Tava demorando: depois dos hábitos, as horas.
Aguardem lançamentos revolucionários na linha de A 25a. Hora,
Como trabalhar dormindo e O Alquimista das horas-extra.
Em um cenário que muda a cada dia e em que as novidades se empilham, criam novas regras e se aniquilam mutuamente feito aquelas partículas esquisitas da mecânica quântica, é natural que as empresas e profissionais de Marketing fiquem perdidos e busquem estratégias “mágicas” ou certeiras para fazer com que o internauta largue mão de aporrinhar e compre logo de uma vez aquela porcaria de produto que eles vendem – e nem mesmo eles acreditam.
Profissionais com um dedinho de noção já se ligaram que esta poderia não ser uma boa estratégia e resolveram estudar um pouco mais o maravilhoso cibernundinho 2.0. Alguns se empolgaram tanto com o que encontraram que passaram para o outro lado e, ao venerar o digital, não se conformam como um usuário pode se dizer minimamente feliz se não tem um celular 4-band, 3G HSDPA, Wi-Fi 802.11 a/b/g, Bluetooth 2.0 A2DP, com 16 milhões de cores, teclado QWERTY, slot microSD transFlash, câmara de vídeo de 5MP e AndroidOS. Tsk.
No meio desses extremos ficamos nós, sobrecarregados de jargões e irritados com a presunção de certas marcas e com a obtusidade de outras, em uma eterna discussão de relacionamento em que um lado quer ir direto ao ponto sem frescuras e o outro se queixa do baixo nível generalizado sem nada fazer para ajudá-lo.
Mas afinal de contas, se anteontem essas traquitanas sintetizavam a essência da pós-modernidade transurbana (seja lá o que signifique isso) e daqui a 15 minutos elas terão o mesmo grau de novidade de um StarTac analógico, como se preparar para uma época em que, sorrateiramente, seu PC virou do avesso, trocando o Intel Inside pelo Google Outside?
Existem dezenas milhares de blogs de auto-ajuda em que você vai encontrar as mais variadas receitas de inovação. Este certamente não é um deles. Qualquer receita demanda adaptação e se desatualiza. Em tempos de crise de referências, elas perdem a validade ainda mais rápido. Se você se sente ansioso, atordoado, estressado e desfocado, é provável que o problema esteja na forma com que encara as mudanças, que só tendem a aumentar.
Mais do que novas ferramentas ou tecnologias, o que as marcas mais precisam hoje em dia é desenvolver novas conversas, novas formas de se comunicar com seus consumidores, de interagir com eles. Não mais no sentido mecânico, automatizado, artificial (e odioso) dos caixas eletrônicos e sistemas de atendimento telefônico, mas na velha troca de idéias, em que ambas as partes falam e escutam seus interlocutores.
Um conteúdo efetivo e relevante é muito importante para essa nova comunicação, mas não é o único fator que deve ser levado em conta. Existem vários casos, inclusive, em que ele nem é tão importante assim. A escolha adequada dos canais de diálogo, sua pertinência, valor, as atitudes que são tomadas a partir de cada conversa, suas repercussões sociais e – hoje cada vez mais importante – sua mobilidade, acessibilidade e portabilidade são fundamentais para se estabelecer um diálogo produtivo e duradouro.
Depois de mais de uma década de aprendizado o consumidor parece finalmente ter se dado conta que a Internet não é lugar de propaganda. Ela pode até ser um ambiente comercial, mas é baseado em compra, não venda. Nesses termos, ela é definida, vivenciada e determinada pelo usuário. E nem um pouco receptiva ou aberta à propaganda. É claro que há muito dinheiro investido em se provar o contrário, mas o tempo mostra que o velho reclame é cada vez menos bem-vinda em ambientes digitais.
Toda essa transformação na comunicação ganha força se levamos em conta que a abundância de informação e a facilidade de expressão transformaram a forma com que muita gente se relaciona com as marcas. Até a década de oitenta do século passado, procurávamos comprar cada vez mais e melhores coisas – consumo era chamado de “poder de compra” naquela época. Satisfeita a vontade de aparecer e balançar o relógio de ouro, a palavra de ordem passou a ser o “descolamento”: procurava-se status através de viagens e histórias, em uma época que não havia muita diferença entre os termos “estilo de vida” e “viagem de volta ao mundo”.
Depois disso chegamos ao mundo comunitário, em que a melhor forma de se destacar era pertencer. Esquisito? Imagine. Para se destacar você precisaria pertencer a alguma tribo que, por sua vez, se destacava em grupo da sociedade. Nada mais linear e direto, tão simples quanto uma guilda do Warcraft ou um personagem de Dungeons&Dragons.
Passada a fase de auto-afirmação tribal/coletiva (atenção semiólogos das PUCs: acho que esse termo não existe. Se existe, desculpem-me), e influenciado pelas cacetadas que nosso ambiente vem sofrendo a cada dia, o consumidor de hoje parece mais interessado em doar, cuidar, contribuir, conversar e compartilhar que em simplesmente acumular. Isso significa consumir menos e consumir melhor. Para quem estava acostumado a metralhar o freguês com um jabá infinito, os tempos nunca foram tão ameaçadores.
Pra onde ir, então? Se eu soubesse com certeza, fundaria um banco, uma venture ou uma igreja. Tudo o que tenho são pistas, que hoje têm o título mais pomposo detendências. No próximo post detalho algumas delas.
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Como de costume, um bom post incendiário, para acender no leitor a vontade de ficar pensando mais no assunto. Parabéns :)
Luli,
Como vai?
Vivemos um momento em que as pessoas resolvem consumir menos e melhor. Concordo com você.
Discordo do ponto em que diz que a internet odeia a publicidade. Creio que a publicidade em excesso seja negativa em qualquer meio. Quando abrimos a Veja (ou qualquer outra revista) e vemos que metade daquela papelada é anúncio, ficamos naturalmente descorfortáveis.
Mas na internet temos tanto ou mais daqueles anúncios irritantes. E a poluição é muito grande. E isso nos irrita. Talvez um uso moderado dessa mídia fosse uma saída para isso.
Mas não podemos nos esquecer que há um ciclo composto por conteúdo, internauta e anunciante. E todos esses agentes estão interligados.
A internet não é composta somente por sites Wiki que resolve pedir doação ao seu usuário. Alguém paga a conta.
Agora, que hoje a comunicação permite que haja um modelo mais inteligente de conversa entre anunciante e seu público. Sim, isso é verdade. Mas, sinceramente, prefiro que as empresas continuem com seus banners do que me descobrindo no Twitter através de scripts quando escrevo algo relacionado a suas marcas e produtos ou que comece a falar comigo através de uma comunidade de que participo. É mais invasivo ainda.
Se a internet é o local da compra, temos que lembrar que a propaganda tem papel de informar também, promovendo, desse modo, a venda.
Vamos debatendo.
Abs
Rodrigo
Concordo com o Rodrigo acima quando o mesmo diz que a publicidade usada de forma “moderada” na internet aliviaria (e muito) nossas vistas ( que não aguentam mais ler banners em flash). Porém, alguém tem que pagar a conta ( e paga ). Se o conteúdo,o internauta ou o anunciante sumirem, as coisas vão mudar! a internet não será mais a internet, e sim um termo que algum antrpólogo inventará um dia…
LULI sobre MARCAS você disse tudo (ou não) —-> A marca “…virou do avesso, trocando o Intel Inside pelo Google Outside?” Nada mais maluco ( e correto) do que esta frase. Em 1998 eu lembrava até da música ( jingle) da INTEL que terminava as propagandas (pack shot?). A respeito disso aconteceu comigo um evento curioso.
Outro dia no final de um show do CAETANO tive o prazer de fazer uma pergunta a ele na saída do camarim: O que te mais te preocupa na tecnologia? Resposta: A impermanência…
I M P E R M A N Ê N CIA! eXPLICA TUDO (OU NÃO…)
Abs RAMIRO
Muito obrigado a todos pelos comentários. Rodrigo e nFormas, reafirmo o que disse no post, mas ressaltando uma parte: a Internet COMO A CONHECEMOS odeia a publicidade COMO A CONHECEMOS.
Dito isso, concordo com boa parte dos argumentos de vocês. O conteúdo precisa de um apoio para se sustentar, não tem como se bancar por conta própria. Mas isso não significa que teremos que agüentar marcas surdas e dogmáticas, que interrompam a experiência do usuário para empurrar seus produtos goela abaixo.
Até mesmo as empresas mais arrogantes já perceberam que a época fácil do plano de mídia sem mensuração e do comercial com efeito lavagem cerebral já se foram.
Em outras palavras, vem uma nova publicidade por aí. Ainda não se sabe qual é a sua cara, mas me parece evidente que ela não terá quase nada a ver com os banners, filmes comerciais e anúncios de hoje.
Algumas pistas sobre o seu formato serão ditas no próximo post.
Oi Luli.
Concordo com suas afirmações.
A “Bala Mágica” está cada vez menos mágica.
Obrigado pelo debate. Aguardarei a continuação.
Em tempo, acabo de ler um artigo no Webinsider que está, de certo modo, relacionado ao nosso debate: http://webinsider.uol.com.br/index.php/2009/07/27/a-funcao-da-propaganda-para-o-publico-c-e-d/
Abraço,
Rodrigo
Assisti sua palestra no NDesign PE (eu que levei seus queijos-quentes com coca) e achei fantástica. A forma como você abordou o tema deixou todos os espectadores maravilhados. Quanto ao post, muito bom. Aguardarei a parte II.
Abração,
Myrella B.
Ola, Luli.
Concordo com sua afirmação de que “vem uma nova publicidade por aí.”
A publicidade na internet e a internet em geral ainda me parecem com os primeiro programas de televisão onde era ao vivo, com um camera parada na frente do palco e a linguagem ainda era totalmente vinda do teatro.
A linguagem da internet parece ser adaptações de outros meios e ainda esta verde e a publicidade tambem ainda segue o mesmo modelo de sempre…
Aguardo ansiosamente as novidades que estão por vir!
um abrs
Bom post.
Fiz um curso com publicitários de internet outro dia, e vejo que há uma necessidade enorme de “metricar”, taxar conteúdo e conquistar através de antigas ferramentas de atração os usuário de hoje.
A rejeição a marcas e idéias furadas é livre e a resposta vem logo de cara, e as vezes mais poderosa que os milhares de reais gastos, isso é um milagre, uma delicia de tempo na minha opinião, onde os mediocres tem menos lugar para se esconder e menos pessoas os ouvindo!
Espero que tudo continue anarquico e sem controle, assim como uma onda do Surf do Luli.
Luli,
Citei o DWD2 no meu blog! Depois se puder de uma olhada: http://blog.ojornalista.com/.
Parabéns pelo post, para variar… adorei!
Abraços!
Sempre esse papinho de publicitário querendo nos convencer de que a publicidade é necessária e tem um grande papel para fazer as coisas funcionarem, que dependemos dela porque “alguém paga a conta”.
Bobagem, querem apenas manter o seu terreno. E inventam essas frases de efeito pra isso. Mais ou menos da mesma forma que vendem produtos, usando frases de efeito para fazê-los parecer bons e necessários.
A internet não precisa da publicidade pra pagar conta nenhuma. Quem divulga o que é bom e útil são as próprias pessoas em suas interações diretas. Esse é o verdadeiro “viral”, que parte de uma genuína recomendação de usuário e ganha o boca-a-boca do povo. Aquele negócio de “campanha viral” criado por agência é o que há de mais “fake”, uma vez que é propaganda disfarçada de recomendação, um faz-de-conta-que-é-mania.
E infelizmente assim age a publicidade. Cada novo meio será invadido, dominado e infestado por propagandas, cada vez mais camufladas para enganar o “consumidor”. Ética não existe. Exemplo rápido: marketing de guerrilha. você vai a um bar e uma linda moça te pede para tirar uma foto e te entrega um celular com câmera que vc nunca viu antes. Parece casual mas é propaganda do celular. E assim a publicidade vai afastando as pessoas e criando uma paranóia coletiva, onde uma simples conversa em um bar pode ser mais uma propaganda camuflada.
A publicidade é o verdadeiro vírus e a pior epidemia, seja no mundo “real” ou no “virtual”. As pessoas são reais em qualquer lugar e os danos também.