. Equipe 10. Vamos falar de você 11. Modernidades 12. Comunicação não-linear, se é que ela existe Existe também, uma versão [...]
[...] 10: Vamos falar de você 10-1: Seu estúdio 10-2: Seu portfólio e promoção: como tornar as suas peças conhecidas? [...]
[...] 10: Vamos falar de você 10-1: Seu estúdio 10-2: Seu portfólio e promoção: como tornar as suas peças conhecidas? [...]