À primeira vista esse vexame aí de cima seria só mais uma daquelas polêmicas vazias de publicitários. Não se pode levar a sério um bate-boca inconveniente, deslocado e de baixo nível travestido de (ahem) debate se este não estivesse em um tipo de arena circense de cujo público está acostumado com micagens. No melhor estilo dos barracos promovidos por “celebridades” e “artistas”, nada diferenciaria o confronto acima de qualquer bobagem à Caras, completamente irrelevante para o mundo aqui fora. É certo que o gigantesco desdém que o sr. Guanaes aparenta ter com relação à língua portuguesa - “não invistam DO novo“? - levam a pensar que o nome ABC do grupo de empresas que controla deve ser alguma ironia de mau gosto, mas isso é mudar de assunto.
Na minha opinião, os dois perderam. Mas quem sou eu para criticá-los? Prefiro me concentrar no que se lê nas entrelinhas desse arranca-rabo. Não é preciso um bacharelado em psicologia para perceber que a reação exagerada parece típica de quem tem muito dinheiro, poder e influência e está com um medo enorme de perdê-los. Perdidos feito cães acuados, os nobres senhores não sabem direito para onde devem latir. E se descabelam feito turistas perdidos no meio da mata que, percebendo que estão a perigo, começam a culpar uns aos outros em vez de tentar entender aonde estão.
Não é preciso explicar para o cliente o que um publicitário é capaz de fazer. Ele o sabe bem. Tão bem que começa a pulverizar a verba para uma variedade de fornecedores. Já foi chique ser publicitário. Hoje não é mais. À medida que o prestígio escorre pelos vãos dos dedos feito areia fina, tenta-se de tudo para parar a Tsunami do progresso. E feito uma criança que tampa os olhos e finge que é invisível, tenta-se pregar em fóruns públicos uma realidade alternativa.


Virar as costas para o progresso é uma estratégia suicida. Mais do que isso, é incoerente com a própria indústria da criatividade e inovação. Isso não é só a minha opinião. Qualquer zé mané sabe que a crise é a mãe da invenção, até a banda que tocava com o legendário Frank Zappa carrega esse nome. Qualquer powerpoint de auto-ajuda defende a maledeta idéia de um tal ideograma chinês para “crise” seria composto de “perigo+oportunidade” (o que, bem lembra minha amiga Rosana Hermann, é só uma lenda urbana, mas estamos mudando de assunto).
Em resumo: quem propõe evitar o novo não quer causar polêmica, quer manter tudo exatamente do jeito que está.
Mas o que aconteceu com esses caras para mudarem de lado tão rápido? Não deve ter sido o dinheiro ou os clientes, até porque esse movimento é novo e atinge praticamente toda a indústria de mídia de massa, da propaganda aos veículos. Todo mundo, de uma hora para outra, ficou meio “careta”.
Na minha opinião a revolução foi provocada por vocês. Por todos nós que usamos, produzimos e veiculamos conteúdo nessa sopa primordial de dados sem suporte. Nós somos o início de uma revolução sem par. Ela não começou em um dia ou local específico e absolutamente não pode ser mensurada.
As revoluções sociais são assim, elas começam aos poucos e são praticamente imperceptíveis em seus primeiros dias. A queda de Roma não aconteceu em uma terça-feira, a pandemia de AIDS não começou às 14h de um dia de agosto, o aquecimento global não tem data de aniversário e até mesmo para essa crise econômica mundial que se avizinha não é fácil determinar. Por mais que esperneiem os defensores da indústria do petróleo, a Idade da Pedra não acabou por falta de pedras, mas pelo surgimento de novas tecnologias para substituí-las.
É certo que a mídia de massa ainda é um segmento potente e influente da economia, mas não há dúvidas que ela já não é mais como era antigamente. O cenário fica bem pior se você imaginar as grandes empresas do segmento (Abril, Globo, McCann-Erickson) daqui a 10 anos. É preciso ser um otimista desvairado para acreditar que elas continuarão do mesmo tamanho que são hoje, e olhe lá. O mais provável, nesse cenário, é que elas estejam menores. Bem menores. Agora imagine-se investidor. Você colocaria dinheiro em uma empresa cujo melhor cenário em uma década seja permanecer como está? Acredito que não.
Sob esse aspecto fica mais fácil entender o apelo de quem (ainda) é grande em evitar o novo, em bradar que é valente, competente e potente, em usar os últimos fiapos de prestígio que ainda sobram para tentar garantir uma sobrevida. O novo é ameaçador, é preciso matá-lo enquanto ainda é pequeno.
A mudança, no entanto, veio para ficar. Estamos à beira de uma gigantesca mudança na economia. Não me refiro à crise financeira que abala os Estados Unidos e, com eles, todo o mundo. Essa crise, como todas as outras mudanças sociais, estava anunciada há bastante tempo. Nós é que, como os czares da mídia, nunca prestamos atenção nela e alguns ainda fingem que ela não existe.
Tsk.
A mudança de que falo é outra. Ela não é maior nem menor, apenas diferente. A plenitude de conteúdo que vemos hoje em dia torna desnecessária toda uma indústria que se alimentou da escassez de informação. Como bem o sabe qualquer estudante de primeiro ano de Economia, sem escassez não há valor. Sem valor não há mercado. Talvez seja por isso que ainda seja tão difícil promover políticas ambientais.
O tema é grande demais para um post. Continuo no próximo, semana que vem.
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A publicidade está vivendo o Momento Dourado para os criadores, só eles ainda não perceberam. Hoje pode-se fazer muito mais, mas não no velho modelo.
O consumidor hoje quer ser entretido, não quer descobrir o produto. Isso ele descobre no blog, no site, no programa de TV, com o vizinho.
O modelo novo vai criar simpatia e fazer o consumidor tender entre um ou outro produto bom, mas o ruim que se escondia atrás da propaganda, esse vai morrer. Não há campanha de mídia que reverta uma invasão de consumidores organizados, e se a Internet trouxe algo de bom foi a facilidade de organizar pessoas.
Ao ver, enojado, o tal embate entre as antigas raposas corporativas da publicidade, senti que todos os que andaram comentando aos quatro ventos da internet não sacaram a profundidade da questão como você, Luli, sabiamente captou.
Eis o “x” da questão: o modelo de publicidade monopolizadora, de filmes multi-platinados em horário nobre, com índices absurdamente altos de audiência, acabou. Junto com ele, diversas estratégias construídas em cima de tal poder estão morrendo e definhando, uma a uma, sucumbindo frente ao modelo atual de gestão de conteúdo multi-facetado e saudavelmente descontrolado da internet.
nossa! quanto destaque prum bate-boca safado e ensaiado de duas tias véias da publicidade…
Há muito tempo estamos falando nisso. Mas são precisos eventos como esses (da briga) para escancarar de vez que um modelo ancião está partindo.
Que bom que a esmagadora maioria só tem a ganhar. Consumidores, pequenos e micros anunciantes e nós, profissionais da comunicação.
Quem perde a gente já está vendo na crise financeira. São os mesmos que querem o petróleo a 120 dólares o barril.
O espetáculo protagonizado por eles terá novos atos, com novos personagens e o fim a gente já sabe qual será.
Parabéns pelo ótimo texto, Luli.
Abs
Secco
Muito obrigado a todos. Cardoso e Fabiano, é evidente que o modelo de comunicação de mídia de massa e nicho como um todo está irremediavelmente condenado. Sua queda ainda vai demorar um tempo, em parte por causa da má distribuição de renda que faz algumas pessoas viverem em três ou mais séculos durante um mesmo dia, dependendo do que fazem. O que importa é que a queda é cada vez mais visível.
Danitz, o destaque não é para o bate-boca dos dois. Poderia ser de dois dirigentes desconhecidos quaisquer, tanto faz. O importante é o que ele deixa transparecer nas entrelinhas: o desespero de uma indústria que já foi considerada o “quarto poder” e hoje está em franca decadência.
Acho que a questão é válida. Ela talvez não faça tanto sentido para aqueles que não estão no mercado, mas quem trabalha em agência e, principalmente, aqueles que já tiveram que em algum momento trabalhar em uma concorrência que envolvia o grupo ABC entende que a reação do Fábio Fernandes representa a reação do segmento como um todo. Talvez ele tenha sido um tanto passional, mas eu entendo. Se você vê o seguimento como um todo indo por buraco por conta de uma pessoa é bem simples entender tamanha raiva (é, eu não gosto do Nizo).
Não acredito que a discussão tenha sido um grito desesperado de dois dinossauros na propaganda por dois motivos óbvios, eles ainda não são dinossauros pois, assim como outros caras, eles estão na crista da onda daquilo que é produzido em termos de comunicação e, apesar de não terem o mesmo poder que um W nos anos 90, ainda estão anos luz à frente de uma Mari Moon ou qualquer outro blogueiro. Apesar de não gostar do Nizan concordo com a opinião dele de que o Brasil não é São Paulo e por mais que a nação do Ordem e progresso seja uma das mais conectadas do mundo, a presença da TV e do rádio ainda é extremamente relevante. Outra coisa é esses dois entendem as mudanças que estão acontecendo e capitalizam da maneira que acham mais conveniente e econômica. Não é a toa que a DM9 é e continua reconhecida como uma das agência mais importantes do meio digital (mesmo aqui na Inglaterra as pessoas sabem o que eles estão fazendo). Ou seja, assim como o Brasil continua sendo domindado pelas mesmas famílias por 500 anos é bem provável que os meios de comunicação também o sejam, não importa se é on ou off line. De qualquer forma, as pessoas, seja Fábio, Nizan ou Marcelo, entendem o valor das novas mídias, nem que seja um valor monetário, mas entendem. Achar que a discussão do Maximídia foi motivada por um medo do novo é um simplismo sem igual. Aquela discussão só existe porque o modelo de remuneração de agência é pra lá de anacrônico, não foi criado nem pelo Nizo, nem pelo Fábio, mas pela ABAP em algum momento na década de 80, e vem sendo usado, abusado e usurpado desde então, igual à contituição.
O que me intriga é que a pessoas ainda não entenderam que o centro disso tudo é o indivíduo…Gente de carne e osso. Me irrita essa noção do povo de internet (e agora que me tornei um de novo, posso falar com conhecimento de causa) de que todo mundo quer interagir com tudo. Isso é uma besteira sem tamanho..Se fosse assim, os cinemas, assim como as livrarias, meios frios por essência, estariam vazios…mas nao estão. A pertinência continua sendo a peça chavem assim como a boa idéia. Acho engraçado quando vem um pedido pra algo viral…algo viral não existe, o que existe é algo interessante que as pessoas vão querer passar para os amigos, assim como o filme da Xuxa (amor estranho amor) da década de 80. Tem coisas que simplesmente não acompanham o ritmo da tecnologia. O second life não deu certo pq é uma versão piorada do The Sims, talvez um dia dê, mas antes disso é preciso entender mais de Maslow e menos de http://www.
Pra fechar, acho que o Fábio perdeu, infelismente. Perdeu porque ama o que faz e reage de acordo com isso. Ser passional pode ser um problema grave, em público principalmente. Mas o Nizo perdeu faz tempo. Pergunta pra qualquer funcionário do grupo dele se eles gostariam de trocar de lugar com alguém da F/Nazca e você vai entender o que eu tô falando.
Infelizmente…antes que alguém me corrija.
Tsk, Lebrun, as Maris Moon da vida ainda irão surpreendê-lo. Antes do fim de 1995, o Bill Gates não fazia Browser porque não acreditava no modelo de negócio da Internet. Mordeu a língua, mas não fez direito. Hoje ele (aQuantive) é dono até de agência de propaganda.
Qualquer revolução é pequena em seu início. Ninguém na Roma antiga levaria a sério um Jesus e seu amigo Paulo. E no entanto…
Não acho que as coisas venham pra excluir. A noção de que a fotografia acabaria coma pintura se mostrou equivocada, assim como a TV com o cinema a internet com a TV e até mesmo a TV com o rádio (o que são os podcasts que eu ouço no trem todo dia?). Continuo achando que considerar o digital é a chave para toda e qualquer relação humana é subestimar a pessoa como peça chave do processo. É aplicar a teoria da bala mágica na internet. Um exemplo de como as pessoas nem sempre querem participar é o Evolution of Dance (102,485,073 de page views/245,349 comentários=0.234%=nada). Sim, elas clicaram pra assistir, assim como elas clicaram pra assistir o Dove Evolution, mas continuou sendo um meio frio…”só quero assistir, me deixa quieto”. Não quero defender os grandes meios, porque eu acho que polarizar é burrice. De novo, acreditar que Cristo é a chave de tudo é concordar com a inquisição (o problema é sempre como você interpreta as coisas e quão a sério você as leva). Talvez fosse muito mais válido traçar um paralelo entre indústria fonografica/cinematográfica, direitos autorais e internê…onde o bicho realmente pega.
Não quero ser o do contra, teria mandado uma carta se achasse que a internet é coisa só pra nerds, mas ainda acho e defendo que compreender o indivíduo ainda é mais importante que compreender o meio (a bolha estourou uma vez). ;-)
Murro!
Tudo isso me faz lembrar um pequeno debate ocorrido em sala de aula, com um de meus alunos, que ficou extremamente incomodado quando comecei a questionar a validade da existência física dos jornais, a médio-longo prazo, face a evolução dos sites noticiosos e blogs informativos. Ele representou aquela idéia conservadora, que uma mídia não é substituída pela outra e bla, bla, bla. Fico espantado em ver tamanha vontade de se manter um modelo ultrapassado, e mais ainda com a dificuldade de certos profissionais e estudantes em aceitar mudanças radicais. Vivemos e somos fruto de uma época nova, completamente revolucionária, que elevou a democratização do informação a um patamar sequer imaginado pelas mídias tradicionais; todos usam e abusam desse novo poder e, no entanto, possuem dificuldades em aceitar mudanças profundas na maneira de se fazer e pensar a propaganda? Ora, é melhor abrir a mente para tais mudanças, sob pena de perder o rumo do bonde da história.
Reescreva o texto retirando todos os bordões ou eu vou pensar que você é uma inseta do Nizan.
Pelo que entendi o umbigocentrismo do nizan falou mais alto e ele tentou se promover de novo as custas do debate e o fabio se emputeceu.
Agora… Se precaver é uma coisa, não investir no novo!? Putz!! O nizan deve estar virando amish.
Ótima reflexão Cardoso. O poder está mudando de mãos e o velho modelo está encontrando seu fim. That’s Evolution baby. O ponto de desequilíbrio foi ultrapassado e está gerando seus frutos. Os nichos vieram para segmentar as massas em grupos que não podem ser medidos como de maior ou menor valor, todos agora têm seu valor, resta-nos o desafio de saber como potencializá-lo para atender suas necessidades. Da massa para o indivíduo, esse é o desafio.
Aguardo ansioso seus novos posts sobre o assunto Luli. Só achoque faltou linkares no teu texto, em algum momento, o genial post do Marco Gomes sobre a revolução digital: http://marcogomes.com/blog/2008/eu-faco-parte-da-revolucao
Fabiano,
Não sei qual foi o teor do seu pequeno debate, mas traçar um paralelo entre o que eu disse e o seu aluno é basicamente não ter prestado atenção no que eu escrevi. Primeiro: eu entendo e uso mídias digitais e elas pagam o meu salário. Ou seja algum interesse eu devo ter nelas. Achei que tinha sido claro o bastante que o comportamento das pessoas é um pouco mais complexo que a simples aceitação do que é novo apenas pelo fato de ser novo. De novo (odeio ser repetitivo), compreender o que faz uma pessoa preferer um livro à um e-book só ajuda o segundo a ser mais bem sucedido no futuro, pq hoje não é. Outro exemplo é à cerca de música. Cd’s eram legais, MP3 são mais legais ainda e Apple tá fazendo dinheiro adoidado com isso. Mas o que leva tanta gente a compra dicos de vinil hoje em dia, a ponto disso ser considerado uma tendência? Pq tanta gente tem tirado foto com filme em suas Lomos e Holgas se algumas câmeras digitais são até mais baratas? É disso que eu tô falando.
O que eu acho conservadorismo é aceitar qualquer coisa, seja ela velha ou nova como verdade, porque na grande maioria das vezes não é. Talvez os jornais desapareçam, o mesmo com os livros, afirmar isso no entanto é fazer uma aposta similar à que o Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke fizeram ao produzir 2001 e a realidade, no entanto, está longe disso mesmo em 2009. Acho que visão crítica como essência é questionar a validade das coisas, mais do que se deixar deslumbrar por qualquer coisa que leva esse ou aquele nome fantasia (você usa todas as funções do seu microondas? Eu não.).
Grande abraço.
Rodrigo.
Boa, Luli! Bate nesses bêbados! O único problema da revolução é que mais uma vez as coisas acontecem e não há educação para ver mais oportunidades na crise. Aí fica esse bando de rico mal-educado, hidrófobos espumantes…
Bela percepção a sua… Hehehe… já ouvi gente dizendo que a Inglaterra até já divulgou extra-terrestres para tentar desconversar a crise, ou seja, o pessoal por lá é psicótico e tá alucinando enquanto aqui a galera tá só no surto histérico light…
PS.: Finalmente a opinião pública perde o vínculo com as indústrias midiáticas tradicionais e o quarto poder estará na mão dos… blogueiros! Nussss! Com falta de educação isso certamente será goooooogle epic… É como se, de repente, tivesse um novo continente ainda não descoberto aqui mesmo na Terra e ficamos inventando que existem monstros no caminho porque ninguém quer ir.
Sou designer e o que vejo são as inovações serem incorporadas as equipes criativas só quando são necessárias, ou seja, passamos 10 anos sem nem saber o que é Papervision3D, mas agora o cliente quer um Flash em 3D! “-Contrata um cara que saiba muito disso e paga R$ 1.500,00″… Infelizmente a inovação de idéias só é implementada quando começa a doer no bolso, e a urgência custa caro. Nenhum “Game Changer” revolucionário vai aceitar ganhar pouco. O mercado brasileiro criou um profissional caro por que a cultura do empresário é contratar os “produtores” e não os “contestadores”.
De qualquer forma, concordo que os velhos modelos estão com os dias contados. Ou as empresas se adptam a inovação ou estarão incentivando novos concorrentes em potencial. Mas como especialista em usabilidade, concordo que o foco deve ser no individuo, e o brasileiro não está preparado para absorver tanta criatividade. Esquecemos que a maioria da nossa população só vê TV e lê jornais populares (às vez nem isso). Se o produto precisa atingir a massa, pra que misturar coisas fantásticas e inovadoras? É um gasto inútil. Claro que não vou entrar no mérito da “exclusão social”, o marketing não deve pensar nisso, quem deve pensar nisso são os políticos e o povo em busca de cidadania.
A verdade é que frente às inovações ninguém mais sabe o que fazer… Tudo acontece muito rápido e o que o brasileiro faz é acabar copiando o estrangeiro para não ficar pra trás (o que muitas vezes se apresenta como um tiro no pé). Criar hoje é como a MTV americana ou a Nickelodeon, significa prever tendências e não construir tendências. Hoje é muito dificil criar uma necessidade, é mais fácil tentar entender o inverso, como a necessidade se cria, a inovação está relacionada aos desejos criados na sociedade, não é mais a publicidade que vai conseguir transformar estes desejos (até mesmo por que a quantidade de propagandas e informações é “bombástica”!).Tem um documentário muito bom da BBC sobre isso cujo nome não me recordo.
Não sou do ramo, sei quem são os protagonistas do filminho mas ando e ando para eles e ainda lhes atribuo a culpa de muita coisa ruim que vejo…
Mas vendo-lhes o seguinte conselho:
Primal Leadership:
The Hidden Driver of Great Performance by Daniel Goleman, Richard Boyatzis and Any McKee.
Trarar os funcionários por insetos é pior do que chamar sua namorada pelo codnome “gordinha”!
Que a crise está foda, está e não é de hoje, meu pai já me dizia “estuda que a coisa tá feia”, nos olhos dos patrões despreparados vemos o medo e em seus gestos o caos.
Muitas ferramentas foram criadas mas quem sabe usa-las não são mais os insetos ou os anti-éticos espertalhões, pessoas inteligentíssimas dispostas a serem lideradas trabalham duro e esperam recompensa, com tanto dinheiro em jogo o livre comércio só os favorece.
Para se prosperar nessa crise é preciso saber trabalhar em equipe ter humildade, amor ao próximo e visão das facetas subjetivas e objetivas do porblema.
Abraço e Parabéns.
A postura das agência deve ter empresarial, mas tendo como norte a criatividade e a ética.
Quem já trabalhou em uma das agências, comandadas pelo Nizan, sabe do inferno, do abuso, da falta de ética nas relações entre a empresa e seus funcionários, fornecedores, mercado e clientes. É uma verdadeira máquina de moer carne em busca de lucro imediato.
É o modelo do capitalismo predatório antigo e desgastado, que não mais existe nas industrias mas continua a existir em um segmento dito de ponta e moderno. Chega! Renovem o modelo.
Na verdade (caro Rodrigo Lebrun), o comentário que fiz não foi, necessariamente, dirigido ao teor de seu comentário ou de qualquer outro, mas sobre o debate, como um todo.
Ainda sobre o debate como um todo
Na minha visão, não há nenhum deslumbramento exagerado de minha parte, mas, se algo for realmente bom e inovador, a ponto de mudar para sempre a cara do mundo e das maneiras de comunicação entre as pessoas, não terei nenhuma culpa ou apatia intelectualóide em reconhecer e celebrar, isso sem dúvidas.
De fato, a internet (e mais necessariamente a web) não é totalmente usada, dentro de seu enorme potencial, e já causa um barulho danado. No momento em que for 100% viável (superando todas as barreiras físicas e limitações financeiras para se utilizar), muito do que hoje é considerado solificado se dissolverá no ar.
Historicamente, há aqueles que se arriscam no novo, movidos pelo combustível da novidade e do aperfeiçoamento dos modelos vigentes de sociedade e quebra de paradigmas, e outros, que assumem uma postura conservadora por medo do novo ou por pura falta de visão.
Luli, grande texto. Acho que esse papinho dos figurões reflete mais desespero que compreensão do que realmente está acontecendo. Na prática sabemos que os “deuses” da propaganda raramente descem de seus altos saltos, seja qual for o motivo.
O que mais me irrita na verdade não é a briguinha de quem cospe primeiro entre os dois, mas os clientes, grandes, com dinheiro no bolso, continuarem nessa mesmice. Esses caras (agências) ainda ganham muita, mas muita grana fazendo mais do mesmo e os clientes continuam achando tudo lindo, coisa de gênio ou algo do tipo.
Falta um pouco de inteligência também no mundo corporativo para arriscar, deixar preconceitos, investir em algo inovador. E isso, infelizmente, ainda vejo muito pouco. O movimento não tem de ser das agências, mas dos clientes. São eles que vão forçar as agências e publicitários a serem mais ousados, inovadores, diferentes. E isso ainda não acontece por completa ignorância em relação a toda essa transformação que você descreveu. Bora agora ler a segunda parte!
Ótimo tema, parabéns Luli…
Gosto do conceito de crise grego, da palavra “crisis”, mudança.
Mas mudança para mim é como a cena do naufrágio do Titanic, alguns tentam se sustentar usando de “ferramentas” que em um momento de mudança, não teriam como funcionar pois os parafusos não mais se encaixam, e o pânico se alastra.
Nitidamente o medo ao deus da mudança, os pegou, vejo isso com ótimos olhos, porque aquele cara ali, que não tinha ferramentas, acabou de ver uma prancha e vai sair dessa numa boa, em silencio, observando o delírio dessas pessoas que adernam o bote salva-vidas com o próprio peso de seu medo à mudança, vai montar o novo barco, quem sabe mais leve agil.
Acredito nos bons ventos.
Tenho quase 50 anos e mais do que só o bacharelado em Psicologia. Fiz curso técnico em publicidade na Itália, e fui casada com publicitário, isso no século passado, no tempo em que, vc diz, “era chique”. Hoje, pra mim, chique (xique?) é a Severina, “que botou uma butique para a vida melhorar”. Acho que esses caras covardes, que estão com medo de não ter grana pra pagar o botox de amanhã, tem mais é que se f*. Um bom choque de realidade dói, mas faz um bem danado pra alma da gente.
Desde que me entendo por gente este país está em crise. Tinha até um programa de TV chamado “Vamos sair da crise”. Só melhorou um pouquinho de uns anos pra cá, com a estabilidade da moeda, mas a verdade é que nunca “chegamos lá” (onde fica esse “lá”, não sei).
Fomos forjados na crise, e ninguém no mundo está mais preparado para lidar com a crise do que nós, os pobres.
Esses caras enriqueceram com a(s) crise(s) (e patrocinar escola pública não é mais que obrigação, devia ser guardado em segredo, como uma vergonha, vergonha de “roubar e não poder carregar”)
Como o Rodrigo, acredito nos “bons ventos”.
Crise a gente come com farinha.
Quanto pior é o produto/serviço mais publicidade ele precisa.
morro de medo das pessoas que pregam “acabou” para alguma coisa, do mesmo modo como das pessoas que gritam que “as coisas nunca irão mudar”. edgar morin, todos os dias, para ambos.