Cultura Digital, Palestras e entrevistas

Londres, parte 2

Pra você que acha que eu estou “de férias”, saca o mapa de quarta-feira:

O dia começa com a KentLyons, em uma conversa animada e de altíssimo nível com o Jon e o Noel. Falamos sobre as diferenças entre as diversas mídias, projetos de design inovadores e mídias pra lá de alternativas. A idéia de que o designer tem que ser parceiro de seu cliente é, sem sombra de dúvida, o que eu mais ouço nessas entrevistas. Em um momento eles levantaram uma questão fundamental: as marcas não falam com os clientes. Design é compreensão, é preciso entender o ambiente em que se está. É disso, e não de uma ou outra firula gráfica da moda, que tratam os melhores profissionais da área. Mas que diferença para os publicitários…

Pude comprovar essa diferença na entrevista seguinte, feita com o diretor de criação global da Saffron, Eric Scott. A expectativa era grande, afinal o cara tinha sido diretor de criação da Apple e até agora as entrevistas tinham sido excelentes. Pois não é que foi uma gigantesca decepção? Um almofadinha arrogante, vomitador de frases feitas, com cara de quem achava tudo um nojo. Inacreditável. Ou não. Na verdade ele tinha a personalidade parecida com a de muitos donos de agências de publicidade do Brasil que, ao longo da carreira, vim a conhecer. Agendaram uma conversa com ele que se estenderia para a hora do almoço. Depois de vinte minutos, cheguei à conclusão que era uma gigantesca perda de tempo continuar ali. Inventei uma desculpa qualquer e fugi dali, parando para comer um sanduíche no meio do caminho.

Com isso me sobrou um tempo antes da próxima entrevista. Para relaxar, nada melhor que uma boa dose de Rembrandt. Quando percebi, já estava na National Gallery:

Rembrandt

Tio Shakespeare diria “What a piece of work is a man, how noble in reason, how infinite in faculties

Revigorado, fui trocar uma idéia com o Áthila, que hoje é diretor de criação da R/GA - que, se você não sabe, é responsável, entre outras coisas, pelo Nike+iPod. Veja bem: não é pela criação da campanha de divulgação do produto, mas pela concepção do produto em si. É impressionante o escopo dos produtos de design hoje em dia. Com ele troquei uma idéia sobre o mercado, a criação de produtos diferentes e a repercussão do trabalho brasileiro fora do país. Muito bom.

Da esquerda para a direita: Eric Scott, Áthila Armstrong e Claudio Toyama.

Para encerrar o dia com chave de ouro, corri para o Hotel Hoxton onde fui trocar algumas idéias com o Claudio Toyama e ouvir suas opiniões sobre pesquisa, interação e design. Foi uma entrevista muito bacana, em que ele me contou de seu trabalho na Equilibrio inc, a importância de se interpretar direito uma pesquisa e do valor estratégico da comunicação. De todas as entrevistas, foi a com visão mais próxima do ambiente corporativo e de resultados de negócios - e sem dúvida uma das que eu mais aprendi.

Exausto e com uma feliz sensação de missão cumprida, fui comer um peixe em um de meus restaurantes preferidos e correr pra cama, poi no dia seguinte teria que acordar de madrugada para voltar a Amsterdam. Ufa!

Parece museu, já foi borracharia e hoje é um restaurante descolado.
A síntese da experiência londrina.

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desça a lenha:

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