Devo confessar que sou um cara chato e obcecado com qualidade. Minhas palestras e coisas que faço são bons exemplos disso. Não basta inovar, tem que ser sólido. Como meu papel no FF era bem maior que o de apresentador - o pessoal do InterCon praticamente me DEU um evento - todos os aspectos precisavam ser pensados. Afinal, eu era o curador. Cabia a mim escolher os palestrantes, seu tema e harmonizá-los todos em um só contexto. Parece fácil? Não é.
Dia 4 de julho tomei um café da manhã com o Tiago Baeta e o Edson Mackeenzy. Contei para eles a idéia que tinha tido ao ver a Paula assistir TV e começamos a pensar o impossível: duas palestras simultâneas, complementares, em uma experiência semelhante à que temos todo dia na Web - e que alguns vêem até na TV. Muita informação, mais conteúdo do que se é capaz de absorver, várias experiências simultâneas.
Definimos o formato de palestras simultâneas, pensando em silent parties.
Nomes definidos, fui atrás dos palestrantes para pautá-los. Eles tinham que estar de alguma forma relacionados com o novo, fosse na observação de tendências ou na execução de novos produtos. Não adiantava “reciclar” alguma palestra que tivessem, o conteúdo precisava ser novo e integrado, praticamente feito sob encomenda. Ainda em Julho todos os convites foram feitos. Algumas reuniões depois, as duplas estavam organizadas.
Cris Dias falaria com Marco Gomes de inovação em comunicação e da economia do prestígio. Frederick Van Amstel e Ariel Alexandre falariam de design de interação e TV digital. Manoel Lemos e Daniel Heise falariam de aspectos do empreendedorismo. Temas acertados, deixei o FF incubar em Agosto. No final do mês, confiantes, fomos apresentar a idéia no BlogCamp.
Em Setembro começaram os testes. De som, vídeo, cor, luz e estrutura. Ao contrário do que muita gente disse por aí (aiaiai, como é fácil cagar regra) fomos várias vezes ao local do evento, mudamos o lugar das oficinas de Photoshop umas três vezes e repensamos a estrutura da oficina de código algumas vezes.
Um mês antes, os palestrantes finalizaram seu conteúdo e o trocaram com seus colegas. Enquanto cada um fazia os ajustes finais, os outros se inteiravam dos temas e reviam os conteúdos para amplificá-los e evitar conflitos. Afinal o tempo era curto (35 minutos para cada) e não havia espaço para perguntas. Não ali no palco, quero dizer. Nesses ajustes, os temas foram fechados. Algumas palestras estavam muito longas, outras muito resumidas. Um pouco de conversa depois, todas ficaram perfeitas. Pelo menos na minha opinião.
Dia 8/10 fomos ao Frei Caneca testar novamente o esquema de som simultâneo. Tudo fino. O fornecedor de audiovisual era o mesmo de InterCons passados, estávamos tranqüilos. As inscrições estavam pra lá de lotadas. Gente importante queria ir só para visitar. Abrimos mais vagas para contentar quem tinha ficado de fora, mas mesmo assim não deu. A lista de espera foi descartada quando ultrapassou a marca de 500 nomes.
Na quarta-feira que antecedeu o evento, estávamos ao mesmo tempo eufóricos e apavorados. O evento tinha ficado tão importante que marcaria o lançamento de dois grandes produtos: Gengibre e t!v! O mais importante de tudo é que ninguém estava com o espírito de Steve Jobs em WWDC. Não era uma idéia pronta, esperando ser admirada. Era pra ser um grande experimento coletivo, sem precedentes no mundo inteiro. Se a gente estava com frio na barriga? Imagina. Seis horas de reunião na antevéspera, quatro horas de discussão de detalhes na véspera. Tudo OK.
Conto a realização na continuação deste post, daqui a pouco.
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Loole,
Não cago regra, pelo contrário. Inovação = Risco, está claro no post. Problemas acontecem nas melhores famílias e meus parabéns que dei foram sinceros e estão mantidos. Fazer funcionar no meio de tanto problema merece menção mais que honrosa. Menção de coragem e competência.
Há de ter humildade para reconhecer os erros e crescer com eles, obviamente. E sei que você é um cara que dá a cara a tapas.
Continuo (ao contrário de algumas pessoas que conversei) acreditando no evento e estarei presente na edição 2009 com certeza.
Grande abraço
Gostaria muito de ter participado –indisposição estomacal me deixou preso em casa– e visto isso funcionar (ou nem tanto, como apontou o Manoel Netto –que parece não ter curtido muito o whoofie sem nofollow que ganhou, mas isso acontece) na prática. Gosto das propostas inovadoras, mas quando é inovação tecnológica para agregar e não para mostrar que pode (como o pessoal do TBBT gosta de fazer). Na sua avaliação, o formato escolhido (entendo os critérios econômicos de fazer ao mesmo tempo em vez de fazer em mais salas ou em mais dias) realmente ajuda.
Um exemplo: no ano passado, sem eventos simultâneos, quando uma palestra não era boa, rolava uma desconferência improvisada do lado de fora. E isso era muito rico e proveitoso.
Vi algumas (poucas) pessoas falando “mal” do evento e claro que eram os “grandes da blogosfera”… alguns por ai que se acham superiores, mas enfim…
A experiência do evento foi algo emocionante, ter visto o próprio Luli se emocionar de ter feito um evento que começou parecendo algo doido e que no final nos deu a certeza disso.
Fiz questão de parabenizar pessoas como o Marco Gomes e o Cris Dias por suas palestras.
Infelizmente mesmo depois de tudo que viu sobre “inovar”, alguns não assimilaram o feito do evento e fazem questão de “jogar na cara” os problemas normais de toda inovação.
Vou parar por aqui.
Acredito que seja o suficiente para expressar minha opnião.
Parabéns Luli.
[]’s
Foi uma honra participar desta caravela inovadora! Não podemos usar velhos mapas, para descobrir novas terras! E foi extamente isso que o Intercon 20008 fez - desenhou novos mapas!
Só saberemos o desconhecido se ousarmos! O intercon ousou, você ousou, Tiago ousou, Mack ousou, Fabio ousou o público mais ainda! No sabádo, nós fizemos uma manifesto contra a proliferação da mesmice! Enquanto esperei o áudio para reiniciar minha palestra - observei os olhares daqueles inovadores na plateía se deliciando com o empreendedorismo do Cris Dias e do Marcos Gomes! Comunicação é isso, é ensinar, é aprender, é escutar, é criticar - sem ofender - é convergir! Todas as pitadas estavam lá!
Luli, o mundo precisa de inovadores e inquietos como vocês! Muito obrigado pelo convite foi uma honra! A inovação não é toda história mas é ua grande história! Beijos no coração Gil Giardelli
Considerações upalupas sobre o Intercon 2008
(http://upalupa.wordpress.com/2008/10/27/consideracoes-upalupas-sobre-o-intercon-2008/)
Fui ao tão esperado Intercon! Ufa! Sonho realizado. A história começou quando eu e o Vini loucos para inscrever uma galera enorme e quando nós resolvemos tudo, veio o desespero: INSCRIÇÕES ESGOTADAS! Chorei, chorei de verdade. Mas como Liginha não aceita não como resposta, dá-lhe pedir ajuda aos amigos… Falei com meio mundo, que pagaria até mais caro e nada. Já estava desanimando quando o Fabio Seixas me chama no GTalk para papear e pergunta: você vai no Intercon? Não… acabaram as inscrições quando entrei no site para me inscrever.. snif Não seja por isso… eu te arranjo um convite. Juraaaaa??? Tu vai para o céu, meu amigo. Sem escala, ainda por cima! E assim o Sr.Camiseteria fez uma UpaLupa feliz! Maaaaaaaaaaaas, a alegria não parou por aí… Recebo um e-mail do Luli para tratar das pautas do JumpCast e ele oferece outro convite! Foi Deus mesmo! Eu digo: Poxa Luli, eu já consegui um, mas não queria deixar meu amigo Vini de fora… tu ajuda ele? Claro, UpaLupa, seu desejo é uma ordem! E depois dessa eu fui até Marte e voltei. Fica aqui meu agradecimento público as duas figuras que mais respeito na internet. Eu nunca poderia experimentar a maravilha que foi o Intercon, sem a ajuda de vocês. Obrigada mesmo.
Chego no Shopping Frei Caneca, aquela muvuca de gente com selo de interneteiro na testa e um certo atraso deixa o povo fritando de calor e impaciência. Uma criatura loira atrás de mim (nada contra as loiras, mas aquela em especial honrava todas as piadas), com voz de gralha ,ficava no blábláblá de reclamações e a minha vontade era dizer: Minha filha, vai tentar organizar um troço desta magnitude antes de achar que meu ouvido é pinico! Ô povinho sem noção! O Bate-papo que é 100x menor que o Intercon já dá um trabalhão… Minha vontade era entrar para oferecer ajuda: Ei, posso fazer alguma coisa? Precisam de uma mãozinha? Longe de mim criticar algo, isso não leva a nada. E outra: valeu a pena esperar… Mas enfim entramos no auditório. Coisa mais linda… Sonho um dia lotar um auditório como aquele.
A idéia de oferecer duas palestras simultaneamente no mesmo palco foi ótima e ter presenciado sua realização foi magnífico! Ainda mais para quem está aprendendo a organizar eventos para este tipo de público, como eu. Até os momentos de interrupção por problemas técnicos foram divertidos, graças ao jogo de cintura da equipe organizadora e dos palestrantes. Tudo bem que, como disse o Cris Dias, o Luli quase teve um filho pelo bico do peito, mas na parte da tarde, depois da palestra do Ariel, vi meu amigo Luli chorar de alegria e isso não tem preço.
Prova de que o próprio evento era pura inovação foi que este modelo nunca fora antes realizado no Brasil e talvez no mundo.
Posso afirmar que o conjunto de palestras foi o que fez o evento valer muuuuuuuuuuuuuito a pena. A equipe foi formada pelo Stelleo Tolda do Mercado Livre (Amigo, desculpe, nem consegui te dar um abraço), o Ariel Alexandre, do Videolog; Cris Dias, da Vilago; Daniel Heise, da Direct Talk (Achei linda a declaração de amor que ele fez no final, não poderia deixar de citar); Gil Giardelli da Permission; Frederick van Amstel, do Usabilidoido (Com sua dancinha muy sexy); Marco Gomes, do boo-box; e o Manoel Lemos, do BlogBlogs.
Pra finalizar o evento, o grupo Fat5 — formado pelo Muniz Neto, da Bullet; Jean Boëchat, da JWT; Ricardo Cavallini, consultor; Ken Fujioka, da JWT; e Patrice Lamiral, da RMG Connect — foi ao palco de forma muito irreverente e divertida. Uma pena ter acabado de forma tão mal educada. Espero que se desculpem.
Que venha a edição de 2009 e fica um manifesto: UpaLupa quer um espaço para mulheres no Intercon! Só têm cueca apresentando, poxa! Eu já me candidato e começo a treinar agorinha…rs Já pensou, que engraçado? Terei que usar salto plataforma para o pessoal me enxergar.
Depois de tudo uma turma foi para o bar e rolou um #Nob (Nerds on Beer). Muito papo cabeça com o Mau-mau, Gilberto e Michael da Amanaiê, Paulo da Psyco, Mackenzy do VideoLog, Fernando e Fugita do Polvora, Lucia Freitas da LadyBug, meu migo Vini todo alegre detonando as tequilas e mais uma turma regada a muitas brejas, sarau de poemas calientes e uma passada do Luli para nos agradecer (Deixa disso, nós é que te agradecemos, mestre).
Quando cheguei em casa, moída, parei para refletir e veio uma sensação boa de que escolhi a coisa certa para fazer na minha vida. Amo trabalhar com inovação, redes, pessoas, gente com sede por conhecimento, colaborativa, isenta de estrelismo e sem preconceitos. Ali estava cercada de gente que não tem medo de arriscar, de ser diferente, de tentar fazer as coisas de outro jeito. De todas as idades e condições sociais. Empreendedores, formadores de opinião, guerreiros, vencedores.
Parabéns a todos os participantes do Intercon! Sinto-me muito orgulhosa de pertencer a este grupo e continuo lutando para que em cada Bate-papo mais e mais pessoas contaminem-se com este espírito inovador de ser. Este grupo não quer ficar fechadinho, seleto, quer espalhar essa onda de gente jovem (não na data de nasc, mas no jeito de pensar), quer dizer para o mundo que não haverá mais espaço para a cópia e mesmice, mas muito espaço para quem faz a diferença e faz do seu trabalho uma fonte de satisfação e ajuda ao próximo, sem esquecer a lucratividade. É mais do que possível ganhar a vida sendo honesto, original e inovador. Mãos à obra!
Abraços UpaLupas inspirados
Muito bom, Maravilhoso, Inovador … SIM.
Ontem andei dando uma lida em alguns blogs sobre o Intercon 2008, posso dizer que fiquei chateado com algumas coisas; freqüento a Intercon assim como o EWD desde a sua primeira edição e pelo que acompanhei este ano não vi nenhuma perda em qualidade e/ou conteúdo, adorei as palestras e muito a opção de poder dar uma zapeada quando o assunto se perdia ou se tornava cansativo.
Não vou explodir elogios pois ocorreram problemas sim que atrapalharam o andamento do evento, mas nenhum destes afetou diretamente a qualidade do evento e das palestras.
Fiquei muito mais decepcionado com a impossibilidade de me conectar e poder twittar ou blogar diretamente do evento.
Os contratempos este só servem para tornar o próximo passo melhor, contra imprevistos só ou sucumbimos ou demonstramos nosso melhor ao fazer o impensado para o sonho ser real, me sinto satisfeito com o Intercon 2008 e o formato FF08 proposto e executado e muito bem demonstrado ser possível.
Como sempre não poderia deixar de deixar meus
Parabéns …
PS. Como ficou faltando uma palestra sua na Intercon, nos vemos no EWD.
Sou o infeliz nordestino autor dessa crítica:
http://twitter.com/_Felipe/statuses/975165760
Desconsidere minha crítica. Murphy já estava lá lhe dando incentivo negativo suficiente.
Eu estava acompanhando pelo uStream e deu pra perceber que houveram város problemas técnicos.
A idéia ainda era beta, mas mesmo assim foi sensacional. Como você disse no BlogCamp(vi este vídeo depois da #intercon): não precisa ir, vai estar tudo no VideoLog, ninguém vai perder nada se não quiser.
Espero ver as palestras do marcogomes e do akitaonrails no videolog, vai ter?
PS: pensei que dificilmente alguém leria o que eu posto no twitter, me enganei, chegou até ao blog do Luli!
Galileu Galilei: “Devemos escrever os benefícios em bronze e as injúrias no ar”.
Nao quero saber se o evento teve erros tecnicos ou nao, o problema é outro. Essa necessidade de mostrar algo novo, so pelo simples fato de mostrar algo novo me irrita profundamente.
Entendi a proposta do evento, parodiar as abas de um browser offline realmente nao sei como seria possivel se nao tivesse o formato que foi utilizado, mas o que quero questionar é essa maldita tendencia de zapear.
Achei um tremendo equivoco. Zapear é descartar. Zapear é o comodo recurso utilizado para dizer “a fila anda…proximo”
Não consigo ver com bons olhos um evento que estimule isso. Zapear palestras.
“Ah, se o conteudo estiver desinteressante eu tenho mais opcao” - Desculpa esfarrapada
“Assim eu nao perco um minuto sequer de nada” - Mentira, perder tudo. Fica tudo fragilmente picado.
Palestra se resume a uma palavra. Imersão.
Assim como um game viciante, um bom filme ou transar apaixonado. Deve ser imersiva a ponto de ninguem levantar e ir embora no meio. E ao final desta sua cabeça deve fervilhar. Qualquer coisa diferente disso, por mais que tentem inovar, ainda sinto gosto duvidoso. E nao me venha com papo de quem perguntas inteligentes vindas da plateia nao podem surgir. Isso é no minimo subestimar a plateia.
Cai-se na armadinha de quantidade em detrimento da qualidade. Abundância, simultaneidade, pressa, pouca intimidade e pouca profundidade. Qualquer semelhança com uma orgia (ou uma rave) não é mera coincidencia. Dezenas de buracos e no final das contas o conteúdo absorvido tende a zero. Nem o nome da vítima voce é capaz de lembrar. Relax, também não lembrarão do seu.
E lá se vai a perda da oportunidade do aprofundamento da relacao presencial. Perde-se o poder do formato interativo, onde palco e plateia se comunicam bilateralmente.
Querem inovar? Pois bem vamos conversar e chegar num formato realmente diferente, mas que seja relevante.