
“Em meados da última década do século passado, a tal da Internet era uma coisa nova, meio mágica, meio coisa de micreiro. Ninguém sabia direito o que fazer com ela ou onde ela poderia chegar. Mesmo assim, por todos os lados se dizia que lá estava uma coisa grande, que poderia ser até maior que a televisão, embora ninguém realmente acreditasse. Nem mesmo quem escrevia bobagens deste tipo. De qualquer forma, até a poderosa revista Veja tinha dedicado uma de suas capas ao assunto (tudo bem, era justamente a edição que circula no domingo de carnaval, não exatamente uma das mais populares ou vendidas, mas aí também já seria querer demais). Por todos os lugares se dizia que a Internet é a resposta. Mesmo que praticamente ninguém soubesse para que pergunta.
Para alguns rapazes e moças recém-saídos da faculdade nos principais centros urbanos do país, a pergunta era clara: ‘como vou descolar um emprego ou uma grana?‘. Devido à recessão econômica que acompanhou os anos Collor, não era exatamente fácil respondê-la. Mas ao ver que a tal da nova mídia assustava aqueles velhos com mais de 30 anos e que, no fundo, não era tão difícil assim de se fazer, a resposta ficava cada vez mais clara. Um computadorzinho simples, uma placa de fax-modem e um acesso a uma BBS e eles se transformavam em visionários, aventureiros ou, principalmente, ‘geninhos‘, títulos bastante adequados a egos com não muito mais que duas décadas de vida. Assim, muitos deles perceberam que era mais fácil montar suas próprias empresas de Internet que tentar a sorte no mercado.
Naquela época ainda não existiam os garotos do ICQ ou do Linux ou do Napster, mas exemplos de jovens bem-sucedidos com empresas de garagem não faltavam, principalmente importados dos Estados Unidos…”
Trecho do meu capítulo no livro “e-causos“. Lançamento amanhã (terça, dia 16/9) às 19h, na Livraria Cultura do Shopping Villa-Lobos.
Cola lá que vai ser legal.
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Caro Luli, acabei de ouvir sua entrevista com o Serginho, EXCELENTE explanação sobre vida digital, parabéns!