Interrompemos excepcionalmente nossa série sobre gigatendências para comentar dois erros de percepção um bocado desagradáveis cometidos por aquela que deveria ser uma das mais importantes agências de propaganda do país. Über-premiada em Cannes, não é a primeira vez que ela leva o título um bocado discutível de “agência do ano”, coisa que fez questão de comentar em uma tentativa capenga de vídeo “viral”:
(aiaiai, quando esses caras vão entender que viral é efeito, não causa – e que não é sinônimo de mal-feito?)
No melhor estilo de profecia auto-realizável, o tal vídeo se tornou popular e distribuído pelas redes. Mas infelizmente para eles – e para a alegria geral do resto – a versão distribuída não era a oficial, mas uma divertida apropriação:
Seria cômico, se não fosse triste. Quem trabalha no mercado de criação e produção digital sabe que Cannes já viveu dias de maiores glórias. Desatualizado e sem compreender direito a mudança nos novos meios, seu comitê organizador cria novas categorias a cada ano – hoje são Film, Press, Outdoor, Direct, Media, Cyber, Radio, Lions, Titanium and Integrated, Design e PR, em uma confusão tamanha que ninguém consegue dizer com clareza e confiança a diferença de um Promo para um Direct para um Cyber para um Titanium. Na dúvida, inscrevem-se as peças em várias categorias (à bagatela de US$ 1000 por peça) e, como uma velha maçonaria em que todos se revezam em dar tapinhas uns nas costas dos outros, todos voltam bronzeados da Riviera falando maravilhas do festival. Em uma adaptação do ditado americano sobre Las Vegas, “o que acontece no Palais fica no Palais”. Falo mais de Cannes neste post em que comento o fato de estar perto e fazer questão de passar longe.
Voltando ao vídeo do filtro solar, que dá o tom para esta série, não é de se estranhar que a agência vedete do festival, tão prolífica em inscrições em tudo o que é categoria, tenha “deixado escapar” um vídeo de apelo popular tão forte? Minha experiência na área me diz que se os prêmios de uma peça não foram comentados, deve ser porque ela não levou nenhum. Mas quem conhece bem o mercado sabe que isso é praticamente impossível, considerada a quantidade de prêmios e a variedade mínima de suas mesas julgadoras.

Se o vídeo nunca levou um prêmio deve ser porque não foi inscrito. Se não foi inscrito, só pode ser por um motivo: ele não deve ser da DM9. Pelo menos não integralmente. Isso me chamou a atenção, mas ainda era pouco. Havia algo de fundamentalmente errado naquele vídeo. Como não pretendo submetê-lo à tortura de revê-lo, se você quiser pode dar uma olhada no texto aqui (repare que o Terra dá o crédito do texto para o Pedro Bial, o que é ainda mais grotesco). A versão legendada que publiquei tem a narrativa de um homem com uma voz que transparece uma boa idade, e acredita-se que a experiência que dispensa seja derivada dela.
Imagine-se conversando com seu avô. Não seria estranho ouvi-lo dizer “Você não é tão gordo(a) quanto pensa”; ou “Não tenha medo de seu corpo ou do que as outras pessoas possam achar dele”; ou ainda “Não leia revistas de beleza. Elas só vão fazer você se achar feio”? Hummm…pensando bem, até “Você, também, vai envelhecer” e “Não mexa demais nos cabelos senão quando você chegar aos quarenta vai aparentar oitenta e cinco” começam a soar estranhos, não? Cadê o “não gaste muito dinheiro com carros. Eles só servem para transportar você de um lado para o outro” ou qualquer referência a musculatura, futebol, sedentarismo ou potência sexual – triste reconhecer, claras obsessões masculinas?
Será que precisamos arranjar um armário maior pro vovô? Pro Bial? Ou será que ele, como o Nissan Guaranás, não se ligou que o texto foi, obviamente, escrito por uma mulher? Como foi que esse “mero detalhe” não passou pelas cabeças de pessoas tão perspicazes enquanto eles se apressavam em tomar posse, assinar e narrar a lengalenga de auto-ajuda que caiu em seus colos via Internet?
Não é fácil perceber o óbvio. Mesmo (e principalmente) entre aqueles que se julgam portadores de uma visão mais criativa da sociedade. O resultado é, como não poderia deixar de ser, Ivete Sangalo vendendo Sense e Simplicity, intercalada por um rapper que diz que “a tecnologia é uma espécie de magia que o cérebro humano não cria”.
Genial, não? Claro que não.
A história do Everybody’s Free (To Wear Sunscreen) é bem conhecida, embora muitos ainda creiam que seja da DM9 ou do Bial – coisa que ambos, espertos que são, não afirmam nem negam. Na época em que vi o vídeo pela primeira vez, as coisas eram bem mais difíceis de se achar. O texto era um velho conhecido: tinha chegado por e-mail vindo de várias fontes, ainda no ano 2000. Algumas fontes citavam um discurso de formatura do publicitário, outras falavam de palestrantes americanos bem mais ilustres. Em um mundo pré-YouTube, achar uma coisa dessas não era nada fácil.
Quando o número de pessoas A-DORAN-DO o tal vídeo começou a se tornar irritante, acabei sendo levado a vê-lo umas 4 ou 5 vezes, em diferentes eventos. A sensação de algo estranho permanecia… fui atrás e acabei por descobrir um artigo da BBC que me levou a um antigo blog e algumas páginas no Geocities, contando a mesma história que hoje é tão fácil de ler na Wikipedia: ele surgiu como um artigo escrito por Mary Schmich (veja bem, uma mulher) para o jornal Chicago Tribune em 97. Só isso, um artigo de jornal, nada de discurso de formatura alguma.
Por isso você não o vê lido em lugar algum, a não ser em homenagens retroativas de escolas que poderiam se contentar com algo melhor.

O artigo se chamava originalmente “Advice, like youth, probably just wasted on the young” (conselhos, como juventude, provavelmente desperdiçados com jovens). Sua autora quis dar a ele o tom de um discurso de formatura, provavelmente para realçar a importância do conselho desperdiçado com ouvintes de pouca idade, e também porque a época de sua publicação (começo de Junho) coincidia com muitas formaturas e “inaugurações”, aqueles discursos de abertura dos anos letivos que chamamos de “Aulas Magnas” (a propósito, a que dei na ECA não é um bom exemplo desse tipo de cerimônia).
Não é preciso prestar muita atenção no roteiro do vídeo para perceber que as imagens são redundantes a ponto de parecerem mímicas. O discurso é ainda pior, com estruturas, subordinações e construções típicas do texto escrito, que se tornam bem chatinhas quando narradas.
Mesmo assim, não demorou para alguém copiar o artigo do jornal e transmiti-lo por e-mail. Se tem gente que faz isso até com os artigos que escrevo em revistas e não publico aqui, o que dizer de um texto tão emocional, apelativo e “fácil” em tempos de auto-ajuda?
Na pressa em copiar, rapidamente sumiu a fonte e a autora, e o texto se torna uma lenda urbana. Quem nunca recebeu por e-mail algum texto atribuído ao Luis Fernando Verissimo (mas que ele jamais reconheceria a paternidade, de tão primário que é?). Seguindo a mesma receita, rapidamente o anexaram o texto da tia Mary a alguém célebre, para dar maior respeito ao pastel de vento.
Por seu formato, não tardou para alguém ter a idéia “criativa” de transformá-lo na palestra de abertura do MIT, dada por Kurt Vonnegut no mesmo ano. Só se esqueceram de verificar se ele teria falado lá naquela época. Na verdade, quem fez a palestra de abertura naquele ano foi o Kofi Annan, e não passou pela cabeça dele falar em FPS outras formas de proteção UVA/B.
Enquanto isso a palavra corria solta pela Internet, em suas mais variadas traduções. Se poucos mudaram o tom ou o teor do discurso, sua autoria ganhou todo tipo de tradução. Curiosamente, todas masculinas. Como se uma mulher nao fosse capaz de escrever esse discurso (o que até considero um elogio, já que a baixa qualidade do mesmo rivaliza em profundidade com letras de axé e sertanejo).
Do outro lado do mundo, o diretor de cinema australiano Baz Luhrmann resolve transformar o texto ruim em um vídeo ainda pior. Se você acha impossível, veja a pérola abaixo:
Mesmo assim o vídeo ganha fama ainda maior do que a alcançada pelo texto, graças a um remix pop-pegajoso do único hit que a cantora zambiana Rozalla emplacou fora de Lusaka – embora a versão dela seja beeeeem melhor:
(e pensar que eu dancei bastante essa música…. o tempo nos torna mais críticos e sábios, ou talvez simplesmente chatos)
De qualquer forma, toda essa história é velha demais, e só vale ser ressucitada como um (longo) exemplo da importância de se prestar atenção em cada detalhe do ambiente em que se está para se poder falar verdadeiramente em inovação. Em tempos de informação abundante, a ignorância não é mais uma desculpa aceitável.
Curiosamente são as agências de propaganda e os veículos de mídia de massa que ficam cada dia mais distantes de qualquer tentativa de inovação (sempre vale relembrar o fenomenal erro de português do 2º publicitário mais conhecido do Brasil ao defender o antigo regime e propor que não se “invistam DO novo”). Preocupado que está em perpetuar estereótipos e forçar associações, este segmento morto da área de comunicação se distancia cada mais de qualquer atitude inovadora ou criativa a cada dia.
Para que você não pense que eu tenho qualquer preconceito contra as agências (guardo meus preconceitos para a MicroSoft), termino este post com mais um belo exemplo de como a DM9 parece ter esquecido as regras mínimas de convivência em seu próprio mercado:

Esse anúncio pavoroso, mal-feito, de lógica torta e valores imperdoáveis até mesmo em executivos de marketing metidos a “criativos” e estágiários filhos de clientes já foi extensamente comentado por blogs mais qualificados que o meu para o assunto. Acreditem se quiser, a campanha fantasma foi premiada pelo respeitado(?) The One Show mesmo nunca tendo sido aprovada (ou mesmo mostrada) para o cliente.
Se você não acredita em fantasmas, precisa visitar um festival de propaganda.
Por uma torta ironia do destino, a DM9 parece ter finalmente conseguido emplacar o viral que tanto desejava. As reações não poderiam ser mais emocionais e certamente há um ou outro RP estúpido que ainda acredita que a regra “falem mal, mas falem de mim” ainda tem valor. Veja uma das reações típicas a partir dos 2′30″ do vídeo a seguir:
Muito bem dito pelo comentarista: “what is the point, by the way?” Respeitar o planeta por… MEDO de Tsunamis? Duvido que uma modelo fizesse melhor.
Como todos sabemos, a polêmica vai acabar em pizza, demitirão um estagiário, todos os 347 diretores de criação negarão ter visto o trabalho, assessores de imprensa dirão que a ficha técnica foi falsificada, o prêmio será devolvido com declarações indignadas de todos os lados, o dinheiro da inscrição desaparecerá de todos os livros contábeis e daqui a 15 minutos ninguém mais lembrará do conjunto de imbecis que criou, aprovou, produziu, finalizou e inscreveu uma peça que compara a Tsunami ao 11 de Setembro – e os dois a ações do homem contra a natureza. Será o mesmo exemplo do Sunscreen, com sua mecânica invertida. Tsk.
É contra esse tipo de atitude que se luta quando se defende a inovação.
Desculpe pela demora para escrever o post. A semana foi puxada.
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O pior que os “criativos” devem ter terminado o “job WWF” e exclamado um: ficou Duca hein!
Quanta vergonha alheia.
Cada vez mais dá pra perceber que as aulas de sociologia e filosofia da faculdade não serviram pra p* nenhuma.
Pelo menos para alguns.
“Duvido que uma modelo fizesse melhor.”
Concordo. Mesmo porque, não vejo como, sei lá, o aquecimento global, a matança de filhotes de focas no ártico ou o corte de jequitibás pode resultar em um tsunami.
É impressão minha ou esses criativos sequer conheciam o contexto que abordaram?
Daqui a pouco a assessoria da agência vai soltar um release dizendo que a campanha foi apenas uma brincadeira, com o intuito de entrar no site desencannes.com.br.
Enfim.
Luli, até quem nem se interessava pelo auê da “DM9-11″ soube ou viu que o Sérgio Valente, que além de ser o chefe da agência exibe seu nome na assinatura da peça, colocou no site da agência uma cartinha onde dizia: “o anúncio nunca deveria ter sido feito e não retrata a filosofia desta agência”.
Minha única dúvida é se foi peça fantasma mesmo ou se aos idiotas da agência aliaram-se idiotas dentro da ONG para fazer a aprovação. Por outro lado, tenho uma certeza, de que a carta no site é mais cara de pau que o Senado Federal inteiro somado aos suplentes, e para quem consegue pensar com o próprio cérebro, ajudou a afundar mais ainda a reputação da agência e junto com ela a de toda a categoria profissional no país.
Um amigo por dentro do meio diz que um desastre desse tipo pode não botar gente na rua, mas derruba a moral. Ahã. Durante os meses que correram desde a criação até a premiação e o subsequente linchamento coletivo, não tenho dúvida de que os envolvidos se sentiram os gênios.
O que me irrita é minha convicção pessimista de que as ideias tortas e práticas indecentes de nossa publicidade continuarão iguais. Juro que queria ter mais fé na humanidade, mas…
E fui conferir o post no Brainstorm9 (ótimo, factual e sem panfletarismos nem julgamentos). Ali tive a confirmação do meu pessimismo. Mais de metade dos que entraram para detonar os EUA sem terem compreensão do real problema com a peça, mesmo tendo ali as explicações claríssimas dadas por outras pessoas.
Por mim, poderiam morrer no olho da rua.
Luli, antes de mais nada, parabéns pelo seu post.
Eu não tenho mais acompanhado as notícias do mercado publicitário e estava completamente por fora dessa polêmica. Vi o anúncio e o filme aqui e agora.
São de um mau gosto indescritível. E de um raciocínio capenga de dar dó.
O triste de toda essa história é constatar aonde chegamos. Uma das principais qualidades de um diretor de criação, senão a principal, deve ser o seu CRITÉRIO.
Saber discernir idéias criativas de “criativosas”.
Infelizmente, a vontade de ganhar prêmios e de causar polêmica, fazem com que nossos “gênios” da criação percam qualquer noção do ridículo.
Sim, meu caro, quem criou o anúncio sabia muito bem que ele seria polêmico e odiado por algumas pessoas, mas como ele é propositalmente chocante, seria também adorado por outros idiotas que o achariam genial, como seus criadores acham que é, simplesmente pelo fato dele ser chocante e polêmico… e quem sabe, até o premiariam por isso! Que foi exatamente o que o One Show fez, não é mesmo? Hahaha! É rir para não chorar.
Luli, o rei está nu há muito tempo e não está sozinho, não!
Está acompanhado de um bando de peladões sem noção!
Grande abraço.
É por essa e outras patifarias que eu adoro estes “criativos”. E talvez o que mais me irrite ainda é essa coisa babaca de eles terem tomado para si toda a significação da palavra “criatividade”. Tenso, não?
uau.
Numa exaustiva pesquisa que fiz uma vez buscando a autoria do tal texto, num site fora do Brasil li que o mesmo tinha sido falado por um orador num discurso de formatura em 1997, tendo sido publicado em Junho do mesmo ano no jornal The Chicago Tribune pela jornalista Mary Schmich.
Em 1999 a dupla de criação Erh Ray e José Henrique Borgui transformou-o num clipe que foi distribuído aos clientes da agência e em 2003 a Rede Globo apresentou uma versão na última edição do Fantástico com o texto traduzido e na voz de Pedro Bial, e com imagens novas.
Ah, mas o “Filtro Solar” do Rafinha Bastos é o melhor. Pra quem não conhece: http://tudibao.com.br/2009/08/filtro-solar-by-rafinha-bastos.html
Um “arqueólogo digital” num futuro distante terá o trabalho fácil de separar todos os textos geniais da Web: ou serão do Veríssimo ou do Ziraldo; se forem escritos por uma mulher então são da Marilena Chaui.
Mas cá entre nós, acho que os aspirantes à publicitários estão faltando aulas de Semiótica pra ficar no bar inventando piadas e viajando na maionese. Pelo menos, é isso que a publicidade tem espelhado.
Abraço.
Não sou da área publicitária mas tenho meus motivos pra estar aqui. Aproveito o momento para tirar mais uns exemplos da caixa de pandora…
http://money.cnn.com/blogs/browser/uploaded_images/sony-724850.jpg
não sei qual foi o estúdio responsável por essas campanhas, só sei que é do playstation e que é meio antiga; tem outra…
http://www.blogcdn.com/playstation.joystiq.com/media/2008/05/425_passion.jpg
essa ultima representa a coroa de espinhos de jesus feita com os botões do Joystick,creio que fazendo alusão
que o jogador se transforma no salvador,embora eu não consiga compreender relação entre um assunto(game) e outro(religião).
Mas voltando ao assunto, outro vídeo foi recentemente proibido; ele era pra conscientizar sobre HIV e mostrava o hitler fazendo sexo.
Será que esses publicitarios não seriam melhores profissionais se fossem das artes plásticas? ou será que eles iriam repetir ações infelizes como o Guillermo Vargas(Habacuc)? Outra pergunta…
Existe ação direta de punição a essas agressões? ou tudo acaba em pizza mesmo? Santa Tartaruga!
Abraços virtuais a todos.
Sinceramente Luli, falar é fácil. O mercado está cheio de pseudo celebridades que falam mais do que fazem.
Palestram em dezenas de eventos, cospem verdades mas na hora do vamos ver, cadê? Nunca colocam a mão na massa ou vivem de um passado que não existe mais.
Não trabalho na DM9 e não tenho nenhuma ligação com a agência, mas acho engraçado tanta gente meter o pau na publicidade brasileira e não fazer nada para tornar ela melhor.
Gostaria de ver o portfólio das centenas de pessoas que comentaram o video de RH (e não um viral como você falou) que eles colocaram comemorando os leões. O que será que aconteceria se o trabalho dessas pessoas que estivessem lá para por a cara a tapa?
Novamente, falar é fácil. Vamos trabalhar para melhorar a publicidade brasileira e não ficar fofocando.
Obrigado a todos pelos comentários. Concordo com você, Veronica, “quanta vergonha alheia”. Rafael, pode ter certeza que este job deve ter gerado a maior produção de releases da agência, no melhor estilo de desinformação por excesso, como disse aqui. Já tem gente importante dizendo que o job foi criado por um estagiário demitido da DM9 que colocou o logo do WWF por conta própria, acredite. Pois esse estagiário deve ser milionário para bancar uma produção desse porte (chutando por baixo, deve ter custado o preço de uma kitchenette) só pra tê-la na pasta.
Grande Mario Amaya, quero crer que a WWF não tenha absolutamente nada a ver com o episódio, infelizmente bastante comum na propaganda brasileira. Há alguns anos Cannes deu um leão a um anúncio de Jontex que nunca atravessou o rio Pinheiros para sair da agência e ir para o cliente. Sob muitos protestos, o leão foi anulado e o caso – como acredito que acontecerá com o WWF – foi abafado. Haja cobertor. A propósito, obrigado pelo trocadilho DM9-11, até mudei o título do post por causa dele.
Gady, Uriá, Junior, Leo, Vilmar: muito obrigado pelos elogios, concordo 100% com seus comentários. Silvia, não é impressionante que profissionais muito bem pagos tenham se debruçado sobre um roteiro, trocado todas as imagens, convidado um narrador e nem reparado que o texto era feminino? Já o fato de assinar o vídeo com DM9DDB sem mencionar qualquer crédito não tem nada de ingênuo. Muito de hipócrita, aliás. E perde em todos os quesitos pro Rafinha Bastos.
Caetano, concordo que haja muitas pseudo celebridades que falem mais do que fazem. A maioria delas está em agências de propaganda ou promoção, de diversos portes ou tamanhos, que se orgulham de ter feito reclames estimulando gente a fumar ou andar de motocicleta ou a comprar títulos de (des)capitalização. Outros, no entanto, se preocupam em fazer bons trabalhos de conscientização com seus clientes e público geral. De Thymus a FocusNetworks, de DirectPerformance a Cubo.cc, muitas novas empresas sacodem a pasmaceira de seus clientes e de um mercado mofado em busca de resultados, mensuração e profissionalismo. Muitos consultores, jornalistas e autores em mídias sociais fazem o mesmo para mostrar ao público geral que há vida além do cocô-na-casa-do-pedrinho, a revolução de séries como LOST mostra bem isso.
Você não trabalha na DM9 e tampouco deve trabalhar com RH ao acreditar que um vídeo capenga e metido a “viral” só por ser estupidamente barato e mal-feito possa servir para levantar a moral de seus funcionários, ou que uma festa carnavalesca e numerológica em 9/9/09 possa ter o mesmo efeito. Isso não é RH, é circo, que na Roma antiga tinha leões como entretenimento. RH hoje em dia, é feito com aprendizado contínuo, empowerment e liberdade de opinião. O vídeo que abre este post não se enquadra em nenhuma das categorias.
Meu trabalho está aqui, para dar a cara a tapa. Não é fofoca, busca ser uma análise abrangente da mediocridade da propaganda e do rebanho manso que a defende, acreditando que ela seja uma espécie de arte ou mal necessário. Ou, pior, que ainda haja algo de glamour ou mesmo valor em vender a solução que nem mesmo eles são capazes de consumir, como banners. Se ele não tem valor por não mostrar um portfólio então o trabalho de jornalistas, professores, pesquisadores, autores de livros e cientistas tampouco o tem. E ficamos à mercê do ego monstruoso dos que pretendem se apossar com exclusividade da criatividade, coitadinhos.
sempre achei estranho mesmo o fato dos diretores de criação ficarem com a fama de criativos… abrir e tocar uma empresa propria de qualquer tamanho ou segmento sempre me pareceu um exercício de criatividade muito maior que ficar inventando piadinhas…
Como sempre seus textos são ótimos Luli. Pena ver a situação que se desenvolveu para o surgimento da DM9/11 e a peça impressa para a WWF(nem imaginava que haviam criado um vídeo disso!).
Surpresas a parte, seu artigo vem para colocar um pouco de questionamento naquilo que encaramos todos os dias e alguns apenas “retuitam” para frente sem análise.
Belo post, muito informativo!
Excelente texto, Luli.
Não sou da área de PP nem de Comunicação, mas sou um curioso e isso que me faz ler aquilo que pouco conheço, pra passar a conhecer um pouco mais.
Recebi outro dia de um amigo (da área de PP) essa imagem da WWF e não entendi o motivo pelo qual ele achou isso tão interessante. Fiquei um tempo pensando nisso e só me vinha questionamentos ao invés de apoio a isso.
Bom, sou um estudante de geografia e ser chato é praticamente um pressuposto da disciplina, e uma das coisas que tenho notado ultimamente é uma grande aceitação a tudo que surja e que tenha a ver com o “Aquecimento Global” (e isso explica o interesse do meu amigo). Tudo, e não estou sendo exagerado. Há desde anúncios publicitários (como esse da DM9), pesquisas sem pé nem cabeça, revistas que negam qualquer texto que conteste a tesde do GlobalWarmingCrisis, sites e mais sites sobre mais do mesmo, blogs, informes na mídia televisiva feito por pessoas sem nenhum conhecimento do tema, enfim, é o assunto do momento. E isso motiva tais coisas como essa da DM9. Dizer que não é o lema da agência? Okay… Só falaram isso pq foi apedrejado… se fosse ovacionado, colocariam um selo verde no site com os dizeres “DM9 na luta contra o Aquecimento Global” e isso faria a marca ganhar valor.
É assim o andar da atual carruagem aquecimentista, e com ela muitas coisas estúpidas são feitas, assim como muitas coisas boas são feitas em contrapartida, e essas são pouco distribuidas, veiculadas, conhecidas.
O que é triste é saber que coisas como essa da DM9, se aprovadas, iam ser largamente utilizadas, pipocando a cada 15min onde quer que estejamos, mas outras muito menos caras mas muito mais verdes e verossímeis ficariam na “beirada” da publicidade e sequer seriam do conhecimento de muitos.
Enfim, falei muito sem falar nada, mas é meu primeiro comentário aqui :)
Abraços!
Olá Luli, venha logo a Belo Horizonte para mais momentos de desconstrução como este post.
A mediocridade faz parte da vida de todos. Quem nunca foi medíocre nesta vida? Sempre haverá alguém para nos fazer sentir medianos em algum momento. Agora muito pior que ser médio é ter tudo na mão para fazer algo melhor e preferir ser ruim. Este vídeo demonstra que , na verdade, o que eles precisavam era alimentar o publi-ego aparecendo em um vídeo segurando um prêmio. Todos precisam de reconhecimento. A questão vai além da publicidade, e está muito mais ligada ao ser humano e sua eterna necessidade de ser diferenciado. Mesmo que não tenha atributos para isso. O rídiculo é uma forma de diferenciação! abs
Muito bom! Não tinha visto o video da DM9, mas concordo plenamente! E a “paródia” ficou de morrer de rir!
Po, não lhe ocorreu que talvez vce não tenha entendido nenhum dos videos la em cima? hahaha faltou linkar o terceiro da série http://www.youtube.com/watch?v=9kxxHYS-nMU !!!! e ligar os pontos. acho que dessa vez vce nao entendeu e falhou na analise. abração!
Será que já estão preparando a versão para a gripe suína ?? Talvez coloquem o Homer Simpson com seu “porco aranha”. rsrsrsrs