Cultura Digital, Tendências

As tendências e o trem da história

E novamente eles chegaram com inspiração. Depois de mandarem maravilhosamente bem com o mapa da infovia, versão metrô, os Arquitetos de Informação japoneses mais uma vez conseguiram mostrar o que os trendwatching, cool hunting e outros analistas tentam o tempo todo: um mapa de interação entre as principais tendências, em um belíssimo diagrama à linhas de trem.


Mapa clicável. A versão para a impressão está aqui.

Esse mapa, é claro, não elimina a análise mais profunda e constante realizadas por gente bastante competente, como o pessoal da Springwise, muito pelo contrário. Mas ao conseguir a façanha de mostrar espacialmente as principais ondas que fazem os mares de hoje tão turbulentos, ele traz uma visão global muito mais fácil de se entender que os calhamaços de análises de pesquisas de comportamento.

Eis um bom exemplo da importância do design em um mundo cada vez mais repleto de informação. Se você alguma vez já se perguntou por que a pilha de papel só aumenta à medida que a revolução digital se consolida, por que precisa rabiscar diagramas quando tem muitas coisas na cabeça ou ainda por que às vezes a tela do computador parece limitada como espaço para se ter idéias, saiba que isso não é uma limitação ou bloqueio seu, mas uma característica da forma com que processamos informação.

JesusAs imagens são sintéticas e apresentam uma hierarquia entre os elementos bastante evidente. Quanto mais complexo o sistema, mais evidente fica essa característica. Uma parábola é mais fácil de entender que uma tabela de dados ou uma equação. A imagem de um rosto é mais fácil de assimilar que a melhor descrição de suas características, e o exemplo à esquerda dispensa apresentações.

Algumas pesquisas mais recentes sobre a cognição começam a mostrar como a percepção humana reage melhor ao zoom que à estrutura tão popular de páginas para navegar e interligar.

O TED é o terror dos especuladores domésticos, suas apresentações são um vício.
Alguma alma desapegada deveria legendá-las.

Esta apresentação do Blaise Agüera y Arcas, criador da interface zoom Seadragon mostra como ainda somos uns neandertais do digital e quanta coisa boa ainda está por vir. Para maiores detalhes, essa excelente matéria da Newsweek desenvolve melhor o tema que eu abordei superficialmente ao discutir interfaces.

Interface Minority Report

É estimulante imaginar que daqui a alguns anos vamos olhar para os gadgets de Minority Report com a mesma simpatia e desprezo que olhamos para os aparelhos de comunicação de Star Trek e os computadores de 2001. E algum velho por perto vai acabar dizendo: “Pois é, e naquela época eles eram considerados protótipos ultramodernos”.

headset

É o que eu sempre digo: ainda bem que o darwinismo digital é cruel.

Mil perdões pela ausência prolongada. É bom estar de volta.

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