Design, Inovação

Lindo, simplesmente

Sábias palavras, Rita Lee.

Uma confusão recorrente com relação à função do designer é acreditar que ele é responsável pela criação de coisas belas. O termo design, que muitos acreditam ser sinônimo de desenho, na verdade é um pouco mais abrangente do que isso: ele também diz respeito a “projeto” e “desígnio”. Em uma definição resumida, o design é uma forma visual que segue um roteiro bem determinado em busca de um objetivo. Nesses termos, Vinicius que me perdoe, a beleza não é fundamental.

Isso não significa, claaaro, que a feiúra seja um valor. Mas dá uma boa pista do porquê é comum se “enjoar” rapidamente de algumas coisas, pouco importa a sua beleza. Também explica a popular expressão “bonitinho, mas ordinário”.

Em um mundo de crescente especialização, que é cada vez mais difícil alguém se responsabilizar por todo o processo, essa função “holística” do design precisa ser mais detalhada, para que não fique hermética. Dá vontade de falar na pirâmide de Maslow, mas para que o post não fique muito comprido, me restrinjo a citá-la abaixo e fazer dela uma interpretação bastante aplicável em design:

Pirâmide de Maslow

Com base nela, dá para dividir o design em três tipos:

  • Design de experiência busca respostas viscerais. É aquilo que os sentidos percebem imediatamente: aparência, som, movimento. A resposta psicológica também é imediata e potente: ela exprime como o usuário quer se sentir. Está ligada a sua auto-estima e idéia de eficiência.

Jenniffer
“Uau, como isso é bonito / cheira bem”.
Jennifer Connely não é muito diferente de um saco de pipocas

  • Design de finalidade busca respostas comportamentais. Seus produtos ou serviços representam a legítima “extensão do homem” e estão diretamente ligados à usabilidade e aos objetivos que ele pretende realizar.

Câmbio Automático
“Não sei como conseguiria viver sem isso”
. Câmbio automático, ar condicionado, telefone celular são vistos como “frescura” até que você os tenha.

  • Design de estilo de vida busca respostas aspiracionais. É o mais difícil, pois pretende construir relacionamentos de longo prazo. Representa as aspirações pessoais que se estendem muito além do contexto do produto. Quem os tem busca “ser” algo.

Harley
“Você tem que entender, meu bem, que esta não é qualquer moto / caneta / câmara / bolsa”.
Fica muito mais fácil explicar o fenômeno iPod/iPhone desse jeito.

Até aí parece óbvio, mas vale a pena destacar que nessa sociedade de valores platônico-judaico-cristãos ainda repressores, é “feio” e pega mal, perante tanta injustiça no mundo, alguém gostar de algo belo, simplesmente. Pior ainda aquele que gosta de um símbolo de status para lhe reforçar a auto-estima. Por isso as pessoas mentem descaradamente: para si mesmas, para seus entes queridos, para as pesquisas de mercado:

Desejo e declaração

Nessa linha de raciocínio torto, o único investimento que parece justificável é aquele que, por obedecer a uma finalidade específica, admite uma explicação racional. Compram-se Armanis e MontBlancs por sua “qualidade”, não por serem belíssimos símbolos de status.

“Até aí, cada um com sua consciência”, diria você. E eu não tenho como negar. Mas se você trabalha com comunicação, tome cuidado: pode ser que aquele produto que não venda bem esteja a usar os argumentos errados.

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