Ao contrário do que o termo sugere, um dos maiores progressos proporcionados pelos computadores não está na computação pura e simples – a capacidade de se realizar cálculos e interpretar códigos (os tais algoritmos, que, como algarismos, são derivados do nome do matemático que os inventou, al-Khowârizmî, mas isto é outra história). Se é certo que a computação de alto nível ainda é fundamental em sistemas que vão da engenharia até o mais simples filtro do Photoshop, o fato é que o cálculo computacional se tornou tão potente que praticamente não tem função se não for alimentado por massas de conteúdo. Mesmo um supersistema de previsão do tempo será incapaz de dizer como será o seu amanhã se você não disser aonde está.
Assim que a capacidade de computação atingiu níveis sobre-humanos, o foco dos computadores mudou da Cibernética para o Processamento de Dados, palavra que tem, em inglês, um significado semelhante a “industrialização, transformação de dados”. Em um processo automático, massas de dados que isoladamente não têm sentido – a temperatura e umidade do ar em determinada região a determinada hora, por exemplo – são convertidos em informação de forma automática (a boa e velha Informática). Com a Internet, esses processos se tornaram cada vez mais dependentes de seus contextos, a ponto de mudarem de nome mais uma vez, dessa vez para tecnologias de informação (TI).
Nessa tsunami de conteúdo, a pergunta se torna mais importante do que a resposta. Muitos defendem que Informação é poder, mas só dentro de certos parâmetros. Acredito que uma das grandes questões metafísicas do século XXI será a busca por relevância. Todo mundo sabe que tem de tudo na web, o problema está em se selecionar os ingredientes e sua combinação. Como em Alquimia ou Culinária.
Timothy Leary (quem mais?) defendia que a multimídia – e, por meio dela, a WWW – não seria possível sem o LSD. Sob certos aspectos, os argumentos desta teoria muito louca (em todos os sentidos) merecem consideração. Em uma época que os computadores estavam razoavelmente eficientes no trato de cálculos brutos, as demandas sinestésicas de uma sociedade lisérgica pediram por sons e imagens naquelas máquinas tão sem graça.
Informação, mais que poder, é capacidade. Ela é a corrente sanguínea do organismo digital e, como tal, só terá serventia dentro de um contexto e com um significado. Em outras palavras, se for relevante. Em busca desses parâmetros, o designer Richard Saul Wurman criou o conceito de “arquitetura de Informação”, a busca pela atribuição de relevância a uma massa de dados, de forma que ela deixe de ser hermética para se tornar útil e entregar ao indivíduo as repostas que procura. Não é uma tarefa fácil. Até (ou principalmente) porque conceitos, como imagens, não “começam” em lugar algum nem têm fim determinado.
Em busca de um mapa conceitual para o estado das coisas digitais em que vivemos, este grupo de profissionais japoneses elaborou um mapa de conexões conceituais entre os principais serviços web conhecidos hoje em dia. Para facilitar sua compreensão por leigos, as linhas e conexões referenciaram o universalmente claro e conhecido mapa de metrô (desenvolvido pelo genial Harry Beck, para quem quiser saber mais):

Mapa clicável. Para download use este link.
Os principais resultados de uma boa arquitetura de informação costumam ser a fácil compreensão por seus usuários, uma curva de aprendizado praticamente nula e boa usabilidade.
Se você está se sentindo um pouco perdido nessa confusão de novos nomes e serviços, um mapa como este pode dar uma boa ajuda. Como qualquer diagrama, é tendencioso e parcial, mas bem mais fácil de se seguir e entender que uma busca na Wikipedia. Ou pior, no Google. Eis um bom exemplo da função sintética do design.

Outro está neste mapa do mercado, ideal para quem quer entender a bolsa de valores americana sem ter que, para isso, fazer um curso de interface Bloomberg:

A interpretação da informação é uma das funções estratégicas mais importantes em um mundo cujo acesso ao conteúdo é cada vez maior. No entanto, vale sempre ter em mente as palavras do fado português:
“se não sabes aonde vais, por que teimas em correr?”
Grande professor Luli.
Fiz um link pra esse post no meu blog. Achei fantástico e resolvi espalhar informação.
Abraço.
Show! O que mais me chamou atenção foi a Wikipedia e o Delicious como “web 2.5″
Mto bem feito o mapa(e mto tempo pra fazer isso tmb hein!)
Ótimo post Mestre!
[]‘s
Bom, que o post esta fantástico, nem preciso reforçar né? Obvio.
Porém neste contexto, além do entrave pela relevância,o q me chama a atenção é a posição do usuário na história.
Que hoje em dia, temos o jornalismo cidadão, o usuário gerando conteúdo, formador de opnião e ativo em relacionamento com todos os outros, não é novidade alguma.
MAS, uma coisa que também não é novidade e só agora esta tendo uma maior atenção [ao menos no Brasil], é o lado de desenvolver uma plataforma pensando em quem irá usa-la.
O desenvolvedor pensando como usuário, o q antes era algo distante…
Pois o próprio usuário, também é desenvolvedor.Então as “empresas” em si, não tem mais do que o papel de gerenciamento da informação, pois quem desenvolve o conteúdo mesmo, somos todos nós.
Dai as campanhas virais inuteis e mal feitas, pois descobriram que a “onda” era gente como a gente fazendo coisa tosca na web.Ai fazem fake, ai não entendem o porque não dá certo…ai…ai…enfim disvirtuei do post um pouco.
Aos poucos esta ficando confortável navegar…pois a cada site não temos um leão para matar, mas somos intuitivamente educados a cada portal, a cada sistema…
Uma vez q quem desenvolveu, é um de nós.Usuário também.
“Se não sabe aonde vai, ninguém irá te seguir.”
Grande abraço Luli.Parabéns.
Thanks.
Esse post foi perfeito.
Internet, agora tb na versão TABELA PERIÓDICA
http://www.wellingtongrey.net/miscellanea/archive/2007-06-23–periodic-table-of-the-internet.html
Pois é, Davi, você pode desenhar a Internet no formato que quiser. Mas a diferença do trabalho do metrô para o da tabela é que o segundo ee só uma gracinha visual. Não há hierarquia ou relação estável entre os objetos. Por que o Yahoo! fica sobre o Google, por exemplo, não faz o menor sentido.
Mas valeu a iniciativa. Nem que seja para servir de contra-exemplo.