Meu grande amigo Juliano Spyer me convidou para assistir à gravação do programa Roda Viva, da TV Cultura, que entrevistava o Steven Johnson (atenção, não é este Steven Johnson, como bem me lembrou o Ricardo Anderaós). Já tinha lido três livros do cara (Cultura da Interface, Emergência e Everything bad is good for you) e até já tinha falado dele neste blog. Desmarquei o que tinha para aquela tarde e corri para lá. Estava um daqueles dias bonitos em SP que me fazem pensar como é bom morar em Amsterdam.
O programa, gravado há duas semanas, foi ao ar ontem. Acredito que a intenção do cara era promover seu novo livro, como fez nas conferências TED (abaixo). Não conseguiu. Em época de CampusParty e cercado de jornalistas de tecnologia, teve que se concentrar no tema que o popularizou. Para mim, foi melhor. O controle da Cólera na Londres vitoriana é interessante, mas nada que justifique o trânsito da Marginal Tietê. E eu já tinha lido o livro do Barabási, que cobre melhor o tema.
A seguir, minhas notas. As reproduzo porque não acredito que você tenha levado papel e caneta para a frente da TV em uma noite de segunda-feira, e que talvez tenha se arrependido disso:
- Johnson começa em 10 minutos. Ele tem cara de nerd, divertido :D
- Saco de maquilagem, minha cara coça. Sinto pena do Justus.
- Começou. O cara leva a vida que eu queria.
- A Atlantic Monthly, quem diria, virou reacionária.
- Interessante o ponto dele sobre games. Faltou dizer que o jogador toma decisões o tempo todo.
- Faltou dizer que o Wii não substitui o esporte.
- Ele defendeu uma idéia bacana: o consumo balanceado de mídia: não só livros, nem só games. Interessante.
- Cada vez que ouço os críticos do digital eu me sinto na Idade Média. Como a visão deles é radical. E ruim.
- Johnson também não bloga sobre sua vida pessoal. Gosto cada vez mais do cara.
- Ronaldo Lemos pergunta sobre o papel do Estado. Boa pergunta, mas para a pessoa errada.
- O esporte é tão violento e alienante quanto os games. Excelente!
- AGORA ele falou o que eu queria ouvir: que videogames estimulam o processo de tomada de decisões.
- Games como editoriais podem ser úteis ou gimmicks, depende da velha relevância.
- Ele poderia dizer que games são aplicações do Construtivismo, muito aplicáveis em sala de aula.
- A banca de entrevistadores é boa, mas composta apenas de jornalistas de tecnologia, que têm um ponto de vista similar, aí tem pouco debate.
- A multidisciplinaridade (presente nos livros do Johnson) é uma característica da pós-modernidade, e, naturalmente, do digital.
- O assunto é desviado para a obra do Kurtzweil. Johnson responde que ainda não se sabe o suficiente para se poder sintetizar consciência. Boa!
- Tecnologia é transparência. Os cartões corporativos do governo são um exemplo.
- Acho que deve ter um alto índice de daltonismo nos EUA. Como o cara se veste de tênis e paletó pretos, calça bordô pulabrejo e camisa azul? …
- Obama foi aluno do Mangabeira Unger e do Lawrence Lessig. Meu candidato, se eu votasse lá.
- Fala-se muito de conhecimento colaborativo, swarm, bottom-up, unix, cc, wikipedia. Mas as empresas de maior influência são Apple e Google.
- Perguntaram se ele já enjoou da Internet, ele disse que a blogosfera cobre melhor que ele o tema.
- Dado interessante: nos EUA diminuii o digital divide mas aumentou a diferença entre ricos e pobres.
- Acabou. Ele disse que veio ao Brasil para o Campus Party. Cabe aos campuseiros dissecá-lo.
- Melhor comentário da entrevista: as pessoas devem manter um consumo balanceado de mídia. Nem só livros, nem só Internet.
Outro dia eu comento e desenvolvo um ou dois pontos desta lista.
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pozé… eu mandei os posts abaixo na lista submidialogia quando avisaram do roda-viva:
“é, sei lá.
quando tava começando a me interessar por tecnologias
de colaboração online, alguém deixou no meu blogue um
comentário com um link pra um artigo do nynma.org que
tinha um pedaço do emergence, que ainda nem tinha
saído no Brasil. li e achei _muito_ bom. depois de um
par de meses achei sem querer em uma biblioteca o
cultura da interface. gostei tanto que dei um de aniversário
pra um grande amigo que morava em outra cidade. depois,
saiu o ‘emergência’ em português, e achei muito bom.
principalmente porque era até didático em alguns assuntos
que eu sempre tinha dificuldade em explicar pra quem não
estava dentro da web colaborativa (isso tudo antes de
aparecer essa bolha especulativa da ‘web 2.0′ e tal). só
que daí pra frente, sei lá: ajudei uma amiga a comprar o
‘mind wide open’ em inglês. ela era uma das pessoas pra
quem eu tinha mostrado os dois livros anteriores, que ela
gostou muito. quando chegou o ‘mind wide open’, ela falou
tão mal que nem tive vontade de ler. folheando, tive a
impressão de que o livro era pretensioso demais… que
António Damásio e Humberto Maturana tinham ido muito
mais fundo sem a pose do Johnson. E ano passado achei
numa promoção da cultura o ‘Surpreendente’ por tipo
10 reais. Comprei e passei pelo livro inteiro em menos
de uma hora, com a impressão de que era mais um
desses muitos livros americanos que passam 300 páginas
repetindo de diversas formas um argumento que pode ser
explicado em no máximo 10 (tipo o tipping point, o cauda
longa, e mais um monte).
Daí que perdi um pouco a vontade de acompanhar o Johnson.
Fora que o blogue dele é um saco.”
e depois:
“fora que apesar de ter alguns amigos meus
ali entre as pessoas que vão participar, nenhum
deles parece que faria algum tipo de critica ao
que o johnson escreve/fala.”
Concordo 100% com você, efeefe, acredito que as pessoas deveriam falar sobre o que entendem. Nessa linha, acho os livros “Cultura da Interface”, “Emergência” excelentes e mesmo o “Everything bad…” muito bom.
O “Mente aberta - mind wide open” é um lixo e esse novo eu não li e não gostei. O blog dele, concordo, é meio xarope e inconsistente.
Mas nada disso tira o brilho e o mérito dos três livros citados acima ou mesmo da entrevista do Roda Viva que, por focar neles, foi muito boa.
Que bom, porque os únicos livros que li dele foram esses três, mas tenho vontade de ler o Ghost Map. O que me decepciona é o cara vir até aqui pra responder perguntas bobinhas da maioria dos entrevistadores, o máximo que o Johnson desenvolveu foi aquilo que já li nos livros, como o consumo balanceado de mídia que ele fala no Surpreendente (sim li a maldita tradução desse)…
Fiz uma das perguntas, mas acabei não assistindo…
Pelas suas notas, acho que minha intervenção deve ter levado ele a dizer que ‘a multidisciplinaridade é uma característica da pós-modernidade, e, naturalmente, do digital’. (Foi isso mesmo?)
E por falar em multidisciplinaridade, acho que é esta perspectiva que leva o Johnson a flexibilizar radicalmente o ‘fio’ temático de seus livros. Dessa forma, a meu ver, ele exercita a utilização de prismas diferenciados para observar o fenômeno da cultura digital — o que me parece válido e útil.
Esta radicalidade poderia também explicar porque gostamos tanto de alguns de seus livros, enquanto outros simplesmente não ‘funcionam’. Em ‘Mind Wide Open’ me parece que ele tinha uma premissa — a de que seria possível ‘observar’ o próprio cérebro em funcionamento. Não rolou…
Todas as palestras, inclusive a do St Even
http://portal.vanzolini-ead.org.br/
Cara, peguei só um pedacinho da entrevista. Cheguei cansado em casa e ainda tentei acompanhar mas o sono pegou antes de terminar. Valeu pelas anotações, vi que não perdi tanto assim.
Adorei a parte de “nem só livro, nem só internet” também, acredito que não se pode ficar “preso” a fontes únicas, devemos ler, experimentar, tentar, errar (porque não?) para formar nossa própria opinião ao invés de ter um cérebro de “copy and paste”.
boas notas, me fizeram descobrir porque acheio o programa chato. Johnson ao vivo foi mais divertido e interessante.
Em tempo: preciso colocar a leitura em dia… hehehehe
bj
Oi Luli,
Pior que eu levei papel e caneta pra frente da TV :) As anotações dão assunto para postagens por pelo menos um mês…
Abraço,
Gilberto Jr
Você tem razão Gilberto. Eu quando anotava a palestra do homem pensava nisso também. Aí percebi que eu jamais escreveria esse mês de posts e desencanei. Fica a dica para quem quiser.
Lucia, o que acho mais legal da minha estante é que nunca conseguirei colocar minha lista de leitura em dia :D
Putz, cada vez que ouço falar dessa entrevista me arrependo ainda mais da memória fraca… Estava na campus-party, e também havia sido convidado a ir ao programa… Mas a profusão de coisas na campus-party me distraiu e quando percebi já tinha perdido a hora, e perdi também a oportunidade de conhecer um dos caras fodas que admiro em terras tupiniquins.
Mas oportunidades não faltaram, e no interminas trocamos uma ideia… :)