Este foi o tema do iMasters InterACT 2009, em Belo Horizonte. Tudo começou com uma conversa com o Tiago Baeta, do iMasters, logo após o InterCon. Ele convidou a mim e ao Rapha para sermos curadores e montarmos um espaço para apresentações e provocações. Ao ver a planta do hotel em que o evento aconteceria, percebi que a boïte seria o lugar perfeito para esse tipo de evento, com seu palquinho, pufes e sofá. Daí pra frente foi só chamar muita gente legal para participar e ficamos bastante feliz com o resultado.
A cobertura do evento você pode acompanhar aqui.
O tema geral do evento estava apoiado na importância de idéias simples e iniciativa para se mudar o mundo – e as apresentações dos curadores tinham que amarrá-lo. A do Rapha veio logo depois da do Bressane, que encheu o auditório e colocou a moçada fervilhando em idéias. Para chamar para o tema, ele fez uma sensacional apresentação sobre os problemas do sistema da comunicação hoje em dia e como ele mata a criatividade. Não vou falar da palestra aqui, porque não dá – cutuquem o homem pra blogar a respeito - mas adianto o vídeo a seguir, que dá uma bela pista do clima:
Para encerrar (e amarrar) uma sucessão de momentos preciosos, entre eles a sensacional história do Comida de Buteco que, a partir de uma idéia simples promoveu o turismo, a higiene, preservou parte da cultura popular e se tornou uma referência, minha palestra perguntou: “o que você faz?“.
Entenda bem: não perguntei sua profissão ou emprego, mas O QUE VOCÊ FAZ. E como isso pode fazer a diferença. O vídeo mostra o espaço da boïte (que chamamos de ‘club’ para perder o ar Richard Clayderman que o nome carrega) e a minha palestra. Acho que vai ficar fácil de entender porque chamavam o lugar de “cafofo do Luli” ou “favelinha do Luli”.
Recomendo que o vejam acompanhando as telas da apresentação:
Por último, a roupa: me perguntaram o porquê da roupa de lixeiro. Pensei que fosse óbvio, mas vale realçar. É por causa da quantidade de informação a que temos acesso e que é puro lixo tóxico.
Enfim, o evento foi o máximo. O público foi muito bacana, os palestrantes, então, nem se fala. Eu confesso que estava apreensivo. Sabia que o Rapha, com sua cancha de TED, se sairia bem. Mas fiquei muito bem impressionado como a dinâmica foi compreendida por todos – incluindo pelos gigantes Gil Giardelli, Fabiano Coura e Emerson Calegaretti, que adaptaram as suas palestras ao formato do evento em menos de cinco minutos. Não que Michel, Suzana e Alexandre Bessa não se destacassem,mas desses não se esperava menos que algo cativante. Até mesmo temas bem mais técnicos, com os da Ana Erthal e o Horácio, hipnotizaram a moçada, que nem tuitar direito conseguia. Se cuida, Cazé, que o Horácio parece ter nascido para o palco. O RAP WCAG quase começou a balada antes da hora:
CLARO que não poderia deixar de lado a mesmerizante Viviane, do Sebrae, que assume um palco de fim de evento, sem que ninguém a conheça, vestida com roupas de escritório e ganha do público merecidíssimo título de Susan Boyle do dia. Para mim, a melhor palestra do evento, com histórias de aventuras pra botar Indiana Jones no chinelo e pilhas de informação preciosíssima de seu blog “Beco com saída“. Resultado: faziam uns 8-10 anos que eu não subia em um palco tão nervoso (e agora, o que eu falo DEPOIS dessa mulher?!?). Me virei, mas não foi fácil.
Por último, queria deixar um agradecimento especial aqui para o público e parceiros mineiros. Vocês são demais. Todo mundo, de todos os lugares, querendo ajudar. Dá até vergonha de ser paulistano. Adorei o evento, mas ele deve ser o penúltimo que organizarei. É um esforço muito grande e toma muito tempo. Acredito que, depois do InterCon 2009, em Novembro, minha participação se restringirá às palestras.

Sua palestra é incrível. Assito e me motiva sempre.
“muita gente legal e bacana”, não consigo simpatizar com frases assim.
e não é bizarro as pessoas estarem juntas mas ao mesmo tempo distantes, isto é, cada um no seu twitter, tentando se comunicar com quem está longe e sempre ignorando quem está perto?
Luli, bastante intrigante seu post.
Parabéns pela comunicação 2.0 das idéias.
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senacional! eu preferi a do horácio, fantástica! a sua, sem comentários…a própria roupa já faz a gente parar pra pensar…parabéns a todos!
Esse video do “quando eu crescer” diz tudo… jornadas de trabalho sub-humanos para ganhar uma merreca, egos inflados, prêmios de criação, um ou outro cargo inútil…
Como sempre, a palestra está sensacional.
Discordo quanto ao esvaziamento da música. Acredito que ela mudou, não sei se para melhor, mas não sinto que tenha sido para pior. Eliminamos seus suportes físicos, sim, mas a música em si permanece.
Uma coisa é certa, criamos novas possibilidades para a música, e isso por si só já entendo como uma novidade positiva.
E quando pensávamos que a música já havia feito tudo o que podia por nós, foi ela o carro chefe da revolução digital-social, lá no napster…
Há alguns anos tentei empreender com minha agência independente. Chamava-se tampa!. Hoje ela não existe mais fisicamente, e não se configura mais como agência propriamente dita. Mas reconfigurou-se e permanece viva como uma espécie de coletivo de arte entre eu e meus sócios.
Após assistir o vídeo da palestra encontrei o teu autógrafo na guarda do meu exemplar do DWD2. Dizia “sucesso com a tampa!”.
Gerou boas reflexões. Valeu. Abraço, e parabéns!
Quando o montante de trabalho nos faz parar de pensar e estamos quase nos “encaixando”, assistir essa palestra reaviva nossos melhores valores e dá um novo gás para fazermos aquilo que realmente queremos fazer. Desencaixei mais uma vez. Valeu Luli!
Luli,
A alguns bons 10 anos atrás, não havia outro “paraíso na terra” para um profissional de criação doque trabalhar numa grande agência,ganhando prêmios, atendendo grandes contas, etc.
Parece que a internet (e outros fatores) enfraqueceram bastante este “poder” das grandes agencias, assim como os grandes jornais tambem não tem o mesmo poder de influência que tinham antes. Veja o caso do NYT.
Diretores de criação estrelados, milionários e bajulados já parece meio coisa de dinossauro…
Voce acha que este modelo de publicidade e de agencias, que já teve seu ápice (anos 80), já esta tendenciando para a decadência? morrer não vai, mas…
um abraco
Luli,
Dessa vez você enfiou o dedo na ferida.
Eu só discordo do Twitter, que para mim é um big brother de nerd, ou melhor, algo que pode até ser um conceito, mas é só mais insanidade.
Já passou da hora de tornarmos a internet mais real e menos fantasiosa. Educação tem que vir primeiro, não a ferramenta de acesso.
Monstro! Putz cara, genial, to até sem palavras enquanto eu termino de digerir tudo. Parabéns pela palestra, você ta até me fazendo repensar todas aquelas coisas sobre profissão que eu tinha te perguntado no e-mail.
Luli,
Depois que comprei seu livro DWD1 e vc o autografou, passei a acompanhar seu trabalho, assisti a palestras e acompanho muito o Jumpcast.
Sobre a palestra, achei animal. Muita informação que nos faz pensar a todo momento o que estamos fazendo com nossas carreiras e nossas vidas.(Tá tuitado!)
Parabéns pelos trabalhos, pela palestra e por essa mente fértil e borbulhante que você tem!
Sou seu fã!
Grande abraço.
Nossa, sensacional.
Bem, confesso que me frustrei com a profissão. A vida numa agência é exatamente como o vídeo “quando eu crescer quero trabalhar com propaganda.”
Depois de ter passado por 4 agências e ter sido demitida de uma delas, resolvi parar de insistir. É insano e insalubre.
Não sei até quando as pessoas vão aceitar essas condições, apenas por conta de status – pq querem ser amadas, queridas e pops!
Desencaixar não é fácil e requer coragem, mas só assim a gente muda alguma coisa.
Quanto ao lixo de informações…o twitter, por ex, deveria ser usado como incentivador de movimentos. O #forasarney até foi bacana, mas é tão pouco diante do lixo de todos os dias. Ninguém espalha nada sobre propaganda social, por ex. Nem os famosos estão preocupados com isso.
Todos os universitários deveriam assistir a essa palestra ;)
parabéns.