Qualquer profissional que tenha mais de 15 minutos de experiência na área de Comunicação e Marketing digital já deve ter aprendido a repetir o chavão que a “Internet é uma rede de pessoas“. Mesmo entre os que ainda não têm tanto conhecimento já é comum a idéia que a mídia social é, cada vez mais, o ambiente a que o consumidor recorre antes de tomar uma decisão de compra. Se todo mundo sabe, não soa estranha a idéia de “receitas” de inovação ou “dicas de sucesso” para ações de Marketing em redes sociais?
É interessante como muitas empresas sérias de comunicação, ao entrarem no ambiente digital, parecem abrir mão de tudo que foi aprendido ao longo do século XX e recorrer a práticas que dariam vergonha aos vendedores ambulantes de Óleo Glostora e criadores de cartazes de Rhum Creosotado. Hoje não é incomum mentir desapegadamente - para o consumidor, para o cliente, para o mercado, para a comunidade.
É uma prática perigosa. Ela queima o anunciante e o meio e gera uma resistência furiosa entre o público. Nociva feito um cigarro ou um vírus, essa prática parece gerar resultados a curto prazo, com altos índices de visitação, recall e clicktrough. Só que esse clique é menos estável que o capital especulativo, e costuma ir embora mais rápido do que veio. A médio prazo sobra uma sujeira generalizada na imagem da marca, do veículo e do meio. Daí não tem código de ética ou santo que resolva: o mal está feito e a limpeza vai custar muito, muito mais caro.
Algumas práticas razoavelmente simples e de bom senso podem ajudá-lo a escapar dessa armadilha de marketing fácil. Minhas sugestões são:
- Não engane o consumidor - você não é banco nigeriano nem policial da receita e ele vai acabar descobrindo.
- Você não é mais esperto que ninguém - a tecnologia que era de ponta em 2001 hoje é usada por sua avó para se comunicar com parentes em Pindamonhangaba. A linha que separa o “já foi” do “já era” é tênue.
- Gere valor, não mais sujeira - ajude, simplifique e eduque seu consumidor sempre que possível
- Ouça, não finja que ouça - se abriu um canal de comunicação, use-o. Saiba que é impossível fechá-lo e que ele já estava aberto antes de você tomar a iniciativa.
- Não tope tudo por dinheiro - mesmo que você ache que não tem ninguém olhando. Tem sempre alguém olhando, acredite.
- Seja explícito - você não ODEIA “informe publicitário” em jornal? Não ABOMINA spot de rádio que finge ser uma ligação telefônica? Então.
- Trabalhe sua reputação - seja consistente, coerente e confiável. Na dúvida, faça o contrário de certas marcas, que jogam uma pá de cal em sua marca a cada semana.
- Não chute nem suponha - a segmentação de mercado abre espaço para um trabalho cada vez mais sério com Personas e pesquisa. Se você discorda, lembre-se do tópico 2 desta lista.
- Dê mais do que lhe pedem - já que o espaço é ilimitado e o consumidor fez um enorme escforço para ir até você, recompense-o.
- Não faça aos outros o que você não gostaria que fizessem com você - essa é a regra de ouro. E no entanto muita “agência digital 2.0 de inovação” continua a gastar em banners que ninguém lê e a descarregar 700 exposições diárias em uma mesma página. Azar do cliente, azar do consumidor. Com a comissão embolsada, quem se importa?
Simples, não? Na verdade são regras de boa educação que funcionam desde que o mundo é mundo. Acredito que enquanto nos comunicarmos com pessoas elas devem continuar a valer. No próximo post eu desenvolvo cada um dos tópicos.
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Eh meu rei…
Faltou escrever esses “10 mandamentos” numa tábua e entregar a algum profeta, pq as dicas ae são no mínimo essenciais para a sobrevivência no mercado moderno!
+1 post “daqueles”
Parabéns Luli!
É meu chapa, infelizmente esses 10 mandamentos não estão colados na maioria das agências digitais.
Precisa-se mudar a cabeça das agências E dos anunciantes, senão não adianta nada né?
Um ótimo post!! Qualidade do conteúdo indiscutível.
Abraços
Obrigado, Felipe e André. Mas se eu chamasse essas práticas de “Mandamentos”, contrariaria o item 2. Justo o tópico que praticamente sintetiza todos os outros.
talvez eu esteja chutando cachorro morto, mas em 99 fizeram um tal de cluetrain manifesto, que anda bem na moda hoje em dia. É praticamente uma expansão disso tudo. Vale a pena perder uns minutos lendo. http://www.cluetrain.com/
Melhor do que o texto e os 10 pontos - já excelentes -, foi o comentário complementar:
“Obrigado, Felipe e André. Mas se eu chamasse essas práticas de “Mandamentos”, contrariaria o item 2. Justo o tópico que praticamente sintetiza todos os outros.”
Luli,
Já publiquei esses números no meu blog, veja que interessante:
Nos últimos 2 anos, a confiança em “pessoas como eu”, triplicou de 20% para 68% (Edelman)
95% dos consumidores acreditam mais na recomendação dos seus amigos do que em qualquer outra fonte (Forrester)
77% dos e-consumidores utilizam as resenhas e avaliações quando compram (Jupiter)
80% dos clientes on-line depositam mais confiança nas marcas que oferecem comentários dos usuários (Vizu / Bazaarvoice)
Ética? No Brasil? Na publicidade?
O marketing digital não é nada, comparado com as propagandas de tv que só fazem enganar.
Maquiavel já dizia que, corrupção e política, sempre estarão lado a lado.
abraz
Excelentes números Tiê. Eles fundamentam os argumentos com fontes pra lá de sérias. Você tem como passar os links dos estudos, assim as referências ficam todas juntas?
De qualquer forma, muito obrigado.
Luli, realmente são regras tão simples e tão válidas…
O negócio é que elas nem são novidades, já se ouvia muitas dessas coisas (sem a ênfase no digital) de pai, mãe, avô e pessoas com ética no trabalho.
Isso funciona tanto no digital quanto no físico.
O problema é que as pessoas se esquecem disso levianamente, uma pena.