
(posers)
Com a volta de Lost, voltam todas as elucubrações sobre os desdobramentos da série, seu impacto na mídia, o futuro dos formatos de entretenimento e palpites variados. Volta também a frase “live together, die alone”, que teria sido dita pelo dr. Jack em um dos primeiros episódios da série e reproduzida em praticamente todas as mídias.

Há de se convir que é uma frase melhor para se vestir que “save the cheerleader, save the world”, a não ser que você seja uma cheerleader. Mas daí não leria este post. Chega de divagação, voltemos ao assunto.
Gosto de Lost, mas não a ponto de me preocupar com seu enredo mais do que algumas horas depois de cada episódio, muito menos a ponto de escrever sobre a Dharma Initiative, embora ache o nome e o conceito por trás dele interessantes. A frase, no entanto, ficou batucando na minha cabeça. A idéia de viver juntos e morrer sós não me era estranha, mas não tinha sido ali que eu tinha ouvido pela primeira vez.
Como na famosa música dos irmãos Gershwin, em que um ritmo persegue um compositor o dia inteiro, não deixando que o pobre coitado faça mais nada, essa frase também começava a me incomodar. Fui atrás dela, então, nem que fosse para conseguir finalmente esquecê-la.
Na realidade o que o dr. Jack fala é *“If we can’t live together, we will all die alone”* (se não conseguirmos viver juntos, morreremos todos sós), um conceito metafísico com a profundidade de uma folha de papel sulfite (de 75g/m2, talvez). E, em sua essência, errado: todos nós vivemos e morremos sós, pouco importa o que façamos.
Depois de um tempinho vasculhando a memória, me lembrei de alguns livros que li na época em que a Internet era mais tema de filosofia que de negócios. Falava-se muito em Timothy Leary, Terence McKenna e Aldous Huxley, entre outros. Deste último vale destacar um trecho bacana de seu livro Portas da Percepção:
“Vivemos juntos, e agimos e reagimos uns aos outros; mas sempre e em todas as circunstâncias, estamos por conta própria. Os mártires vão de mãos dadas para a arena; são crucificados sós. Abraçados, os amantes tentam desesperadamente fundir suas êxtases insuladas em uma só auto-superação; em vão. Por sua própria natureza, cada pessoa é amaldiçoada a sofrer e gozar em solitude.
Sensações, sentimentos, insights, imaginações — todos são privativos e, exceto através de símbolos e em segunda mão, incomunicáveis. Podemos acumular informações sobre experiências, mas nunca as experiências em si.
Da família à nação, cada grupo humano é uma sociedade de universos insulares”
(Se você nunca leu Huxley mas achou esse trecho familiar é porque eu o reproduzi no meu livro Design/Web/Design:2)
E o que isso tem a ver com Internet, afinal? Na minha opinião, a busca pelo compartilhamento é essencial ao ser humano, já que ele está condenado a ser só. A rara exceção talvez esteja nas mulheres grávidas, e, mesmo assim, por um breve período.
Como não podemos nos fundir aos outros, buscamos formas de relacionamento que nos façam sentir parte de algo maior. Talvez aí esteja a força de uma Blogosfera, de uma Wikipedia, de um WoW.
Talvez não. De qualquer forma, o ato de especular faz bem aos neurônios. Isso, certamente é um dos responsáveis pela popularidade de Lost.
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Esse post me lembrou na hora de Donnie Darko…
Donnie diz para sua psiquiatra: “every living creature dies alone”
Donnie Darko, que filme! Um filme B com dinheiro!
Luli
Save the cheerleader? Live together?
Precisamos e’ de uma linha da Hering com “O mineiro so’ e’ solidario no cancer” ou o bom e velho Lima Duarte berrando “caralhinhos voadores”
Ave, Nelson
Tsktsktsk…
Huxley é sensacional, mas nunca li esse livro especificamente. Caramba… preciso comprar. Já voltou de Riad? Bjs
Pra mim, Thiane, a combinação dos livros “Portas da Percepção” e “Céu e Inferno” são os melhores livros do Huxley. E a tradução não é nada má.
[...] um post do Luli — “Live together, die alone” — encontrei o trecho do livro de Aldous Huxley, As portas da percepção que descreve muito bem o [...]