GESTALT é muito legal, pena que tão mal ensinada por aí. Muitos a aprendem na faculdade, normalmente na forma de diagraminhas sem vergonha como estes, aí não é à toa que não se lembre mais tarde, quando precisa usar para fazer um layout.
É aquela velha história: teoria é bom, e não tem tutorial na Internet que se sustente sem uma boa base. E quando bem aplicada, a teoria gera resultados impressionantes.
Veja este cartaz:
Os conceitos da Gestalt se aplicam maravailhosamente aqui. Veja só:
- EMERGÊNCIA: O rosto aparece por inteiro, depois identificamos suas partes. Ao contrário de um texto escrito, não se vê pedaços de uma imagem que, aos poucos, compôem um todo.
- REIFICAÇÃO: O rosto é construído pelos traços que se formam nos espaços entre as linhas e letras (repare a franja). Eis um excelente exemplo da importância dos espaços em branco (vazios) no desenho de uma página. Eles dão suporte para os outros elementos.
- PERCEPÇÃO MULTI-ESTÁVEL: Em uma composição bem-feita, a visão não “pára” em um lugar. Perceba como você olha para o rosto, o nome, o fundo. ISSO é interatividade, muito mais interessante que um pop-up ou qualquer outra chatice publicitária.
- INVARIÂNCIA: As letras são reconhecidas e podem ser lidas, pouco importa seu tamanho, distorção ou escala.
- FECHAMENTO: Tendemos a “completar” a figura, ligando as áreas similares para fechar espaços próximos. É fácil ver as bochechas, a língua (escrita “soul”, genial) etc. É o mesmo princípio que nos permite compreender formas feitas de linhas pontilhadas.
- SIMILARIDADE: Agrupamos elementos parecidos, instintivamente. Perceba que, por mais que você tente evitar, o rosto se destaca do fundo, mesmo sendo da mesma cor.
- PROXIMIDADE: Elementos próximos são considerados partes de um mesmo grupo.
- SIMETRIA: Imagens simétricas são vistas como parte de um mesmo grupo, pouco importa sua distância. É o que forma o fundo - e o separa do rosto.
- CONTINUIDADE: Compreendemos qualquer padrão como contínuo, mesmo que ele se interrompa. É o que nos faz ver a “pele” do sr. Brown como algo contínuo, mesmo com todos os “buracos” das letras.
- DESTINO COMUM: Elementos em uma mesma direção são vistos como se estivessem em movimento e formam uma unidade, como se percebe na “explosão” que acontece no fundo do cartaz.
Bacana, não? Não é à toa que eu sempre achei James Brown é um gênio.
Muito obrigado a todos pelos comentários com relação à palestra. Vocês são muito gentis.
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Muuuuito bom esse exemplo. O mala do meu professor da faculdade fez exatamente o que você disse, mostrou essas figurinhas.
Muito bom esse exemplo, vou levar para minha aula de Teoria
Sem acrescentar muito, mas impossivel de não postar: GENIAL. Também, olha o nome do designer que o fez: Moctezuma .
Muuiito bom!!
Genial…esse cartaz não tinha visto ainda, conheço alguns do Victor Moscoso, Rick Griffin da Zap Comix, que tem esse estilo, e aquela capa genial do Bob Dylan.
Gestalt, sex machine…hehe
abs
Assisti à sua palestra no encontro de Web Design e gostei bastante.Me formo esse ano em Design (programação visual)e é sempre muito motivador ouvir e conhecer boas cabeças da área que fazem com que (não só para os designers,pelo contrário) essa área tenha o real valor reconhecido e consequentemente aplicado.Valeu LULI!!!
um comentário.: O seu controle do WII usado como suporte na palestra, dispersava um pouco a atenção às vezes pois as barras da interface apareciam e desapareciam repetidamente.
Bom que vcs gostaram.
Marco, se eu imagino o cartaz do Bob Dylan a que vc se refere, ele foi feito “só” pelo Milton Glaser. Muita gente virou designer depois de ver aquele cartaz, eu inclusive.
Concordo com vc, Márcio, tanto que disse em meu post que o apresentador demandava mais treino. Mas o EWD é passado por agora. Vamos tocar em frente.
Certamente é um exemplo mais próximo do contexto de trabalho do designer, mas será que essas regras são realmente úteis no momento da criação?
Você usou as regras para uma análise posterior, mas será que o autor do cartaz chegou a essa composição mediante a combinação das regras?
Regras com regras não são capazes de gerar nada mais do que novas regras. É por isso que computadores não são capazes de fazer arte por conta próprias: eles só conhecem regras, nada mais.
Regras podem influenciar o comportamento humano, mas o mais determinante são as condições de uma determinada situação.
O cartaz, na minha opinião, é explêndido não porque se aproveita das leis da percepção visual para formar uma imagem, mas porque manipulou signos de uma determinada época e local de forma inusitada visando fim pragmático: despertar interesse para o show anunciado.
Não descarto os avanços na compreensão da percepção visual feitos pela escola Gestalt, mas não podemos fechar os olhos para as descobertas mais recentes nessa área. As leis da Gestalt foram enunciadas há quase um século. Recentemente, os pesquisadores nessa área tem encontrado evidências para concluir que a percepção visual é contextual e não está sujeita a regras universais.
Mais sobre aqui:
http://usabilidoido.com.br/critica_a_gestalt_da_percepcao_visual.html
Esse cartaz é fantástico.. :P
E acredito q, estando ou não dentro das “leis da percepção visual” citadas pelo Amstel, foi um ótimo exemplo, Luli.
Talvez o designer realmente não tenha levado todos os conceitos em consideração, mas em q isso importa? :D
O q vale é aprender os conceitos com exemplos que se encaixam fielmente, não com “diagraminhas”.
Abraço!
Gestalt na prática é bem mais entendível… obrigado pelo exemplo Luli, pra mim que estou no início do curso foi um ótimo exemplo… valeu!
Estamos fazendo uma cadeira de Comunicação Visual na Faculdade. Tivemos muitos exemplos daqueles diagrama:bolinha, quadradinho (pessimo!). Cheguei a questionar isso com outra professora(psicologia), pois ela ia dar gestalt da percepção, ai disse a ela quenão usasse as velhase batidas figurinhas de bolinha, pois já haviamos vistoem outra cadeira e não tinha ficado tão claro, pois as bolinhas não são os layouts q usamosno dia a dia… Ela topou efizemos uma exposição. MAs a cadeira de C. Visualficou com asbolinhas … :P
Desculpê se minha pergunta é idiota, mas os desenhos do ilustrador frank miller principalmente na serie “Sin city” seriam um bom exemplo de gestalt ?
Caramba, aprendendo muito, e o melhor trabalho que já vi na mídia sobre gestalt. Inseri no meu album essa imagem.
Essa das bolinhas é manjada, hehehe
Gostei muito dos comentarios.
Meu professor da faculdade tanto mostrou osfiguras da gestalt que vc sitou a cima, como tambme mostrou o cartaz, e mais algumas imagens bem legais…
Mas a analise do cartaz que vc postou está bem mais completa do que o professor passou…
O Amstel tocou em um ponto importante. Acredito que “leis” de psicologia, como resultados de pesquisa, sejam apenas referências. Ao contrário das leis físicas, é possível desobedecê-las sem riscos graves. Mas é preciso vê-las sensatamente. Como um posta de luz, elas servirão de iluminação se você estiver sóbrio; e de apoio se você estiver bêbado. Acredito que a Gestalt continua válida, da mesma forma que a roda de cores ou as leis de Newton. CLARO que inventaram coisas mais modernas, mas se você ficar preocupado demais com teorias, acabará cerebral demais para produzir um layout que preste.
O cérebro humano não é uma democracia. Em uma descrição rápida, o lado direito trabalha com percepções e imagens; enquanto o esquerdo com palavras, números e símbolos. Preocupar-se demais com um aspecto costuma prejudicar o outro.
O Ramon Bispo levantou outra questão em que sempre pensamos: “mas será que o designer leva isso em consideração?” Pode ser que sim, pode ser que não. O fato é que a educação visual se dá de forma não-verbal, em um processo muitas vezes inconsciente. Pense na forma com que você faz um arranjo de flores ou escolhe roupas, por exemplo: peças são colocadas, combinadas e arrumadas até o ponto em que você acha que está “certo”. Quem trabalha com comunicação visual costuma estar cercado de referências e bastante atento a elas. Peças populares precisam agradar, por isso acabam seguindo certas regras de aceitação universal. Não acredito que se pense em pregnância da forma quando se cria uma peça gráfica, mas ela certamente faz parte daquilo que o artista considera “certo”. E acho que isso também responde à questão do Felipe.
No Sin City, a aplicação das leis da Gestalt é ainda mais evidente. A monocromia presente em quase todo o filme é um maravilhosos exercício de observação de espaços negativos. O Frank Miller sabe muito bem disso. Will Eisner, uma de suas claras fontes de inspiração, também.
A todos vocês, obrigado. Se Gestalt não é bem ensinada na faculdade, parte da culpa vem do fato que quase não existem bons livros sobre o tema em português. O que não impede ninguém de procurar bons exemplos e tentar aplicar as regras, como eu fiz neste post.
À medida que se entende “por que as coisas que achamos belas são belas” fica muito, muito mais fácil fazer design.
Muito obgdo por sua disponibilidade em ajudae enter as leis da Gestalt….O poster do James Brown é espectacular…..
Mais uma que teve aula de Design com as figurinhas das bolinhas, retângulos citadas…
Grande achado seu site, graças à alguém ter tuitado a seu “@”