Os vídeos deste post foram gravados em uma palestra minha para o 13º Encontro de Web Design, nas edições de Curitiba, Porto Alegre e São Paulo. Fazia tempo que não falava sobre design, por isso fiz uma palestra um pouco longa, de vez em quando bastante conceitual, mas acho que ficou bacana. Para montá-la, dei uma bela pesquisada em uns livros legais e outros sites melhores ainda. Afinal de contas, já que continuo a enrolar vocês com relação ao meu livro que nunca sai, tinha que prestar algumas satisfações. A primeira parte está no vídeo a seguir:
Chamei a palestra de “mecânica dos fluidos” porque, para mim, esse é o maior desafio do designer hoje em dia. Ao contrário do que acontecia no ambiente certinho, estático e previsível em que vivíamos até dois terços do século passado, o mundo hoje é fluido e fragmentado, feito o resto de azeite e vinagre que sobra no prato no quando a salada acaba.
As categorias das coisas se misturam e se complementam, em uma confusão tão grande que fica a cada dia mais difícil classificá-las. Traduzi-las, então, ainda pior.
E é exatamente isso que o designer faz: cabe a ele traduzir a complexidade dos conceitos e idéias novos na simplicidade das formas e interfaces. Pense em como seria difícil explicar a Internet se não houvesse a web, por exemplo.
Não é uma tarefa fácil. E tem muito pouco – quase nada, aliás – a ver com arte. Arte é uma forma de expressão individual, uma conversa entre o artista e seu público. Em design, o profissional é só um intermediário: toda atitude e expressão devem estar no produto.
O trabalho de tradução que o designer realiza está por toda parte. Graças a ele as coisas mais exóticas – como o cursor de um mouse ou o sistema de autofoco de uma câmara, por exemplo, deixam de ser sinais elétricos sem cara e passam a ser visíveis e audíveis. Esse é o motivo, na minha opinião, da crescente popularidade do design nos tempos acelerados em que vivemos.
Sempre vale a pena lembrar que, por mais que muitos desejem, as tecnologias não vão parar. Pelo contrário, elas devem acelerar cada vez mais, e com elas a necessidade de mais design para traduzir um ambiente mais complexo e mutante. Cada nova tecnologia traz consigo um a sensação de desconforto, que nada mais é do que o sinal da mudança. Cabe aos designers dar a sua cara, torná-las compreensíveis e amigáveis.
A palestra se estende explicando alguns caminhos para realizar esse processo de tradução. Se você quiser saber mais delas, dê uma olhada neste post.
A segunda parte da palestra chama a atenção para o fato que design é uma linguagem, e como toda linguagem, é uma interface, ou ponto de contato entre duas pessoas. Mas um tipo de interface especial, que permite ao conhecimento se deslocar no tempo e no espaço, de uma forma muito envolvente – é uma conversa, como eu já tinha dito aqui.
Vivemos cercados de aparelhos que conversam conosco. Do alarme do carro ao autofoco da câmara fotográfica, do vibracall do celular ao barulho do pisca-pisca, todas essas formas de expressão têm seu léxico e gramática próprios, e precisam ser aprendidos para serem compreendidos. Por isso que é tão difícil para um usuário de Mac pilotar uma máquina Vista: Português e Catalão não são a mesma coisa.
e nego se diverte… adoro este país =]
Por definição, design significa desenho, projeto e desígnio – é uma forma de arte gráfica que obedece a uma finalidade e tem uma função clara. À medida que se torna mais importante, design também pode ser compreendido como substantivo (o design de Mies Van de Rohe), verbo (aquela comunicação demanda redesign), ou até adjetivo (essas cadeiras de design são desconfortáveis). Mas isso é só o começo. Design também pode significar criatividade aplicada, pode ser usado para solucionar problemas, pode ser compreendido como um tipo de aprendizado, uma evolução no modo de se encarar um objeto, serviço ou situação, um processo social, um jogo de descobertas e resolução de problemas, uma exploração por um terreno sensorial desconhecido ou pouco trilhado, um diálogo…
Design, enfim, é comunicação. E comunicação é o que faz de nós, humanos, uma espécie tão fascinante.

Olá Luli,
Estive na palestra de São Paulo e no mesmo dia tive que gravar um vídeo para a apresentação de meu TCC em Comunicação que impossibilitou assistir as outras palestras. Mas não me arrependi de nada uma vez que a única palestra que assisti foi a sua Luli. Posso dizer com todas as palavras que foi a melhor palestra/aula que assisti em minha vida.
Demonstração mesmo daquilo que o design é capaz de fazer na vida profissional e pessoal de uma pessoa e, que além de formigar o cérebro com tanta informação e conceito, confirmou ainda mais o meu desejo de resolver problemas, ter um outro olhar sob forma, conteúdo, cor, possibilidades tecnológicas e inspirações.
Uma aula sobre como a comunicação deve ser: fascinante.
Rodrigo
Fiquei hiper feliz em ver o vídeo da palestra disponível aqui no seu site Luli! Infelizmente não tive condições de ir até o EWD, e sempre tive vontade de assistir sua palestra.
Sou da época em que informações (principalmente sobre Design) era raro de se encontrar. Hoje eu vivo meio que uma síndrome de ostra. Guardo tudo o que encontro, e-books, e-magazines, imagens, tutoriais etc…
Por essas e por outras, ver sua palestra divulgada gratuitamente foi delicioso! Posso divulga-la no meu site? elisak.com.br/blog
Encontrar uma explicação clara, visualmente rica, e que case tão bem com o que eu entendo por Design, é um achado. É informação que precisa ser disseminada, há muito, muito tempo.
Obrigada!
Cada vez mais convicto e consciente, infelizmente (ou seria felizmente?), de que o que eu faço não é design. Infelizmente o meu instinto de sobrevivência interfere e esmaga a minha inquietação. Infelizmente eu trabalho em uma agência publicidade.
Muito boa a palestra, assim como as outras duas que assisti, ao vivo, aqui em Manaus.
Você me deixou com a pulga atrás da orelha: Qual é o lance com o Silverlight? (caso vc já tenha escrito algo sobre ele, manda um link, pois dei um search no site e não localizei nada relevante)
Pergunto, pois estou estudando um projeto em WFP, e o silverlight me parece estar conectado por uma corrente bastante sólida à ele. Até consigo imaginar uma maneira de contornar o Silverlight e ir direto ao flash, mas o que quero dizer… what’s the point? vc acha que o silverlight vai seguir o mesmo caminho que o shockwave?
Sinceramente não enxergo a Microsoft abrindo mão dele. Talvez, eu não abriria… rs
PS: Seu site não tem um e-mail seu sequer! e o Linked In me disse que o seu profile não existe, rs…
ô rapaz difícil viu!
Muito bom.
Design
Grande Luli, tive o prazer de acompanhar mais essa excelente palestra sua… sem sombra de dúvidas foi muito boa…
Espero que você esteja no 14º Encontro de Web Design…
Abraços
Felipe Foitinho
é verdade que vc saiu vaiado da palestra de curitiba? Estão comentando no twitter, duvido muito. mas gostaria de um feedback sobre esse boato.
De maneira alguma, Sup. O pessoal de Curitiba foi super hospitaleiro e teve uma excelente participação na mesa redonda do final do evento.
Parabéns Luli, como sempre com conteúdo muito rico e ótimas palestras.
Luli Radfahrer veste: Capacete pensante dos gênios…
Mais uma palestra (e post) sensacionais by Luli. Engraçado que em suas palestras, mesmo se você não estiver totalmente interessado ou imerso no ramo discutido – nesse caso, design – você pode tirar proveito dicas, conceitos e conhecimentos cruciais a qualquer profissional.
Eu como blogueiro e que tenta fazer seus próprios layouts, me senti totalmente recompensado pela exposição. Valeu mesmo.
Adorei sua palestra no encontro de São Paulo, me fez pensar em muitas coisas que o cotidiano do trabalho me fez esquecer. Muito bom!
Luli
Adorei sua palestra. Me ajudou muito reforçando os conceitos que tenho procurado usar no meu trabalho e ao mesmo tempo perseguido na minha ação como professora de projeto de arquitetura. Aprendi um monte de coisas sobre design. Gostaria de pensar junto com você numa palestra para arquitetos e designers. Tem tudo a ver. Muito bom!
Olá Luli,
No lo creo! Increíble! Minimalisticamente incrível a sua palestra!
Sobre a linguagem, dizem que ela modifica estruturalmente o cérebro. Falam que os japoneses (e outros asiáticos), por exemplo, têm uma capacidade de absorção de informação muito mais eficiente por causa de sua escrita em Kanji. Outro exemplo notório é que os grandes nomes da filosofia são ou gregos ou alemães. Reza a lenda que a complexidade e a riqueza dos idiomas grego e alemão levam os seus falantes a pensar mais. Será?
[s] Marcelo_O
Muito obrigado pelos elogios, Marcelo, mas é importante corrigir um detalhe em seu comentário: a linguagem não estrutura o pensamento, mas facilita (ou dificulta) a troca de idéias. Línguas como o Alemão permitem construções mais complexas, o que por si só não quer dizer nada. Pode tanto ajudar a elaborar raciocínios complexos quanto tornar uma coisa simples, complicada.
Ou seja: a riqueza está nas pessoas. Tecnologias (linguagem é uma tecnologia) só as aproximam ou afastam.