
No meio da profusão de idéias e projetos do Campus Party, meu genial amigo Juliano Spyer me aborda falando que tinha algo realmente novo em mente. Conheço bem o Juliano e sei que algo provocativo e interessante estava a caminho. Um tempo depois ele volta a entrar em contato: a idéia é tão simples quanto genial: um flasbook – não, não um livro usando a tecnologia Flash da Adobe, mas um livro feito rapidamente, emergente como uma flash mob e que abordasse temas como pirataria, p2p, superdosagem de informação, teoria dos jogos, enfim, uma teia de conceitos e idéias com o objetivo de explicar a web, dando a seus leitores uma melhor amostragem do contexto digital em que estamos.
Por sua natureza, o livro precisaria ser feito de forma rápida e simples, principalmente porque os convidados já teriam conhecimento e/ou interesse particular pelo assunto por que eram responsáveis. O cronograma original previa receber as colaborações até sexta à tarde para dar tempo de editar, montar o PDF e lançar ainda no sábado, na própria Campus Party. Como o projeto era mesmo animador, não quis desanimá-lo quanto ao prazo. Quando soube que o conteúdo seria todo gratuito, disponibilizado via PDF ou Wikipedia, topei na hora.
Não estava sozinho. Pelo contrário, não poderia estar melhor acompanhado. A lista de temas e autores me foi enviada mais tarde. Tomei um susto com a capacidade e poder de influência do Juliano, capaz de fazer uma curadoria precisa e enxuta e reunir tantos nomes de peso. Ei-los:
- Alessandro Barbosa Lima
- Alex Primo
- Alexandre Hannud Abdo
- Alexandre Matias
- Ana Brambilla
- André Passamani
- Bárbara Dieu
- Bruno Ayres e Marianna Taborda
- Carlos Estigarribia
- Carlos Merigo
- Cris Dias
- Dalton Martins
- Daniel Duende
- Diego Franco
- Edney Souza
- Fábio Fernandes
- Fábio Seixas
- Felipe Fonseca
- Fernando Gouveia
- José Mauro Kazi
- José Murilo Junior
- Juliano Spyer
- Luiz Algarra
- Manoel Lemos
- Marcelo Coutinho
- Marcelo Vitorino
- Pablo Handl
- Rafael Ziggy
- Raquel Recuero
- Renato Targa
- Rodrigo Savazoni
- Ronaldo Lemos
- Rosana Hermann
- Sérgio Amadeu
- Soninha Francine
- Wagner Tamanaha
Eu falei sobre mobilidade.
Naturalmente o livro não conseguiu ficar pronto no prazo. Um dos problemas foi o atraso de conteúdo de autores como eu. De qualquer forma a iniciativa é tremendamente louvável e foi lançada hoje, às 18h, via Twitter. Por uma prosaica falta de luz em casa, não pude participar e fiz este post depois do lançamento do livro. Uma pena. Até porque o entusiasmo do Juliano com relação ao projeto é evidente, como se pode ver neste trecho do post de lançamento em seu blog:
“Muitas pessoas ainda sentem que a tal revolução trazida pela Web é uma festa para a qual eles não foram convidados. Muitos professores de escolas públicas e privadas, empreendedores, executivos, comunicadores, administradores públicos e uma boa parte da sociedade civil não entendem o motivo de tanta euforia em relação à internet. Esse livro pretende ser um convite para que elas entrem e participem da festa. Para chegar a essas pessoas sem contar com os meios tradicionais de divulgação e distribuição, o jeito é usar a rede. E é por isso o arquivo em PDF do livro tem menos de 1000k – para caber em uma mensagem de email – e é por isso também que o lançamento deste livro não será em uma livraria e nem em outro espaço físico, mas online, pelo Twitter.”
O que mais dizer, senão parabéns?!? Juliano, você é o cara.
O livro virou um blog. Copiei meu verbete sobre mobilidade a seguir:
Quem quiser entender a revolução das tecnologias móveis precisa parar de pensar em Internet no telefone e passar a considerar as possibilidades que surgem em um mundo que praticamente qualquer aparelho, de qualquer tamanho, pode coletar as informações do seu contexto (ambiente, dados pessoais, hora e histórico, só para citar algumas fontes), interligá-las, calculá-las e compará-las com bancos de dados imensos, distribuídos pelo mundo, instantaneamente e praticamente sem custo.
As novas tecnologias – e idéias – que vêm surgindo a partir da computação móvel até pareceriam ficção científica, mas a vida é muito mais criativa do que a arte. Se as aplicações em medicina e ciência não empolgam você (e as de segurança dão calafrios), imagine uma situação bem mais prosaica: em um restaurante, o cardápio se adapta a você, a suas necessidades de saúde, a seus objetivos em estilo de vida, hábitos e histórico. Assim ele será capaz de determinar instantaneamente pratos, porções e preços que variam de pessoa para pessoa, levando também em consideração os estoques, movimento da cozinha e horário. O resultado é um cardápio mais saudável, gostoso e barato para o cliente e, ao mesmo tempo, eficiente para o restaurante. Nada mais sensato. E, no entanto, ainda impensável nos parâmetros de hoje.
Comunicação, não se pode esquecer, é uma via de mão dupla: os mesmos aparelhos que acessam a Internet de qualquer lugar também podem (e devem) ser usados para transmitir dados a respeito do ambiente em que estão e de seu movimento. Qualquer aparelho de computação móvel – telefone, notebook, videogame, rádio, GPS, automóvel ou chip eletrônico implantado sob a pele – representa mais um ponto agregador de conteúdo. Graças a essas tecnologias em breve não será mais preciso “alimentar” o sistema com vários dados, já que muitos deles poderão ser coletados automaticamente. Considere o trânsito, por exemplo. Hoje são necessários observadores, antenas, câmaras e sensores espalhados pela cidade para que se possa fazer uma medição razoável. Apesar dessa estrutura ser bastante cara e frágil, ela está muito longe de ser perfeita. A partir do instante que cada automóvel e telefone puder coletar dados e transmiti-los anonimamente para uma central, o mapa do trânsito será muito preciso, atualizado instantaneamente e – o melhor – quase gratuito.
A diferença entre o que conhecemos por web hoje e a Internet móvel é muito maior do que o abismo que separa uma carta de um e-mail. Mais do que acessar a rede – e seus documentos, amigos, notícias e trabalho – de qualquer lugar, em breve viveremos em um ambiente em que será muito difícil separar o ambiente físico do digital. É surpreendente, mas como temos uma enorme capacidade de adaptação, poucos parecem estar surpresos. A maior parte das tecnologias que tornam a Internet uma ferramenta poderosa de interação social e trabalho, por exemplo, não existiam há cerca de dez anos.
Outro ponto que deve ser levado em conta é que ninguém vive só, e que as mídias sociais (Blogs, Microblogs, Wikis, redes sociais, comunicadores instantâneos, fóruns, metaversos e outros) se tornaram rapidamente as novas praças públicas. Graças a ela é possivel se relacionar com muito mais pessoas que seria possível em qualquer ambiente físico. Quem tem um blog visitado e comentado, segue e é seguido por várias pessoas em um Twitter, tem o MSN ou o Skype ativo e participa de redes sociais chega a entrar em contato com centenas (alguns até milhares) de pessoas por dia, tudo isso nas poucas horas em que fica sentado em frente a um computador. Tecnologias móveis permitirão em breve que os lugares físicos e digitais se misturem a ponto de fazerem pouca diferença. Você poderá comparecer a uma festa munido de um aparelho que parecido com um par de óculos escuros, com fone de ouvido e microfone. Ligado à Internet, esse aparelho permitirá que você converse com seus amigos, conte e ouça histórias, compartilhe músicas e se divirta muito, por mais que, para os “velhos” de hoje, você esteja estranhamente solitário, dançando em silêncio, no seu quarto.
Mas isso tudo ainda são idéias. Por mais que o número de celulares no Brasil chegue a ser mais de sete vezes maior do que o número de computadores, o acesso à Internet móvel ainda é caro, lento e restrito. Algumas redes de telefonia celular de terceira geração (chamadas de 3G) melhoram um pouco a situação, mas ainda estão muito aquém do desejável tanto em termos de preço e velocidade. Mas se levarmos em conta que uma linha de telefone já chegou a custar mais de quatro mil dólares e um PC, cerca de dez mil, tudo indica que o barateamento dessas tecnologias será progressivo e rápido, a ponto de preocupar os administradores de rede quanto a um possível congestionamento dos servidores daqui a pouco tempo.
A evolução é grande, e é um efeito de gerações. Enquanto as tecnologias são novas, os termos são muitos e as disputas razoavelmente técnicas. Sistemas operacionais como Symbian, iPhoneOS, WindowsMobile, Blackberry, Palm e Android brigam entre si para ver quem será o padrão a ser seguido pelas diversas maquininhas, com nomes não menos estranhos. Tecnologias como Bluetooth, WiFi, WiMax, Mesh, EDGE, EVDO, UMTS ou 3G fazem o mesmo pra determinar os parâmetros de transmissão de dados. Se você não se interessa por esses termos, não se preocupe: como TVs de plasma, fitas Betamax, cartuchos de som ou disquetes, a maioria desses parâmetros desaparecerá em breve. O que restará serão modelos de negócios e usos da tecnologia que, independente de seu fabricante, serão inteligentes, compatíveis e ágeis. Como você pretende usá-los é o que fará a diferença.
Uma coisa é certa: a Internet do futuro será móvel. Até porque, além de todos os argumentos citados neste capítulo, mobilidade faz sentido. Ninguém nasceu sentado em uma cadeira, curvado sobre um monitor e teclado.
luli, brigadao por ter, mais uma vez, acreditado. um abraço!
Caraca!
Uma hora em seu site, quilos de atualização e toneladas de info para pesquisa. Você continua mandando muito.
Um abraço!