Tem coisa que a gente não pode deixar passar. “Mad Avenue Blues“, paródia brilhante do folk-fanho-chiclete “American Pie“, de 1971, é uma delas. Cheia de jargões típicos do mercadinho de propaganda americano – alguns difíceis de traduzir, alguns intraduzíveis – resume muito bem o cenário aterrorizante para uma indústria que, feito zumbi mal-resolvido, se recusa a aceitar que morreu.
Para quem está habituado com a revolução proporcionada pelas mídias sociais, a paródia não tem nada de novo. Ela, aliás, é quase tão óbvia quanto a importância da reciclagem e dos carros elétricos. Mas chega a ser chocante ao mostrar que nós, nascidos e criados no século passado, achávamos normal o enorme desperdício de tempo e recursos.
Naquela época existiam “publicitários”, profissionais cuja única função era tornar a mensagem de uma marca pública. Categoria em vias de extinção, ela era caracterizada por um ego imenso, só superado pela influência que tinha junto aos “formadores de opinião” – figurinhas carentes que usurpavam o palco e o jornalismo ao usar suas imagens públicas, não necessariamente verdadeiras, para referendar algum produto ou serviço. Acredito que o neto que um dia terei me perguntará porque não blogávamos ou tuitávamos ou facebucávamos ou orcutávamos ou… OK, você entendeu.
Este post não foi escrito para chicotear cavalo morto, mas para mostrar como é difícil ver a inovação se você está do lado de dentro de uma indústria estabelecida. “Não se mexe em time que está ganhando”, diz a sabedoria(?) popular, embora a história da ciência mostre exatamente o contrário: as descobertas costumam ser revolucionárias a ponto de questionar o mundo como o conhecíamos e perceber que as coisas não são tão simples assim. Foi o que aconteceu quando se descobriu a América, as placas tectônicas, as bactérias, a radioatividade e as leis do espaço-tempo propostas por aquele burocrata que, apesar de brilhante, nunca entendeu direito a Mecânica Quântica nem aceitou que ela pudesse ser verdadeira, a ponto de desperdiçar o fim de sua carreira para tentar provar que ela estava errada.
Não há dúvidas que uma mente capaz de propor, sem citar praticamente ninguém nem conduzir experimentos, que o que conhecíamos por universo estava errado e que espaço e tempo estavam intimamente relacionados (entre outras coisinhas) é brilhante. E, no entanto, mesmo um Einstein chega a um momento da vida em que se apega às conquistas estabelecidas, recusa o novo, se cristaliza e afunda. É da natureza humana.
Na velocidade com que as coisas mudam, não podemos nos dar mais a tais luxos. É preciso estar sempre alerta e preparado para mudar o tempo todo. A única forma para isso é evitar qualquer forma de apego a idéias estabelecidas e estar sempre preparado para examinar o novo. Veja bem, eu disse EXAMINAR, não aceitar. Nem sempre a inovação é boa, o mundo seria melhor se alguns inventores nunca tivessem exercido a profissão. Na dúvida, lembre-se do Bug do Milênio ou do SecondLife.
Por falar neste último, vamos dar uma olhadinha em mais um vídeo:
Esses italianos fizeram uns logotipos lindos, não?
Hummm… algo não cheira bem. Todos sabem que o Vida de Segunda não deu exatamente certo e que essas projeções são um bocado estranhas. O resultado é que o vídeo ficou um pouco velho para quem tinha aspirações futurólogas. A ponto deste aqui, ainda mais antigo, parecer mais real:
Mesmo assim ele ainda dá umas mancadas bem básicas, como realçar a importância do Friendster e ignorar boa parte das redes sociais. Em um dos vídeos, Google e Amazon são concorrentes. No outro, juntam forças. Talvez falte um para dizer que se aniquilarão mutuamente. Ninguém fala da Apple. Mas não por isso, deixemos a Microsoft falar:
O vídeo mostra iPhones em paredes, vidros, mesas, cartões.
Será que o futuro terá tanto texto? Eu duvido.
Não é fácil prever o futuro. Afinal de contas, as mudanças recentes desta virada de milênio acumularam um conjunto tão grande de novas tecnologias a ponto que hoje dá para olhar para alguém de 28 anos com a mesma admiração com que antigamente se olhava para pessoas centenárias e pensar “nossa, você deve ter visto tanta coisa na vida…” – mas isso não é desculpa para a preguiça intelectual que nos leva a acreditar que “chegamos lá” ou que os próximos anos trarão uma consolidação das tecnologias, “mais e melhor do mesmo”.
Muito pelo contrário. Uma forma fácil de se considerar o futuro é usar uma frase que pensei há alguns anos e que repito sempre:
“o futuro é igual ao presente,
tirado dele as coisas que não fazem sentido”
Cartórios, trânsito, mídia de massa, publicidade irritante que interrompe a experiência, guardar de cabeça números de telefone, milhões de senhas e endereços de e-mail serão coisas que devem desaparecer nos próximos anos. E o devem fazer discretamente, como aconteceu com orelhões, máquinas de escrever, cartões perfurados, máquinas de fax e aparelhos VHS.
Mas para isso é preciso aprender a examinar as informações que nos chegam. O vídeo a seguir, muito comentado, traz um erro crucial de raciocínio:
Mas eu só o contarei no próximo post. Enquanto isso, proponho um segundo desafio: diga-me o que há de “estranho” nesse vídeo xarope de auto-ajuda (fora, é claro, o fato de ele ser um vídeo xarope de auto-ajuda):
Algumas coisas para ajudar você a desvendar o que está estranho:
- O texto deste vídeo não foi feito pela DM9DDB nem tinha a intenção de ser um roteiro de vídeo;
- O texto correu a Internet, ainda por e-mail, em uma época ingênua que acreditávamos em “Blair Witch Project“;
- A autoria do texto rapidamente foi perdida, outros nomes apareceram como possíveis autores, de Kurt Vonnegut até o bem menos glorioso Nisão Guanáis – todos o teriam dito em um discurso de formatura, mas não há registro de quem se lembre de ter ouvido um discurso tão memorável, ao contrário daquele feito pelo Steve Jobs;
- O roteiro foi feito primeiro, a música veio depois – ela faz parte da trilha sonora de “Romeu+Julieta“;
- A história lembra bem a deste vídeo, que eu conto neste artigo. Curiosamente, o tema também é inovação.
Uma frase, no entanto, chama a atenção: “os verdadeiros problemas da sua vida tenderão a ser coisas que nunca passaram pela sua cabeça. O tipo que cruza a sua frente às 4 da tarde de uma terça-feira ociosa”. Me arrisco a dizer que as verdadeiras inovações seguem o mesmo rumo.
Mas isso é assunto para um próximo post.
Nós estamos vivendo no ápice desta “revolução” que é o crescimento da troca de informações em detrimento das mídias voltadas às massas. Como bem disse o autor, não é fácil prever o futuro, e eu particularmente não gosto muito de futurologia, ainda menos depois de ver alguns dos vídeos que estão no post.
Não dá pra saber se a “bola da vez” da internet irá ser um fracasso ou um sucesso, os maiores exemplos são o twitter e o second life: um nasceu com uma proposta simples e se consolidou no mundo inteiro, mudando a forma de ler, comentar e repassar conteúdo. O outro nasceu como uma simulação e caiu, justamente por ser “simulado” demais e não valorizar a experiência real, a interação entre pessoas, que é a base fundamental da internet.
Como dizer, entre tantos serviços e mídias sociais, qual será o “novo google” ou “nova microsoft”? Só o tempo (e as pessoas) dirá, não as grandes marcas, governantes ou a bolsa de valores.
Esses videos me lembraram a visão futurista mostrada na animação Wall-E da pixar!
E os erros que notei nesse vídeo foram 3
1° vc já disse…
o 2° foi colocarem uma vitrola logo no inicio (que retrô)!
o 3° é que existe uma versão narrada pelo Pedro Bial!
ah..fala sério.Parabéns pelo blog.Sempre venho dar uma zoiada nos posts, muito legal!
Heheheh, Vilmar, o buraco é muito mais embaixo. Veja o texto do vídeo de novo e procure o erro. Ele é evidente, mas ninguém – nem mesmo o Pedro Bial ou o gordo da DM9 pareceram perceber.
Eu acho que sei o “erro crucial de raciocínio” do vídeo sobre Social Media.
Pode chutar ou tem que esperar o próximo post? =)
Luli, não sei se já leu esta matéria sobre publicidade velada no Twitter:
http://ultimosegundo.ig.com.br/mauricio_stycer/2009/08/19/publicidade+velada+causa+polemica+no+twitter+7967920.html
Ela também discute um pouco a incoerência de algumas campanhas nesta rede social.
Luli,
Policiticos numca serão lembrados como “melhores” no passado.
Abs
Olá radfahrer!
vi hoje de manhã essa matéria http://www.bbc.co.uk/portuguese/servicos/2009/08/090827_ummilhaogirafasfn.shtml
e lembrei de uma palestra que você deu aonde comentou sobre bibliografia que fez pelo twitter.
abraços
É por ser um poema de Mary Schmich, mas o que trás atenção para ele é ter sido mediado em um vídeo com retalho de comerciais de publicidade? É como Tony Wilson em 24 Hour Party People encantado quando todos aplaudem não aquele que cria, nem aquele que executa, mas o que media? Tem algo a ver com o vídeo da narração do Pedro Pial ser mais reconhecida que a da apresentada por Antônio Abujamra, por exemplo?
Sua frase “É preciso estar sempre alerta e preparado para mudar o tempo todo” me faz lembrar da modernidade de “Tudo que é sólido se desmancha no ar”… [http://www.scribd.com/doc/2301035/Marshall-Berman-Tudo-O-Que-E-Solido-Desmancha-No-Ar]. As “verdadeiras revoluções” talvez sejam grandes demais para serem feitas sozinhas, ou mesmo “decidir” fazer. Parece-me que, como já você disse, elas trazem o medo junto, e assim que o medo cai, ela já revolucionou.
Acho que é senso comum que as coisas estão mudando muito mais rápido do que em qualquer época da humanidade. Quer dizer, a última grande revolução que se tem notícia antes dessa foi quando caiu o meteoro que arregaçou com os dinossauros e colocou o planeta em uma era glacial. Pelo menos para mim, dá a impressão de que as grandes potências midiáticas começam a perder força a partir do momento em que a Internet começa a amadurecer e a ganhar mais espaço na vida das pessoas. Não que isso signifique a morte de outras mídias, já que é muito mais prático assistir o jogo do Corinthians na TV do que tentar acompanhá-lo via streaming e ouvir rádio enquanto dirijo ainda é mais fácil do que tentar acessar a Internet do celular. Mas é que a Internet trouxe uma possibilidades de escolha que não existiam antigamente. Comprar revista em banca de jornal? Que nada, eu baixo em .pdf e leio de graça. Esperar por aquela reportagem bacana no Fantástico até as 23:00? Bobagem, eu assisto depois, com calma, no Youtube, sem precisar aturar aquelas baboseiras chatas que eles colocam antes. Nem preciso falar da idiotice que é comprar CDs e DVDs hoje em dia. Como você disse, não faz o menor sentido, ocupa espaço na prateleira, risca e a gente acaba perdendo as capinhas. Isso é só uma prévia. O bicho vai pegar de verdade quando a Internet móvel estiver foderosa e você puder acessar qualquer conteúdo, de qualquer lugar, com um aparelhinho que cabe no bolso. Mal posso esperar!
Acho que o Wolfovermelh acertou, mas mesmo assim ainda continuo chutando,hehehe;vamos aos chutes:
*Se os conselhos são baseados unicamente na própria experiência significa que pode ser pobre por não ter outras perspectivas…
*Não se sinta culpado se não souber muito bem o que quer fazer da vida, creio que esse tipo de dúvida pode nos atrasar no decorrer da vida, fazendo pular de projeto em projeto sem finalizar algum…
*Aceite certas verdades eternas? os preços sempre vão subir?depende,nunca pude ter um maya nem um 3d max; mas hoje um blender quebra um galhão e é tudo free!!!
Fala, fala, fala!!
Fala logo!!!
!!!!!!!
ah,achei mais uma pérola…
*Leia todas as instruções,mesmo que não as siga.
Quem lê instruções hoje em dia??? É muito melhor tocar,cheirar,sentir,mexer,se manchar,apertar o botão pra ver o que acontece, etc,etc…
Isso me lembra aquele papo by Luli de não ler demais, peneirar, ser criterioso e tal.
Olá Vilmar, talvez a chave deste post seja esta frase: “o futuro é igual ao presente, // tirado dele as coisas que não fazem sentido”… ou seja, o material é o mesmo: o mundo. O que muda é o modo como vemos – e como não vemos – o mundo. Quando alguém afirma que existe algo para ser observado, então tenta-se achar o que é esse algo. O vídeo (Os vídeos) do Filtro Solar já foi visto milhares de vezes. O que faltaria ser visto, que só agora alguém observou e não disse, e estamos aqui tentando adivinhar? Faríamos o mesmo sem este “mistério” a ser desvendado? Se já tivesse sido dito, haveria o que fazer além de negar ou reafirmar? Aqui entra um possível elogio ao mediador (que citei no comentário anterior): na mediação, esta com post, que o luli propõe entre este vídeo e nós, ele trás mais uma vez o repetido vídeo do Filtro Solar, mas ela surge com a possibilidade de novas significações. Aí está a novidade, visto que vem junto com novas possibilidades. Rever o que sempre vemos, mas com outros olhos. Mas, claro, também pode ser só filosofismo barato meu.
Vamos aumentar as apostas. Filtro solar destrói microrganismos benéficos:
http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/filtro_solar_destroi_microrganismos_beneficos_imprimir.html
Xi… vocês estão tão longe. O erro é básico, a hora em que eu contá-lo vocês morrerão de dor de cotovelo. O Bial iria querer morrer se soubesse. Continuem tentando que vocês chegam lá.
Takeopariu, tá foda…
“Ladies and gentlemen of the class of 99?”
Sei lá, tipo, eu me formei em 2005…
É Wolfovermelho, galera, Luli…
meu ultimo chute:Tem uma parte que diz que o corpo é nosso maior instrumento e pensado de outra maneira acho que nós, animais que evoluímos por causa da tecnologia, como no 2001 odisseia no espaço, primeiro foi um pedaço de pau que se estendia como algo que faz parte de nós mesmos,enfim…uma tecnologia;depois todo mundo conhece até os dias de hoje:http://www.youtube.com/watch?v=Hwj6gbREec0&eurl=http://www.orkut.com.br/FavoriteVideos.aspx%3Fuid%3D12583829352558406840&feature=player_embedded, depois vem o que? o Stephen Hawking no corpo do robocop?hehehe.
O errado é ter imagens de chuva num comercial de filtro solar?
Bom, vejo duas coisas “estranhas”
1. Nem sempre as chances são de 50%…
2. A música diz “brothers and sisters” mas a imagem é de casais se beijando..
No mais, é um vídeo xarope de auto-ajuda esboçando no fim algum tipo de psicologia reversa.
Fui o único que achou o vídeo contraditório com o discurso?
Cena: casal de beijando
Fala: Não trate os sentimentos alheios de forma irresponsável.
com todo o respeito: WTF?!
Ok, explicarei o que quero dizer. Sempre gostei do texto em sí, por realmente serem conselhos óbvios que pessoas tendem a ignorar como tudo aquilo que é fácil demais para se perceber, mas o “estranho no vídeo é que em diversas vezes ele mostra o oposto do que o texto diz.
“Você não é tão gordo quanto imagina” Isso serve de conselho para combater a terrível moda de anorexia vendida pela mídia, e no entanto mostram gordinhos que devem se inspirar que não estão tão gordos quanto acham! Este foi o exemplo mais notório creio eu.
A linha de raciocínio para entender foi a de entender a mensagem transmitida unindo o vídeo e o texto, como a primeira dica explicita para nós e não, como outros aparentam terem seguido, procurando o erro.
Matei o desafio? :)
Se nunca passaram pela cabeça, então qual o motivo de todos esses conselhos? O texto ignora a evolução, considerando que os problemas serão os mesmos e poderão ser resolvidos com conselhos de quem viveu no século passado.
Mas que mania de complicar vocês têm. A resposta é básica, está logo debaixo do nariz e, pelo que percebi, vou ter que interromper a série para dá-la. Mas não antes de terça à noite. Até lá, continuem tentando.
ah, agora sim deve ser o meu ultimo chute….
deve ser no próprio conselho para o futuro:em vez de usem filtro solar deve ser algo do tipo: usem mídias sociais!
O caminho é longooo e no fim das contas é só você com todo mundo!hahaha,será???
Correção:quis dizer redes sociais em vez de mídias sociais!
Acho que vocês já viram, mas como não foi tão divulgado quanto os outros vídeos, deixo mais um dessa série youtubesca de estatísticas da internet:
http://www.youtube.com/watch?v=GRU0tO9fwW4
Se eu pudesse dar um conselho em relação ao futuro, diria: “Usem Filtro solar.”
Em seguida:
Não se preocupe com o futuro.
Tirando a paixão, axredito tudo é assim mesmo, nada de novo, o novo sempre vem com o tempo. Os usuários se apaixonam e os profissionais estudam cada caso cada mudança e se adapta as mudanças.
Nada mais, tudo isso é o novo. e o novo sempre vem.
Ok, vocês tentaram. Vou contar a resposta para alguns alunos da ECA hoje, por isso vou fechar as contribuições por aqui. Até quarta publico o que eu achei estranho no vídeo e os resultados a que essa inquietação me levou. Até lá, paciência.
Muito obrigado pelas contribuições. O exercício é sempre muito mais importante do que a resposta.