Carreira, Palestras e entrevistas

iMasters InterCon 2007


Para tudo na vida tem uma primeira vez. E, como toda primeira vez, costuma ser assustadora e emocionante. Pode parecer uma grande bobagem, mas eu sempre me apavoro nos cinco minutos que antecedem uma subida a um palco. Depois sabe-se lá o que me dá, mas fico numa relax, numa tranqüila, numa boa.

O InterCon é sempre um desafio. O primeiro de que participei, em 2005, o tema era salgado: fetiche e ansiedade de informação. Comecei a falar e, quando vi, o tempo tinha estourado, a palestra do auditório ao lado tinha acabado e as pessoas, em vez de irem embora, começaram a lotar a minha sala. Resultado: pouco mais de 2h de considerações cabeção, que renderam aos organizadores algumas reclamações de gente que não gostou de não ter terminado no horário. Mea culpa, mea maxima culpa.

De qualquer forma, as pessoas me disseram que tinham gostado. No ano seguinte, sou reconvidado e prometo me comportar. Para garantir, me colocam para falar para o pessoal de tecnologia. No mesmo horário da palestra do grande Michel Lent, para garantir que nenhum designer de bom-senso viesse me ver. O tema? HDTV vs. IPTV como modelo de TV interativa. Fácil, pensei eu. Facílimo, pensaram Chad Hurley e Steve Chen alguns meses antes. Com o lançamento do YouTube eu não tinha mais o que dizer. Tive que recomeçar do zero, mas valeu a pena de novo.

No dia do Encontro de Web Design no Rio (aquela palestra que fiz sem microfone, não sei como), o Baeta me chamou pra ser host do evento deste ano. Eu achei que ele tinha pirado, e só percebi que quem estava doido era eu na semana que antecedeu o evento. Tarde demais, não dava para recuar. Algumas noites perdidas depois, eu estava pronto.

Ou não. Ao perceber o tamanho do auditório e o calibre dos palestrantes, o frio na barriga bateu de novo. Mas já tinham fechado a porta da gaiola do Bungee-Jump. Não dava para voltar. Eu devia pelo menos ter checado se tinha corda. Pelo menos minha cocacolinha estava à mão.

Para a apresentação do evento, foi fácil recapitular como a gente fica velho rápido nesse mundinho Web – nos sete anos de existência do IMasters, muita coisa aconteceu, muita coisa ninguém suspeitava e algumas, se me propusessem, eu mandaria internar. Ou prender. A idéia de uma comunidade com mais de 200 articulistas voluntários, em um tempo em que nem se falava de blog, seria impensável. Pois é.


O evento foi diferente em vários aspectos. Cada palestra era coberta por dois “membros da futura imprensa”, “os verdadeiros profissionais formadores de opinião” e outros sete eufemismos que eu inventei para os blogueiros. Se antigamente isso seria o bastante, para a platéia não era. Em tudo que é canto se viam as luzinhas da galera teclando furiosamente no Twitter. Ô noinha…

A estrutura e a qualidade das palestras me ajudaram um bocado. O Gustavo Fortes, da Espalhe, mostrou muito bem o que é marketing de guerrilha, com peças de uma propaganda divertida, inteligente e interativa. Ele foi o primeiro a chamar a atenção para seu ex-funcionário Yassuda, o subcomandante Marcos da guerrilha nacional (claro, era a primeira palestra). Este rapaz seria citado outras oito ou quinze vezes ao longo do evento e, junto com o doidão que a gente entrevistou para o “Se vira nos 3”, foi o equivalente material de uma ação viral.



Na seqüência, o Elcio mostrou porque é o guru da área, cutucando alguns designers enquanto era cutucado por seu mac que se rebelou. No fundo, ele tem razão. Qualquer profissional que seja autista, que não interaja com as outras áreas, está ultrapassado. Seja designer ou programador.

Volto do almoço e, com o auditório cheio, portas fechadas e o mané aqui no palco, fico sabendo que o Jeff Paiva segurou o Raphael Vasconcellos no trampo e o coitado iria atrasar alguns minutos. Uns 25.

Excelente. Eu tinha pensado em uma introdução, mas como eu sei que falo muito, era curtinha. Meu São Dizzy Gillespie me valeu e eu entrei num improviso sobre o futuro e tecnologias que não me perguntem de onde eu tirei. Não foi do Filme do Bátima, mas o sacrifício foi grande.

Quando eu entreguei a palestra para ele, o homem tava em casa. Mandou muito bem falando de cópia de material amador em material publicitário (coisas que conhecemos há muitos, muitos anos) e mostrou aquele portfólio da Click que é um arraso há tantos anos que só surpreenderia se de repente fosse ruim. O mais divertido foi vê-lo dar uma bronca no carinha que fez uma pergunta e começou a “twittar” antes de ouvir a resposta: – “OLHA PRA MIM QUANDO EU TOU FALANDO, PÔ”. Adorei. Adorei. Adorei.

O se vira nos 3, com ele, a Suzana Apelbaum e o Max Chanan foi uma boa idéia, mas o formato ainda precisa de alguns ajustes. De qualquer maneira, não poderia perder a oportunidade de entrevistar essa galera. O Michel Lent, com essa complicação toda de novos sócios, não conseguiu vir. Uma pena, fez falta, mas é compreensível. Ainda divido um palco com ele, vai ser divertido.

(para quem não conhece: srs. Michel Lent e Manoel Lemos
- pelo menos é o que dizem seus crachás)

Enquanto todo mundo comia, me alugaram para uma entrevista de 23 – VINTE E TRÊS – perguntas. Gravadas! Tava desesperado de fome quando chegou a vez do Bebiano, que, para mim, foi impressionante. Saca só. O cara trabalha no Google. Poderia ser arrogante. Não é. Poderia ser técnico. Não é. Super gente boa e acessível, uma excelente surpresa.

(Não é Google, Cris, eu não me rendi ao sistema, é Loole)

Acabou o dia e eu caí morto. Acordei com dor em (quase) tudo que é músculo de tanta tensão. Vamulá, o dia seguinte começa com um desafio: segurar o CrisDias, o Fabio Seixas, o Merigo e o Mauro Amaral em um palco.

(vai encarar?)


Não deu pra segurar esses caras no palco. Não daria. No melhor esquema despalestra, os caras pegaram geral e invadiram a platéia. Como eu não sou bobo, fiquei na minha e nem tentei competir com os caras. Gênio. Tiago, tem aí quatro sugestões de host para os próximos anos :D

Depois deles, o Pedro Venturini, do Credicard Itaú deu a palestra em que eu mais aprendi. OK que ele tinha conteúdo para mais de 8h de workshop, mas só o conceito da “propaganda de medo” valia um evento inteiro.


Ao mesmo tempo, o Giba, da desta.ca, estava mandando brasa numa jazz-desconferência do lado de fora. Queria ser dois. Aliás, três, porque o tempo tinha estourado e eu estava morrendo de fome – de novo.

À tarde, uma exposição bem esclarecedora do Marcello Póvoa e do José Luiz Martins gerou menos debate que o esperado (quem ia discutir com esses caras e a cartela de cases que eles tinham nas mãos?).

Uns Twitteiros rebeldes resolveram desconferenciar, dormir e tomar uns refris do lado de fora, dublando a palestra que viam nas TVs do lounge.


Chamei-os à razão, fui vaiado (óbvio), e voltamos para a palestra do Sérgio Mugnaini. Antes, uma mensagem dos patrocinadores, que se comportaram exemplarmente, e uma mensagem de agradecimento antes que todo mundo saísse fugido, afinal era sábado e a balada esperava.

Aí aconteceu mais uma surpresa. Ao agradecer aos organizadores, palestrantes, blogueiros, twitteiros e, principalmente, a uma platéia inteligente e divertida, eu fui aplaudido feito o Händel?!? Que baita vergonha, como foi difícil retomar o controle daquele auditório. É, eu sou tímido. Tá bom, você não acredita, mas eu sou. E misantropo.

A palestra do Sérgio foi brilhante. Só os cases falariam sozinhos, mas o cara chegou com a serenidade de um mestre zen. E mostrou que sabe.

A mim, cabia encerrar o evento rápido. Foi o que fiz. Teve quem achou que eu deveria ter dado uma palestra. Teve quem achou que eu falei mais do que falaria se palestrasse. Eu acho que o foco deveria estar nos convidados, e me esforcei ao máximo para que eles ficassem em destaque. Mesmo com a concorrência acirrada de um Twitter e de um Yassuda. Parabéns mais uma vez a todos os organizadores, vocês são incríveis. E a platéia também ajuda um bocado.

Espero que vocês tenham gostado. Eu adorei. Quem não foi, perdeu.

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