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1. Design: a cara do mundo civilizado

Muita gente acha que design é uma coisa fácil, que só demanda talento. Alguns acreditam que esta é uma atividade fútil, uma firula muitas vezes desnecessária. Ou uma subdivisão da propaganda, um emprego para artistas temperamentais que esperneiam por causa de um fundo azul. O que é design, afinal?

A tradução direta do termo é desenho, mas deveria significar projeto. Em uma definição pra lá de resumida, os designers criam a cara do mundo civilizado. Quase todos os produtos e marcas que se vê em um espaço urbano foram criados por designers: de um parafuso aos botões de um elevador. A cadeira em que você está sentando, o computador que você usa, seu automóvel ou ônibus, tudo isso tem a mão de um designer. Algumas idéias bacanas, como a bicicleta, o garfo, as sandálias Birkenstock e a garrafa de coca-cola, persistem. Outras, como o puff, pogobol, bilboquê e a tandem (bicicleta para dois), desaparecem e não fazem história.

Ao contrário do glamour que pode aparentar, a profissão costuma reunir abnegados idealistas, gente que luta por uma causa quase que perdida, que é a de criar produtos que façam a diferença para um mundo mais confortável e bonito. Costumam ser teimosos e até pouco sociáveis: muitas vezes, seu apego ao produto sacrifica sua relação com muitas pessoas. Um designer costuma ser inquieto e fazer as perguntas mais estranhas: como funciona o arco do violino? Ou: por que não inventam um chiclete de coco? Ou ainda: que vermelho bonito faz o sangue, não? Pode parecer uma visão romântica da profissão, mas muitos designers não se acreditam capazes de fazer outra coisa da vida a não ser lutar incansavelmente por uma estética melhor ou mais inventiva. Alguns se sentem quase obrigados a isso o tempo todo, como aqueles professores de português que, inconscientemente, corrigem as derrapadas que escutam pelo rádio ou TV, mesmo que ninguém vá ouvi-los.

Um designer nunca está satisfeito e, nesse ponto, dá até para compará-los com cientistas: curiosos, sempre propondo, nunca considerando uma solução como definitiva. Seriam os designers cientistas com charme?

Não. Acredito que daí estaremos exagerando um bocado, até mesmo para pessoas conhecidas por terem egos incontroláveis. Uma melhor definição talvez fosse que os designers são os árbitros do bom gosto e nos orientam a separar o que é bonito do que é feio. Eles servem para mostrar às pessoas o que elas realmente querem e orientam o caminho para chegar lá. Sua responsabilidade é enorme, e, para isso, devem se concentrar nos mínimos detalhes para que o que fazem seja harmonioso e funcione.

Por isso um designer se irrita quando o cliente “só” propõe a troca da cor do fundo de uma embalagem. Essa troca, às vezes, é o equivalente à meia branca para quem veste terno e sapato pretos ou ao pedacinho de alface que fica grudado no dente depois do almoço: um pequeno detalhe que compromete o conjunto inteiro.

O design — especialmente o design gráfico e de web — é para você? Bom, depende. Você adora letras? Acha linda a curva que o Q do Goudy faz? Gosta de mexer com cores? É detalhista? Adora pesquisar tipos de papel e formatos? Acha videogames ou RPG experiências interessantes de linguagem? Se a resposta foi um apaixonado SIM, sem vacilar nem um pouquinho, a profissão é sua, para o bem ou para o mal. Se a questão financeira pesar, mas pesar muito, abandone a área. Você sempre poderá ser um bom advogado ou cirurgião plástico com uma coleção de belos quadros em casa.

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