Inovação, Palestras e entrevistas, Tendências

iMasters Intercon 2008 (e FF)
parte I - a inspiração.

Auditório

Já fazia algum tempo que eu vinha nutrindo a idéia de desenvolver um evento que falasse de inovação. As pessoas estão cada vez mais conectadas, o superávit de informação deixa muita gente perdida, a facilidade de acesso às ferramentas tornam o empreendedorismo cada vez mais viável e, acima de tudo, nós lemos os mesmos RSS, visitamos os mesmos blogs e ouvimos os mesmos podcasts que os gringos. Nada nos impede de ter boas idéias. Esta era só mais uma delas. Como todas as outras, precisou ser maturada para que não caísse no hype vazio da novidade pela novidade.

FF08

O fato é que vivemos em uma época de sobrecarga de inovação. Perdidas, as pessoas procuram cada vez mais soluções fáceis, prontas. Mimados, muitos querem a coisa mastigada, em pílulas, resolvida.

A vida, felizmente, não é assim. Minha insatisfação com essa cultura self-service de neguinho chorão, resmungão e reclamão, que não sabe propor nem inventar, mas que adoooooora criticar foi aumentando, aumentando, aumentando. Por mais popular que eu fosse nesse modelo de palestras prontas, por mais à vontade que eu estivesse em um palco, algo em mim me dizia que poderia haver algo além disso.

Claro que eu procurava sarna para me coçar. Só no InterCon eu já acumulava um bicampeonato com cara de tri: tinha sido eleito o melhor palestrante em 2005 e 2006 e, como mestre de cerimônias em 2007, fui aplaudido em pé por mais de 5 minutos. Podia ficar na moita, não precisava me expor. Quase desisti.

Luli2007

O Campus Party foi meio que a gota d’água nesse processo. Ao propor algo “diferente”, ele quase estabeleceu uma dicotomia: ou os eventos deveriam ser aquela coisa careta, estática, no formato de uma aula ou espetáculo circense; ou seriam uma feira completamente 2.0, totalmente UGC, anárquica e descontrolada.

Confesso que, no primeiro dia em que fui, saí de lá desanimado. Aquilo era um grande encontro de guetos, absolutamente sem interface com o mundo exterior. Parecia um São Paulo Fashion Week sem a área de comércio e intercâmbio. Muitas idéias, muita inovação. Nenhuma explicação.

Campus

Mas meu pai me ensinou a não acreditar em dicotomias. Muito menos nessa, que para mim não fazia sentido. Para mim era possível propor algo completamente diferente das duas formas. Foi aí que a minha dor de cabeça começou. Conversei com vários colegas que tenho, em diversas indústrias. Muitos deles não entendiam nada do que eu falava, a maioria deles era bem mais velha do que eu. O conjunto de suas histórias de vida me mostravam que eu deveria tentar.

Mas eu tinha medo. Afinal de contas, só teria a perder.

Logo InterCon

Conversando com o Tiago Baeta, percebi que se eu fosse testar algo novo, a arena para isso tinha que ser o InterCon. O público, afinal, era em sua maioria inovador e aberto a novos formatos. Ali não era lugar de políticas ou de favorecer nomes “consagrados”. Muito pelo contrário. Seria o lugar perfeito para reunir palestrantes com experiência em inovação - tanto na teoria como na prática - e valorizar o conteúdo sobre a forma, em todos os sentidos.

Tudo bem, mas o InterCon não era um evento amador nem invisível, muito pelo contrário. O frio na barriga aumentava. Para provar meu ponto, o formato tinha que ser inovador. Pedro Markun jogou a provocação no ar, mais foi a minha mulher, Paula, que me inspirou a idéia definitiva.

Controle

Foi vendo-a assistir TV que eu percebi que havia uma revolução silenciosa no ar. Nunca tinha visto nada parecido. Ela não zapeava como a minha geração zapeia. Não, ela assistia realmente dois ou três programas de TV… AO MESMO TEMPO. Isso pode parecer normal para você, mas para mim foi uma revelação. São essas maravilhas auto-evolutivas da sociedade em transformação que me fazem ter vontade de PAGAR para dar aulas. É a descoberta dessas mágicas cotidianas, mais que uma ou outra tecnologia, que me move. A Paula, percebi, assistia TV … em abas, como a navegação que fazemos na web. Como ela, as pessoas hoje - pelo menos o público de um InterCon - prestam atenção em diversas coisas simultaneamente, para depois, só depois, construir seu contexto.

Julius

Meu amigo Julius Wiedemann chama isso de “atenção parcial constante”. Uma espécie de evolução do “transtorno de déficit de atenção”, essa característica não é um distúrbio, mas uma nova forma de percepção. Era, enfim, mais uma pedra na lápide da comunicação linear e mais uma porta aberta na direção do ambiente contextual que mimicamos na web e que vemos presente em qualquer ambiente social.

Minha profissão é procurar o que há de novo no novo, e isso me leva a considerações incomuns, como a de ver Gestalt em um cartaz do James Brown ou a de ver a observação de tendências em Surf.

Com esse conceito em mente, fui atrás dos palestrantes ideais para desenhar a experiência perfeita.

Conto a trajetória na continuação deste post, daqui a pouco.

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