Carreira

10 dicas de autopromoção

O ano começou fervendo, a tal ponto que daqui a um tempo o marasmo de Janeiro vai virar lenda urbana.

Nesse ambiente de competição desenfreada, muitos bons profissionais ficam perdidos ao perceberem que podem ter perdido o trem dos bons negócios, já que nada relevante parece acontecer. No entanto, enquanto uns reclamam da falta de receptividade dos clientes, em um nhenhenhém de fazer inveja às tias solteironas e aos nerdolas gordos sem namorada, outros simplesmente acumulam novos jobs com grande despudor.

Antes que você se pergunte, já aviso: não há fórmulas para se tornar conhecido ou atrair clientes. Mas da mesma forma que em relações afetivas, se você pretende ser escolhido é preciso estar visível na medida certa. Separei algumas dicas entre práticas que realizei, idéias que tive mas não pus em prática, coisas que li e atitudes de amigos e concorrentes.

  1. Arrume a casa - pode ser muito romântica a imagem de um artista bagunçado, com a barba por fazer, trabalhando em um estúdio que é a maior confusão e cujas peças sejam incríveis, mas isso é fantasia. Além do mais, o dinheiro - em especial o dinheiro de seus potenciais clientes - não costuma se comover com romantismo. Como está seu cartão de visitas? Seu portfólio? Sua papelaria? Seu website? Sua assinatura de e-mail? Seu perfil nas redes sociais? Por mais que um eventual cliente desconheça as características técnicas do ambiente digital, ele costuma ser esperto o suficiente para dar uma busca em você. Não se pode culpá-lo, é o dinheiro dele que vai ser investido em sua atividade criativa. Ele tem toda a razão de querer proteger seu investimento.A propósito, tenha em mente que raramente um cliente visita seu fornecedor, pouco importa seu porte. Pode até ser que, no começo da relação, ele queira fazer uma visita às suas instalações, mas isso é raro. O normal é que ele queira você disponível para visitá-lo nos momentos mais impróprios.
  2. Crie um portfólio impecável - isso não quer dizer “bonito”, “ganhador de prêmios”, ou até mesmo “detalhado”. Seu portfólio é um menu-degustação do que você é capaz de fazer. Por isso ele deve ser atualizado, abrangente e coerente. Se você ganhou um Leão de Ouro em Cannes em 1996, já está mais do que na hora de tirar essa peça de seu portfólio. Clientes dão menos importância a prêmios que você imagina.Alguns, inclusive, temem que um designer cheio de medalhas seja vaidoso, resistente a críticas e mais preocupado com a possibilidade de ganhar mais um prêmio do que a de fazer um bom trabalho.Um portfólio impecável costuma ter peças à prova de ressalvas. Se você não gosta de algo que está lá, remova ou poupe a audiência de seus comentários. Você não ganha pontos ao dizer que “a idéia era boa, mas foi mal-executada” ou (muito pior) “o cliente era ruim, não entendeu a proposta e sacrificou parte do processo”.
  3. Patrocine peças - mesmo as agências de propaganda mais criativas, cheias de clientes e premiadas do planeta costumam fazer trabalhos de graça para ONGs e artistas. Por que raios eles fazem isso?

    Fazem isso por consciência social?
    RÁ! Um publicitário consciente é um oxímoro.
    Fazem isso porque têm tempo livre?
    Só se for das 3 às 4 da manhã. Do sábado.
    Fazem isso porque não precisam ganhar dinheiro?
    Em que mundo você vive?

    Não tenha ilusões. Elas fazem isso porque dá visibilidade e prêmios. Acima de tudo porque o cliente que recebe um serviço de graça costuma ser paciente com relação a prazos e tolerante no que diz respeito a certas viagens criativas.

    Peça patrocinada

    Isso dá o que pensar. Se os clientes com que você trabalhou até agora estão aquém de sua capacidade criativa, por que você não cria cartazes para as bandas dos seus amigos? Ou para serviços de utilidade pública? Ou para sua empresa? Em um portfólio, o que se analisa é a capacidade do designer, não o esclarecimento de seus clientes. Mesmo que você não consiga enriquecer seu portfólio, terá feito algo bacana.

  4. Se especialize - A briga lá fora é de cachorro grande. Dentro da empresa, o cliente é pressionado a conhecer cada vez melhor o processo de produção, suas etapas e equipamentos. Você não pode se dar ao luxo de conhecer menos do que ele. E ele pode ser bem nerd. Isso não significa que você precisa conhecer tudo sobre tudo, mas alguma coisa (e essa coisa não pode ser o Corinthians, o Zodíaco ou seus cavaleiros), você precisa conhecer bem. Só assim o cliente poderá sentir confiança em você. Caso contrário, o único argumento de defesa será o preço. E sempre tem um sobrinho disposto a fazer mais barato.
  5. Vista sua marca - crie camisetas, bonés, adesivos, cartazes, vídeos. Faça coisas engraçadas, bonitas e simpáticas que as pessoas tenham vontade de usar. É um investimento muito mais eficiente que anúncio ou compra de palavras-chave. Principalmente para quem está em começo de carreira ou é, por assim dizer, “independente”.
  6. Mostre a cara - inscreva suas peças em concursos, freqüente eventos, participe de listas de discussão, comente em blogs (como este). Mostre que você tem valor e deixe seu nome bem registrado na cabeça das pessoas. Sem jabá, sem querer vender nada. O mercado está aquecido e pode ser que o chefe de algum de seus conhecidos ganhe um cliente novo e precise urgentemente de reforços. Fica mais fácil indicar as pessoas que você sabe como pensam e como se comportam, nem que seja pelo menos por escrito.
  7. Ative seu networking - qual indivíduo tem a maior probabilidade de arranjar um emprego / cliente para você? Os que são seus amigos ou os que você mal conhece? Errado. A matemática prova que seus conhecidos tendem a freqüentar os mesmos ambientes sociais que você, portanto dificilmente trarão algo de novo. Já as pessoas que o conhecem ligeiramente tendem a estar abertas a mais contatos novos. Por isso é importante fazer o contrário da turminha fashion e sair da toca, do nicho.
  8. Seja generoso - se você sabe, ajude quem (ainda) não tem noção. Estimule amigos, colegas, clientes… faça templates e distribua-os de graça, ajude com críticas construtivas. Não tenha medo que lhe roubem ou copiem as idéias. Pensamentos são vivos, e só prosperam quando trocados, debatidos, compartilhados. Você não perde em compartilhar o que sabe. E pode aprender coisas fantásticas (ou até arranjar clientes ou se dar bem afetivamente) em ambientes onde menos imagina.
  9. Mostre que você sabe e use sua informação - Quem conhece um assunto não costuma ficar na teoria. Se você entende tudo de tipografia, não pode chamar letras de “fontes”, nem deve usar Arial ou Comic Sans por aí. Se sabe tudo de cores, não deve se vestir só de preto. Sua presença digital deve refletir sua relação com sua área de conhecimento, e essa relação deve ser saudável e harmoniosa.
  10. Não seja chato - nada disso adianta se você se tornar um mala. Daqueles que aparecem mais do que o necessários, que se acham absolutamente brilhantes e infalíveis, que cultuam a si próprios como se fossem uma reencarnação divina, que são completamente resistentes a críticas e que dirigem a criação como quem comanda uma senzala. Esse desvio de comportamento é mais comum em iniciantes inseguros, mas pode persistir em gente de carreira bem estabelecida.Um outro tipo de chato é o designófilo, um cara tão apaixonado por design que não consegue arranjar outro assunto para falar. Mas esse é o mais inofensivo.

O post acabou ficando longo e eu não falei metade das dicas. Continuo mais tarde. Bom fim de semana.

Selo Ibest(Por falar em autopromoção, deixe-me explicar qual é a do link do Ibest aí do lado: eu tentei me inscrever na categoria de educação, mas algum gênio me classificou como “blogs/variedades”. Ora, é claro que não pretendo ganhar o Ibest - ainda mais em uma categoria destas - mas como muita gente visita o prêmio, acho que pode ser uma boa oportunidade de mostrá-lo para outras pessoas. Nesse espírito, reencontrei ali o blog do meu amigo Laert Yamazaki por lá, entre outros. É muito bom, recomendo a visita)

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