Estava em uma reunião com engenheiros da USP onde se discutia a Internet2 e suas benesses. Por que será que nesse país as pessoas só conseguem pensar em hardware e em infra-estrutura, nunca em conteúdo? Fala-se dos padrões de HDTV e seus conversores, se ela será de Plasma ou LCD, se o substituto do DVD será HD-DVD ou Blu-Ray mas poucos parecem se interessar por conteúdo.
Fala-se dessa geringonça abaixo – o tal Laptop de US$100 – como se fosse a maravilha de inclusão digital, mas ninguém investe em treinamento de professores, em capacitação de escolas, em serviços para a comunidade. Será que é tão difícil de se entender que uma biblioteca completa não funciona se quem a freqüenta é analfabeto?
Burrice é uma coisa difícil de agüentar. Principalmente entre aqueles que têm poder de decisão. Por que, considerado o número de telefones celulares no Brasil e sua abrangência social, não se fazem serviços relevantes para essa plataforma e consumidores de baixa renda? Se der certo, eis um produto que pode ser exportado para a China e Índia. O que não falta nesse mundo é excluído digital.
Mas não adianta sonhar, o uso de tecnologias digitais nas escolas praticamente é inexistente. Pra piorar, muitos professores ainda teimam a ignorar ou proibir o uso de tecnologias de comunicação interativa. É aquela velha história de se temer o que se desconhece. Essa resistência pode até livrar a cara de um ou outro por enquanto, mas no médio prazo é demolidora. Qualquer aluno que use o computador em casa, em LAN Houses ou com os amigos sabe de sua importância nas relações sociais e provavelmente suspeita das profissionais. Ao ver seu professor rejeitar a tecnologia, ele entra em conflito, com dois resultados ruins possíveis:
- Se o professor for bem-sucedido em transmitir sua repulsa com relação às tecnologias interativas, formará em seu aluno um indivíduo desconectado e, portanto, distante da cadeia produtiva. Belo trabalho de educação.
- Se, ao contrário, o aluno constatar que seu professor despreza a internet por desconhecê-la, ele tenderá a valorizar a interconexão em demérito da educação. Ao desvalorizar o sistema educativo como um todo, o aluno pára de dar importância ao ensino, pára de aprender, desenvolve preconceitos e reforça vícios. Com isso, se tornará semelhante ao professor que despreza e, apesar de utilizar a rede, não aprenderá com ela nem fará interações significativas. Em uma espécie de profecia auto-realizável, ele prova que as restrições que seu velho professor cultivava, embora infundadas a princípio, tornam-se realidade com o tempo.
O professor – qualquer professor – deveria entender o que existe de verdade na Internet, sem preconceitos ou resistência. Mais do que isso, ele precisa entender como isso influencia o modo de pensar de seus alunos. Não é o que eles pensam ou fazem quando estão conectados que importa, mas a forma como o fazem.
Se o professor usar técnicas construtivistas de ensino, poderá ter, na Internet, um importante universo de descoberta e exploração, fundamental para os processos de ensino de seus alunos. Ele não precisa ser a “fonte do saber”, mas o estimulador do conhecimento. Cabe a ele canalizar a energia e curiosidade de seus alunos e ajudá-los a estabelecer critério. Piaget e Vygotsky já diziam isso bem antes da Internet.
(Acho que Piaget seria fã #1 da Wikipedia.)
Enquanto se insiste em livros (que são importantes, mas já faz um tempo que deixaram de ser a única fonte confiável – e não se pode negar que há muita bobagem em livros), os Blogs e a Wikipedia, crescem e se tornam mais relevantes a cada dia. Quem poderia prever que uma enciclopédia aberta, que todos podem editar, teria um dia mais informação e um grau maior de precisão que a Enciclopédia Britânica?
São casos como esses que mostram como o poder agregador da comunicação colaborativa pode mudar a forma com que conhecemos o ensino hoje. Não é curioso pensar que, mesmo com tantas inovações tecnológicas, uma sala de aula de hoje não é diferente em sua essência de uma do século XVI? Será que em 500 anos nada mudou?
É verdade que uma grande quantidade de pessoas não tem acesso a um computador. Mas poderiam distribuira as máquinas a “derreal a baciada” que não faria muita diferença. A questão não está no fato de se ter um computador, mas do que fazer com ele. A Internet não é uma televisão, em que se pode escolher canais e receber conteúdo passivamente. As opções são tantas que o indivíduo sem treino não sabe o que fazer.
Documentários mostram que há bastante acesso à Internet nas favelas. Mas essa gente acessa o quê? Acredito que, por falta de opção, as redes sociais e os mecanismos de comunicação – em especial o MSN e o Orkut – sejam a maioria, e não é para menos. Diz-se por aí que há bastante conteúdo disponível na rede, mas ele está aonde? A fonte é confiável? Todos sabemos que se o indivíduo quiser aprender a fazer um currículo, a falar inglês, a dançar, a consertar um carburador, ele poderá encontrar a informação que precisa em vários sites. Mas fica a pergunta: ele sabe procurar? Sabe identificar uma resposta certa? Você saberia dizer um bom site de educação prática e simples sem pesquisar? Pois.
A pesquisa nacional por amostra de domicílios (PNAD, do IBGE) mostra que os brasileiros que não usam a rede são mais velhos, têm menos estudo e ganham menos que aqueles que têm acesso a ela, seja em casa ou no trabalho. Ainda segundo a pesquisa, o brasileiro médio que acessa a Internet tem 28 anos, escolaridade mínima de 10 anos e rendimento médio de R$ 1 mil, enquanto aquele sem que não tem acesso ultrapassa os 37 anos, tem menos de cinco anos de estudo e recebe, em média, R$ 333 mensais.
Os principais motivos listados para a falta de hábito de acessar a rede são sintomáticos: o alto preço do computador (37,2%), a não-necessidade ou desejo (20,9%) e a falta de instrução (20,5%), todos sintomas evidentes de uma falta de orientação com relação ao uso do computador, acompanhada de uma incerteza com relação a seus benefícios. Uma máquina que não é compreendida não tem serventia, é considerada cara e inútil. Não é de se surpreender que o número de domicílios com freezer seja praticamente igual aos dos que têm computador na média nacional.

Na região mais pobre e com menor índice de escolaridade da nação, o congelador penetra em cerca de 70% de domicílios a mais que o computador. O que não é uma surpresa, principalmente após as crises do setor energético em 2001. A relação entre educação e acesso à internet fica ainda mais evidente quando se compara o acesso à rede entre os que estudaram e os que não: enquanto 76,2% das pessoas com 15 anos ou mais de estudo usavam a rede, apenas 2,5% dos que tiveram até quatro anos de educação faziam o mesmo.
A situação piora se for levado em conta que o sistema é retro-alimentado: o indivíduo que tem acesso à rede se informa e se atualiza cada vez mais rápido, tende a valorizar o meio ainda mais, passar conseqüentemente mais tempo conectado e progredir ainda mais; do outro lado, aquele que não tem acesso fica a cada momento mais distante do conhecimento e tem uma curva de aprendizado cara vez mais íngreme para superar.
Como sempre, o elemento-chave é o professor. Se ele está capacitado, poderá dar uma formação melhor a seus alunos. Se ele não compreende a máquina, entupi-lo de sistemas de ensino à distância e software dedicado não vai melhorar. Por falar neles, o uso de programas educativos como os conhecemos é normalmente desastroso. Para começar, porque do jeito que são feitos, são muitos os programas necessários.
Um cálculo simples mostra que uma escola que resolva aplicar um programa didático mensal, a título de aula prática, para cada série e disciplina de seu currículo, seria obrigada a comprar entre seiscentas a novecentas aplicações em média. A cada período letivo ou nova turma, por exemplo, o investimento em software seria equivalente à compra de diversos computadores potentes.
Pra piorar o cenário, o treinamento de cada professor para cada ferramenta de software demandaria um esforço considerável – o que, naturalmente, tem custos. Professores com pouca experiência na área digital terão maiores dificuldade de aprendizado e retenção de conhecimentos, o que os levará a uma natural resistência e insegurança para sua aplicação, ainda mais se considerado que os alunos podem entender o programa mais rapidamente e, conseqüentemente, fazer perguntas que estejam além de sua capacidade.
Se, mesmo assim, o investimento for feito, os programas não podem ser engavetados. Para usar recursos tão caros, o professor precisa ajustar seu currículo – esse ajuste não é necessariamente bom, uma vez que as práticas didáticas do software raramente condizem com o ambiente, condições regionais, histórico, resultado esperado e condições do professor. Se a ferramenta for estrangeira, a adaptação pode incluir alterações curriculares.
O aplicativo, comprado com a intenção de ser um suporte às aulas pode, em muitos casos, se tornar um desvio forçado de rota cujos efeitos são mais daninhos que benéficos. Ou seja, os resultados desses programas não costumam compensar o investimento feito neles – mesmo nos melhores casos, em que o aplicativo seja de baixo custo e gratuito, demande pouco ou nenhum treinamento e seja facilmente aplicável em sala de aula (caso muito raro, consideradas todas as variáveis envolvidas), o investimento provavelmente não acarretará em uma melhora do ensino. O software educacional tenderá, em muitos casos, a ser um ambiente de construção e simulação, em que o aluno poderá fazer escolhas, mas dificilmente poderá propor novas abordagens.
Um computador último tipo, um sistema de software educativo e uma banda muito larga não tornam ninguém mais inteligente. O que é necessário mudar é a atitude do indivíduo com relação à tecnologia, não a qualidade do ambiente. O professor precisa aprender a valorizar a Internet e seus usos, conhecer as novas tecnologias e saber o que fazer com elas, tentar minimizar a curva de aprendizado e, assim, lutar para diminuir a exclusão digital.
Essa é a grande revolução que as escolas precisam fazer. Se o professor souber como a máquina funciona, poderá estimular seus alunos mesmo sem ter recursos – e esses alunos poderão utilizar os computadores de suas casas ou de LAN Houses conveniadas.
O sistema ideal envolveria aplicativos educacionais conectados em um ambiente de construção, investigação e progressão que, nos moldes construtivistas, se adapte às necessidades e particularidades de cada região, turma, classe e professor. Mais do que isso, esse sistema de aplicativos deve dar início a uma série de discussões em classe e apoiar o processo de descoberta e resolução de problemas. Assim servirá como impulso para a construção de conhecimento coletivo e colaborativo.
Seu uso deve ser estimulado, divertido e interessante, proporcionando a formação de grupos espontâneos e avaliação pelas comunidades formadas. Ele deve ser acessível via Internet, em sala de aula, em casa, à distância ou em todos esses casos simultaneamente. Suas ferramentas devem ser fáceis de usar e amigáveis. Elas devem habilitar o professor para ser o gestor do conteúdo gerado por ele. Se ele for capaz de, em um processo de emergência, construir um corpo de referência maior, mais abrangente e mais longevo que a experiência didática, tanto melhor.
A boa notícia é que esse sistema já existe, é gratuito, adaptável e está pronto para ser utilizado. Blogs, Wikis e boa parte dos serviços disponíveis na Internet são seus elementos.

Oi Luli!
Acompanho seu blog desde o início do ano e sempre recomendo aos colegas e alunos que acompanhem também.
Sou analista de sistemas, pós-graduando em Design de Interfaces e professor de programação web em um colégio profissionalizante em Vinhedo/SP e no Senac/Campinas.
Nas duas entidades fizeram reuniões com os docentes para dizerem que a partir daquele momento o ensino deveria ser construtivista e não mais o tradicional. Confesso que tentei várias técnicas aprendidas nos cursos que fiz sobre esse tipo de ensino mas poucos(quíssimos) alunos me salvaram da total incompetência.
Não sou adepto e nem nunca fui em aprender ou ensinar uma linguagem específica, desde os tempos da faculdade eu já avisava meus colegas que não adiantava aprender DBase ou Clipper sem saber bem algorítmos, estruturas e todo o restante que permite que se desenvolva uma boa programação (em qualquer linguagem). Tentei fazer com que meus alunos aprendessem PHP dessa maneira (por conta própria) e eu só ensinaria como “juntar” as partes do programa e realizar o resultado desejado. A intenção foi boa mas infelizmente ouvi frases do tipo “Esse professor é louco! Não vai ensinar PHP! Quer que a gente aprenda sozinho! Então pra quê a gente vem na escola? Pra quê precisa de professor?”. Entre outras que argumentei perfeitamente. Mas por fim, não deu certo e fui obrigado a ensinar a linguagem e voltar ao ensino “normal” com o aval da diretoria.
Foi uma experiência a princípio frustrante mas analisando de outra maneira foi válida. Válida porque os poucos (dois) alunos que toparam, seguiram em frente, aprenderam mais e conseguiram fazer os programas que os outros não conseguiram.
Portanto, esse tipo de ensino funciona bem mas o docente tem que ser do tipo Tropa de Elite ir pra guerra. Já aviso que no ensino médio não é fácil! Uns colegas docentes do ensino superior dizem que é mais difícil ainda.
Notei que um dos maiores problemas dos alunos, além da falta de vontade (ou necessidade) em aprender por conta própria utilizando a Internet, é a ignorância sobre a língua inglesa. E já avisei meus colegas das IBMs, consultorias e afins que ficarão sempre com vagas sobrando. Eu digo: “Na Índia abrem 10 postos de trabalho para programador em Java que fale inglês e forma uma fila na porta com mais de 1000 candidatos qualificados. No Brasil abrem 400 vagas com a mesma competência, forma uma fila com 100 candidatos desqualificados dos quais menos de 40 sabem falar inglês e menos da metade disso programa em Java.”. Essa é a realidade.
Quanto ao assunto de discussão de meios e não de conteúdos, sempre questiono os palestrantes sobre TV Digital com relação ao conteúdo. Todos fogem do assunto, enrolam e só dizem saber de padrões, protocolos, set-top box, etc…
Pelo jeito, vão aumentar a resolução do vídeo, a qualidade do som, entupir a banda de transmissão e por enquanto não veremos nada de inovador com relação ao conteúdo. E pelo jeito vai faltar conteúdo mesmo sem inovação!
Eu tenho dito: “Um bom negócio a médio prazo é montar uma produtora de programas para TV Digital. Quem fizer antes vai se dar bem. Mas tem que ser bem feito.”.
Enfim, é isso…
Desculpa os desabafos! Nunca postei nada e de primeira já escrevo tudo isso! Se quiser deletar ou editar fique à vontade!
Um abraço Mestre! Ops… Doutor!
É isso ai Luli. Não adianta software fodido e hardware matador se o “hardware” das pessoas não acompanhar.
Como sempre outro bom post seu ;D
Legal que você falou dos professores mudar, e esse ano tive um exemplo de uma mudança assim.
Bem no começo desse ano um professor de “Mat. Discreta e Finita” meu veio perguntar quem poderia ajudar ele em implementar segundo ele “algo na web”. Pior que ele mesmo falou que sempre teve aversão “nessa coisa de internet”, mas sei lá porque o cara quis mudar. E eu que era um dos únicos na sala de “Ciências da Computação” a pensar um pouco além de “soft/hardw” (me achando), tive a idéia de implementar um Wiki e levantar o espírito participativo na galera. Foi uma experiência bem legal. A! Até fiz um trabalho sobre e apresentei em seminário.
O link Wiki está aqui: http://wiki.portaljc.com/
E o trabalho aqui:
http://pomoti.com/uso-de-wiki-no-ensino-de-matematica
Dá uma olhada?
Bom, é isso. Falou!
Salve!
Cara, sou seu fã, “infelizmente”, pois queria ta na escuridão, mas cada vez q venho aki tenho um “lapso” de iluminação! obrigado!
vc me fez lembrar minha época de adolescente onde eu era contra o construtivismo rs… e olha que eu nem sabia ainda o q era, e nem sabia que tudo que aprendi eh espelho disso, mas em fim, obrigado pelos posts! vou voltar pra escuridão agora!
Olá Luli!
Começo o comentário com uma citação de Maquiavél:
“Nada é mais difícil do que realizar, mais perigoso de conduzir, ou mais incerto quanto ao seu êxito, do que iniciar a introdução de uma nova ordem de coisas, pois a inovação tem, como inimigos, todos aqueles que prosperam sob as condições antigas, e como defensores tíbios todos aqueles que podem se dar bem nas novas condições.”
A sociedade está mudando muito rápido e acredito que, a resistência de docentes e comunidade educativa em relação às novas tecnologias de interação e comunicação só trás mais e mais problemas na formação educacional de nossos cidadãos.
Sou designer e estou realizando especialização na área de EAD e vejo que existe conhecimento suficiente para atender todas expectativas de qualquer membro da comunidade educativa.
Vejo que tudo é uma questão de flexibilidade e de sutileza para apresentar este “mundo de inovação” para professores e alunos.
Uma coisa que atrapalha bastante a implantação de recursos de E-learning e EAD é o preconceito existente no Brasil.
Abraços!
Olá Luli como está?
Espero que esteja bem, acredito que não vá se lembrar de mim mas nos conhecemos no Intercon 2007, sou um dos diretores da Infinito Digital, e fui um dos responsáveis por não deixar vc comer na hora do coffe hahaha, ficamos la na sala VIP te intrevistando..rs
Bom antes de tudo queria dar uns parabéns pelo blog, realmente é maravilhoso, também leio suas matérias na revista Webdesign e agora na revista iMasters, bom meu contato com você não é apenas para te dar uns parabéns, eu gostaria de saber também se você pode me passar alguns nomes de livros bons sobre design, conceitos de design, tendências, cores, algo desse tipo…rs, estou buscando sempre mais informações e procurando me aperfeiçoar mais na área e nada melhor do que perguntar isso para uma pessoa que entende tanto do assunto como você né?
Luli muito obrigado, um grande abraço e a gente se ve em algum evento por aí denovo.
Fica com Deus!
Eduardo.
Luli, acabei esquecendo, meu email é eduardo@infinitodigital.com.br
grande abraço!
Luli,
Sou um dos diretores da Milk-it Brasil [jabá]http://www.milk-it.net[/jabá] e trabalho com planejamento de software de design de interação. Como o nosso foco aqui é o trabalho com software livre, sempre nos deparamos com iniciativas usando esse tipo de software na educação. Desde programas que utilizam a linguagem Logo (http://el.media.mit.edu/logo-foundation/logo/programming.html), passando pelo Muan [iniciativa para animação do Anima Mundi/IBM] e o proprio uso de distribuições Linux focadas para o meio escolar.
Acredito muito que caberia ao poder publico incentivar novos projetos do tipo com a verba que seria destinada as licenças de software nos laboratórios das escolas. Isto representaria geração de empregos no setor, desenvolvimento de pesquisas, e novos animos para o setor de ensino.
Vejo o presidente-ignorante defendendo na TV que o ‘crescimento da máquina publica é consequencia do progresso’ e que para melhorar a educação é necessaria a contratação de novos professores. É mais do que claro que tão importante quanto a contratação de novos profissionais a requalificação e avaliação dos atuais deve ser feita. Estes profissionais deveriam estar a frente dos alunos, da sociedade. – não rejeitando tecnologia.
Quanto ao alto uso de internet nas favelas, ja vi materias sobre a criação de funks e raps no computador e depois o compartilhamento desse material com produtores e com o publico final. Além disso, as lan houses vivem cheias e a dupla orkut/msn em alta.
Poxa, será que na USP existe alguém que faça pesquisa desse tipo, Video Games, Learning, and “Content”, by James Paul Gee?
@ Luli
“Por que será que nesse país as pessoas só conseguem pensar em hardware e em infra-estrutura, nunca em conteúdo?”
Será porque não temos pessoas competentes o suficiente para gerar conteúdo?
Apenas cogitando. ;-)
Aí teríamos que ter centros educacionais que formassem pessoas para gerar conteúdo. Precisamos urgentemente!
Olá Luli, interessante o seu post, principalmente à parte focada no construtivismo. No entanto gostaria de informar que por diversas informações que obtive até o momento sobre o OLPC, os laptops do projeto me pareceram desenvolvidos tendo em mente as idéias educacionais construtivistas, tanto o hardware quanto o software. Já existe uma comunidade considerável quebrando a cabeça no desenvolvimento de aplicações que possam ser úteis para o XO e quase sempre são projetos que me parecem abraçar as idéias construtivista implícita ou explicitamente. Concordo que é necessário pensar no treinamento dos professores, capacitação escolar, etc. mas sinceramente, isso me parece muito mais complicado de fazer funcionar do que fornecer uma ferramenta flexível tanto no sentido de ser utilizado para os mais diversos fins quanto para ser modificado de acordo com o interesse das próprias crianças e pelas próprias crianças. Dê uma olhada neste post sobre o OLPC, idéias construtivistas e o projeto Hole-in-the-Wall.
Oi, Luli.
Criei um post no Stoa chamando atenção para esse post aqui:
“Por que será que nesse país as pessoas só conseguem pensar em hardware e em infra-estrutura, nunca em conteúdo?”
Há laguns comentários interessantes, como o do W., acima.
P. S.: Luli, estranho, não estou podendo colocar este comentário usando OpenID, como vi numa demonstraçao do professor Ewout, num outro blog do blogger, nesse último fim-de-semana. Será que precisa habilitar algo?
Se descobrir, dê um toque, por favor. Se eu descobrir o que precisa para eu não precisar depender de conta Google, também venho aqui avisar.
Abraço!
“Fala-se dessa geringonça abaixo – o tal Laptop de US$100 – como se fosse a maravilha de inclusão digital”
Assisti duas palestras sobre o OLPC esse ano, e o assunto mais discutido nelas era exatamente isso.
O OLPC foi feito pra ser em rede e pra incitar a colaboração entre os alunos. Foi muito pouco falado sobre hardware, e muito falado em piaget e construtivismo (que eu não conheço quase nada e fiquei boiando).
Então acho que não adianta vc simplesmente criticar o negocio sem nem saber direito o que é (afirmo isso pq vc só falou mal dele e não explicou exatamente pq)
valeu!
Marcelo, reconheço que realmente não é fácil. No entanto – e a minha experiência na ECA vem provando – à medida que os primeiros resultados começam a aparecer, a situação fica progressivamente mais fácil. O Dirceu Jr tem argumentos ainda melhores, que, apesar de tê-los restritos à área de Matemática, acredito que sejam aplicáveis em praticamente todas as áreas e estágios do conhecimento. Aliás, parabéns pela solidez da argumentação, você deveria disponibilizá-la no Slideshare.
Mateus, não se sinta constrangido por ter um dia “odiado” o Construtivismo. O problema é que ele é ensinado segundo técnicas behavioristas, em um verdadeiro paradoxo. Assim que o conhecemos de verdade, não há como deixar de amá-lo. Mais ou menos como a MediaWiki e a Wikipedia.
Obrigado, Darwin, adorei. Uma citação a Maquiavel é perversamente e controversamente deliciosa.
Dado, o link da bibliografia está aqui e aqui.
Lucas, concordo inteiramente, apesar do Jabá. Everton, a pesquisa é primorosa. Pena que não conheça ninguém que realize algo do gênero no Brasil. Quem sabe com a evolução das tecnologias e mercado de Games no país.
Por último, w. e xauz, não me entendam mal: eu não sou contra o OLPC, acho uma excelente idéia, aliás. O problema é o foco em prioridades. Também acredito que carros de câmbio automático sejam uma evolução, mas não posso propô-lo em um país cuja distribuição de renda e a falta de planejamento urbano tornariam a idéia inviável. Sob esse aspecto, ele é uma geringonça, como o é o cabeamento de fibra ótica em escolas, em um país que tem mais freezers que computadores pessoais.
É preciso investir na qualificação do indivíduo, para que ele perceba a importância do computador e do acesso contínuo à internet, para que daí ele passe a demandar maiores investimentos em infra-estrutura e equipamento, não o contrário.
Mas isso é só a minha opinião.
Sempre usei a ilustração de que se um homem viajasse no tempo, da idade média até nossos dias, só reconhecia a escola, tudo o mais é diferente.
Ola Luli.
Compartilho de algumas das suas idéias, principalmente no que diz respeito à formação de professores e no uso da informática na educação de forma construtivista.
Sou pesquisador da COPPE/UFRJ e estou desenvolvendo pesquisas na área educacional.
Trabalho com o pessoal do Projeto OLPC e tenho alguns XOs em mãos. Caso queira, posso lhe passar alguns detalhes interessantes sobre o projeto, o XO e o Ambiente Sugar que cai como uma luva na aplicação educacional e uso da web resolvendo alguns problemas aqui apontados por você
Oi Luli
Sou professora da rede pública, em constante formação, principalmente sobre tecnologias digitais. Trabalho com aquele percentual de alunos que tem freezer, não tem computador e mal sabe escrever um bilhete. E tenho muitas dúvidas sobre como utilizar os computadores a seu favor, embora acredite no construtivismo e nas possibilidades comucacionais e interativas da máquina. Nada pessoal, apenas paradoxos gerados na utilização do laboratório de informática com meus alunos.
Oi Luli,
Assisti você na Descolagem. Maravilhoso!! Concordo com vc plenamente: Falta conteúdo!!! Em tudo. Um abarço
Sidnea