Cultura Digital, Inovação, Palestras e entrevistas

Descolagem: a escola do século XXI


Palmas para você, @largman. Seu evento é inspirador.

Meu amigo Beto Largman é um curador talentoso e aguerrido, quanto a isso não há sombra de dúvida. Nossas conversas começaram há uns seis meses, época em que ele me apresentou o projeto descolagem, a idéia do NAVE e a proposta da Oi Futuro. Ele queria que eu participasse da primeira edição do evento, mas eu estava com a passagem marcada para uma consultoria na Arábia Saudita. Ele chegou a sugerir que desse a palestra via videoconferência (não disse que ele era aguerrido?), mas com um pouco de esforço consegui demovê-lo da idéia.


O argumento foi de uma possível falha de conexão - realidade no Líbano, que enfrenta dificuldades em manter a infra-estrutura por causa de tantas guerras - mas poderia ter sido a censura irrestrita que alguns desses países impõem à Internet. Falar de inovação por ali poderia ser arriscado, preconceituoso e pouco eficiente. Deixamos para depois, então.

Nossas conversas continuaram e, depois de muitos ajustes, ficou combinado que eu falaria na última edição do Descolagem. O tema seria, ao mesmo tempo, desafiador e apropriado: a escola do século XXI.

Argumentei com ele que, apesar de conhecer bem o tema (é parte da minha livre-docência, que um dia eu defendo, talvez até antes de fazer o DWD3. Algumas de suas idéias foram publicadas aqui), de usar várias ferramentas de redes sociais com meus alunos na ECA, participar de bancas e orientar trabalhos a respeito, não me considero um pesquisador ou especialista na área. Tampouco sou psicólogo, pedagogo e minha carga horária (8 a 12h/semana) não me qualifica até mesmo como professor.

Isso não quer dizer que eu não conheça o Construtivismo e alguns de seus principais teóricos. Desde que li Piaget pela primeira vez (tinha acabado de sair de uma reunião com professores para um projeto Internet e, de ouvi-los falar do tema com tanta paixão, fiz uma escala na livraria antes de ir pra casa) percebi que tinha uma forte conexão entre o trabalho dele e os blogs e a Wikipedia, por mais que ninguém entendesse o que eu queria dizer com isso na época.

Mas o que faz mesmo a diferença é que venho de uma família de professores. Como casa de ferreiro tem espeto de pau, nunca tinha perguntado a meu pai (ele sim um expert na área) sobre a conexão entre mídias sociais e escolas até minha livre-docência.

Pois é, acontece nas melhores famílias. Literalmente.

O resultado está aí embaixo, se é que você ainda não viu . Mal terminada a palestra, vídeos “piratas” feitos em câmaras amadoras e fatiados em até 8 partes já corriam a rede. Assim que o pessoal do Videolog ajudou o Largman a colocar a versão “oficial” no ar, influenciadores de peso como o MeioBit e até mesmo o Chongas ajudaram a replicar a mensagem, mesmo que não estivesse diretamente ligada à sua linha editorial.

O resultado: mais de 20.000 visitas em menos de 24 horas. Nunca imaginei que uma palestra intensa, um pouco técnica, longa, acelerada e sem pausas sobre educação fosse tão popular. Nem que essa palestra seria dada por mim.

Até porque eu estava tenso - coisa que dá pra perceber pela quantidade de “ãhn” que falei durante o discurso. O evento, como eu bem imaginava, tinha palestrantes muitíssimo mais qualificados que eu.

Patrícia

O turbilhão de idéias da profa. Patrícia Konder Lins e Silva, diretora pedagógica da Escola Parque, tem material para inspirar gerações. A propósito, alguém tem o MindMap dela? queria estudá-lo.

Paulo

Logo depois dela o genial Paulo Blikstein, que para muitos lembrou o Sheldon do The Big Bang Theory (pela sua absoluta genialidade, não pelo tipo físico), deu uma aula prática de Construtivismo e inclusão, com pistola de paintball e crianças montando vulcões em Angola. Eu estava mais esticado que corda de berimbau. O evento estava ótimo, mas aquilo era arena para o meu pai, não para mim. Que roubada! Para detalhes da palestra dos dois, recomendo a cobertura competente da Maffalda, virtuose de teclado, que conseguiu ao mesmo tempo registrar e comentar. Queria ter um poder de concentração desses.

lens
Pra relaxar um pouco - ou não - veio o Lens Kaftone e sua música tocada com Wiimotes e Nunchucks, pra Johnny Lee nenhum botar defeito. Por mais que pareça nerd, foi um exemplo prático de envolvimento e descoberta, um show de curadoria visível para poucos. Se eu não falasse logo depois deles, estaria inspirado e fascinado. Mas tinha sobrado para mim “amarrar” os conceitos todos, e eu não fazia idéia como.

luli

Minha palestra procurava evidenciar que o processo de aprendizado já não era mais exclusividade das salas de aula. Como professor de Comunicação Digital na escolas de vestibular mais puxado do país, sempre fui desafiado, questionado e - principalmente - enriquecido pelos meus alunos. Foi com eles que aprendi várias “novas” tecnologias, de Orkut a Spore. Foi um deles que conseguiu, depois de muita discussão, mudar minha opinião sobre Blogs. Em meus 15 anos de experiência na web percebi como é fácil se tornar engessado, reacionário e careta em uma área inovadora. A curva de aprendizado costuma ser tão intensa que, uma vez que se chega “lá” dá uma enorme preguiça intelectual de recomeçar. Meu alunos me forçam a rever, repensar, reestudar todos os meus conceitos de seis em seis meses. Eu é que deveria pagar para ensiná-los.

Enfim, o objetivo da palestra era mostrar, com um viés construtivista, as coisas que via, sem nenhuma pretensão autoritária de “professor da USP”, coisa que mais odeio em muitos dos meus colegas e sua velha opinião formada sobre tudo. Foi por isso que usei o formato de Graphic Novel, pena que o vídeo mostrou muito pouco dela. Fiquei fascinado pela idéia simples e inovadora do Google e resolvi usá-la não por ser “diferente”, mas por ser exploratória. No melhor estilo deste vídeo do Discovery Channel:

Acredito que consegui. A avaliação que melhor corresponde à minha é esta:

No próximo post comento partes do que foi falado.

Muito obrigado a todos pela consideração.

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