Comentaram minha recente entrevista ao portal Adnews, em que defendi, entre outros pontos, que o fim do e-mail estava próximo. Bem próximo.

Acho que não me expliquei bem (em entrevistas, sabe como é, nunca há tempo). Na verdade acredito que a era do e-mail já acabou. Aquilo que todos usamos para combater SPAM, receber informações (e confirmações) desnecessárias e, de vez em quando, contactar amigos, é apenas o resquício de um meio de comunicação cujos dias de importância se foram. Em breve ele será tão relevante quanto uma carta manuscrita, enviada dentro de um envelope selado. O ciclo da tecnologia em plena ação.
Ele bem que teve seus dias de glória. Sua história se confunde com a da própria Internet e, mesmo sendo bem mais velho que a Web, nunca sofreu a humilhação de ser passado para trás por um 2.0 qualquer. Surgido na década de 1960 como uma forma de comunicação muito mais potente (e segura) que o correio, ele mudou pouquíssimo. Webmail, por mais que Microsoft, Yahoo! ou Google afirmem, ainda é o mesmo texto com arrobas, em um suporte mais conveniente.
O golpe veio de vários lugares, quase que simultaneamente, e foi uma genuína crise dos 40 anos que já dura um pouco mais de uma década. Tudo começou quando quatro rapazes de Liver Israel quiseram mudar o mundo e fizeram uma revolução ao criar um serviço de comunicação instantânea que permite saber se a pessoa com quem falam está online. Coisa de nerd, diriam. A piada fácil na época era rimar o nome por extenso do serviço em inglês com o potente vírus de computador ILOVEYOU. Mesmo com muitas idéias tortas (a de usar um número para contatar o amigo, por exemplo), a idéia pegou.

Mais ou menos na mesma época, alguns serviços de telefonia europeus promoviam o uso de mensagens de texto pelos celulares, que, àquela época, só falavam. Quer mais coisa de nerd que escrever “555885555444411088826 (pausa) 6667777026660222444663362111″ para dizer “Luli, vamos ao cinema?”. Apesar de todo mundo ter serviços GSM - uma inegável vantagem em termos de compatibilidade - o SMS esperaria o século XXI para pegar. E pegou. 10 bilhões por mês, só em uma operadora. Até porque todos logo perceberam que o envio de uma mensagem não deveria depender da operação de um computador.
E nem de texto: minha avó já sabia faz tempo que certas coisas não se diz por escrito. Eu não acredito que ela se referisse a estresse, sobrecarga de tarefas ou preguiça, provavelmente tratava de privacidade. Pouco importa, a informação a ser transmitida costuma ser inversamente proporcional ao tempo ou disposição para escrevê-la e, em um mundo de banda larga e conexão permanente, não faz sentido algum tentar traduzir seu tom de voz em emoticons se você pode simplesmente… falar. Não passa uma semana sem alguém anunciar o fim da telefonia por causa de tecnologias como VoIP. Tudo bem, não há como negar que o tráfego de telecomunicações é importante demais para ser usado por voz em formato analógico, que além de pesado é ineficiente. Mas enquanto a tecnologia não substitui de vez as linhas telefônicas, quem apanhou mesmo foi o e-mail.
A lista não tem fim: pelo Twitter, seus amigos sabem onde você está e o que anda fazendo. Ele é uma espécie de feed RSS do seu cotidiano, seja ele interessante ou não. Eu gosto dele, tem gente que não gosta, mas isso não é assunto para este post. Por falar em feeds, qualquer blog decente envia seu conteúdo através deles, o que faz com que muitas malas-diretas de
conteúdo percam sua razão de ser. Como se não bastasse, o Flickr permite a seus amigos que “assinem” os que você crie. Você vai usar e-mail para quê?
Talvez para a transmissão de comprovantes e documentos - como tem gente que ainda usa o aparelho de FAX hoje em dia - e, claaaaro, para publicidade não solicitada. Quem diria, os burocratas, advogados, bancos e publicitários seriam defensores do legado deste meio que um dia foi a expressão da Internet. Quem sabe daqui a uma década deixemos a web para que eles tomem conta.
Descanse em paz, senhor e-mail. Poucos chorarão seu triste fim, sob certos aspectos semelhante ao velho, cansado e desatualizado serviço de envio de mensagens de texto por correio. Este, por mais que seja chamado de “tradicional”, teve um importante papel na democratização, inovação e expansão do serviço de mensageiros (os tais moleques de recados) que veio a substituir. Mas quem se importa com isso?
O Darwinismo tecnológico é cruel. Ainda bem.
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Beleza Luli?
Eu percebo que realmente estou usando cada vez menos o email.
Basicamente é pra deletar spam.
Mas por exemplo, ele é usado como login/validacao de cadastro em varios sites, é pelo email que chegam confirmacoes de compras e é la que armazeno histórico de conversas com clientes.
Será que ele morrerá tão rápido mesmo?
Gostei do título do post e da foto do seu madruga, achei muito engraçado e verdadeiro localizar o maior uso do email como deletar spam, mas discordo que o email vá morrer.
Pode ser uma visão terceiro mundista minha, no exterior ou mesmo Sampa Skype e VoIPs devem ser muito mais utilizados, eu mesmo comecei com RSS agora, mas por enquanto apenas aumentei minha information overload e sofro mais nas aulas de bit litteracy. O email mesmo não pretendo largar, aliás, adoro.
Tem coisas que só a estrutura de carta - e de sua filha-prima o email - permitem.
Olá Luli,
como sempre ótimo texto e muito bom ponto de vista, porém não concordo muito que o e-mail vá cair em desuso tão rápido, pois como o Armando disse, ai em cima, no e-mail também guardo todos os logins, senhas que tenho espalhados por ae e tudo que é validação, compra na internet, cadastro na faculdade etc, vem pelo pobre e-mail, tá certo que ele é um pouco chatinho em relação à spam e aqueles seus amigos que cismam que você gosta de e-mail pps e te mandam dúzias por dia, mas nem tudo é perfeito.
Acredito que mereça uma reformulação, ou algo do gênero, mas não iremos condená-lo, ele não merece essa discriminação. rs
Fuiii…
Concordo com o Armando. Apesar de usar o email um pouco mais que ele (no gmail o filtro de spam recebe tds), uso mt pras listas de discussao e pra mandar alguma coisa pra alguém que não está online no momento.
Não acho que vá morrer tão cedo assim.
Luli, qual tua opinião sobre as empresas usando cada vez mais o e-mail para formalizar conversas telefônicas — quantas vezes já não ouvi um “ok, me manda um e-mail para formalizar nossa conversa ?”
Bom, para mim, o e-mail ainda exerce um papel importante.
Há as listas de discussão, das quais fico sabendo o que está acontecendo através do e-mail, além de conversas e textos que, por ventura, necessitamos ler na posterioridade.
Ainda acho que é bastante útil… Não sei se o dia que deixarei de utilizá-lo está próximo…
Pois é, minha opinião era bem parecida com a de vcs, mas mudou um pouco nos últimos meses.
Concordo com o Ramon, que reforça o comentário do Armando ao definir o e-mail como um nome de usuário, login ou registro de identidade. Por isso que é mais fácil mudar de telefone que de e-mail, ou mesmo por isso que muita gente só use o @hotmail como login do MSN. Para o Google, o e-mail é o ponto de entrada pera uma quantidade cada vez maior de serviços.
Quanto ao que o Davi disse, é necessário cuidado. A tecnologia evolui muito rápido e uma coisa é certa: a banda se tornará cada vez mais larga e o tempo de conexão, cada vez maior. Mesmo que isso não signifique uma conexão ativa - telefones conectados em GPRS são bons exemplos disso.
Os argumentos do Alexander e do Carlos Eduardo só reforçam o meu ponto de vista que o e-mail servirá, como o correio, para a formalização burocrática.
O Dpaola mostra um exemplo da evolução do e-mail: na verdade, queremos receber informes e nos comunicar, e nem sempre o e-mail é o melhor canal para isso. Muitos o utilizam apenas como “log”, registro de comunicações feitas por outros meios (novamente a formalização burocrática).
Em resumo: os canais de comunicação são múltiplos, e a cada dia o e-mail perde sua força. Como ainda temos um apego às informações e não há um sistema confiável de registro de nossas transações, o e-mail é o melhor possível.
Quanto à etrutura de carta, Davi, outros formatos surgirão. Pouquíssimos e-mails a seguem e muito do que gostamos nela é nostalgia.
Por último, reparem que eu disse que a era do e-mail chegou ao fim, não que ele tenha morrido. Da mesma forma que o correio não morreu para a entrega de cartas, só perdeu sua relevância.
Mas isso, reforço, é apenas a minha opinião.
Hummm…
Parece que todos que postaram ainda usam(de uma forma ou de outra) o e-mail e ainda querem continuar usando.
Hummmm…
Acho que o e-mail vai ser “desusado” com o passar do tempo, assim como aconteceu com o Telegrafo e sua linguagem Morse.
Mas num filme que eu vi numa Sessão da Tarde, o tal Código Morse e o Telegrafo acabaram salvando a humanidade de uma ameaça mortal vinda sei lá de onde!
Pode ser que o e-mail venha se tornar uma boa arma “secreta” contra alguma raça superior maligna tentando destruir a humanidade para povoar a nossa já tão desgastada Terra!
Huuuuummmmm…
Vida longa para a evolução tecnológica!
Tem dias que eu acordo e acho tudo muito ultrapassado e cansativo. Quero coisas novas e principalmente, baratas.
Huuuuuuuummmmmmmmmmmmm…
Acabo de ver aqui em baixo um campo para eu colocar meu “e-mail” para que eu possa publicar esse comentário. Cara, que coisa tão antiga! Mas pra ficar claro eu concordo PLENAMENTE com o Luli.
Trazendo um lado emocional pro post.
fico com as palavras do Elebão (Bricabraque)
“Não há expectativa de e-mail que supere a da carta.”
Assim como o RSS surgiu como uma “especialização” do email, e de maneira análoga o ICQ, um horizonte que se abre com a polêmica em questão é o desenvolvimento de sistemas de assinatura digital. Algo integrado ao próprio Gmail, por exemplo, que auto confirmasse inscrições em egroups, ou livrarias. Emails (ou determinados emails, filtrados) enviados por SMS tb já são uma realidade. Fica a dica, vamos desenvolver padrões para especializar a serventia do velho email.
É engraçado observar que a evolução tecnológica está nos levando pra relações cada vez mais… humanas!
Quem sabe daqui a algum tempo essa formalização de negócios seja feita denovo com um simples aperto de mãos, inda que virtual.
É a tal tecnologia ficando transparente…
[]s!