Muitos comentaram minha participação no PodCrer, em que falei das novas necessidades daqueles que pretendem ser diretores de criação em tempos de conteúdo colaborativo, tecnologia pulverizada e essas coisas de web2.
No programa, eu li uma lista das novas habilidades, já que entender de arte e ter boas idéias não é mais o bastante.
Algumas delas são:
- Conhecer bem o cliente, seu negocio, mercado e público. Como quem paga a conta, na maioria das vezes desconhece o universo digital, é preciso deixa-lo confortável, senão ele não vai investir uma soma considerável em um mercado mutante?
- Evitar jargões e idéias herméticas. Mesmo que ele seja um geek doido por um iPhone, deve falar uma língua que todos entendam, traduzindo seus conceitos. Em outras palavras, ele deve ser uma interface entre o mundo tecnológico e o usuário comum;
- Transformar idéias criativas em cases, com clara definição de como medir resultados e quantificar o retorno sobre o investimento;
- Saber desenhar cenários e projetar panoramas de mercado e consumo para os próximos anos;
- Conhecer bem a maioria das tendências de comportamento e tecnologia;
- Trabalhar com múltiplas mídias e saber como integrá-las;
- Conhecer a diferença entre marketing viral e de guerrilha – e saber fazer os dois;
- Adaptar a comunicação entre mídias online e offline e vice-versa, conforme as necessidades e formas de interação da cada tipo de público. É bom lembrar que a mesma pessoa muitas vezes vê os dois tipos de mensagem;
- Saber criar, roteirizar e produzir vídeo para plataformas digitais e interativas;
- Administrar o conteúdo gerado por usuários;
- Saber o que fazer com os dados gerados por sistemas de CRM e pesquisas de mercado;
- Conhecer os novos games, dentro e fora dos consoles; e
- Acima de tudo, saber dirigir novas equipes de criação, formadas por profissionais de diversos níveis, muitos deles trabalhando à distância e em horários heterodoxos. Apesar de tudo isso ele deve garantir que a mesma mensagem seja expressa de forma transparente através das várias etapas da produção e canais de distribuição.
É fundamental aprender continuamente, quebrar preconceitos, não ter medo das novidades. A mente aberta é pré-requisito para a verdadeira percepção dessa mudança constante que está ocorrendo. Só assim ele será capaz de fazer algo verdadeiramente novo.
Caso contrário, será mais um daqueles tiozinhos de agência de propaganda que saem por aí a falar bobagens dinossáuricas, achando que estão mandando bem. Tadinhos. Na tentativa de fazer algo “viral” eles só se mostram mais ridículos.
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Boa tarde Luli
Gosto muito do seu blog e de sua coluna na revista Webdesign, ouvi o podcast citado e só não gostei do final, onde se entende que no próximo Podcrer, não haverá a sua participação.
Lamentações a parte, o meu comentário é sobre a valorização de profissionais com estas características que você colocou, me pergunto se 90% das agências do Brasil (mesmo que seja de internet) sabem se quer o que é a web 2.0.
Fora do eixo Rio-São Paulo o mercado é muito lento, no interior principalmente, onde se encontram muitas empresas que vendem sites como se vendem produtos em prateleiras de lojas, por meros mil reais. É claro que o despreparo destes “profissionais” é visível para nós que já somos da área. Mas a maioria dos clientes destas agências despreparadas (que geralmente são pequenas e médias empresas) não sabem diferenciar um profissional com tal preparo de outro que só sabe html. Concluo assim, que em 90% deste país não há procura para o profissional com tais requisitos (ainda), e como a maioria dos brasileiros é acomodada, poucos pensam em se especializar e ir mais além se não há necessidade.
Quero só ver a hora que todos tiverem estas qualidades (e os “destaques” terem outras), iremos ouvir muitos carinhas se lamentando que o mercado não abre espaço para jovens se iniciar na carreira..
Obs: o único ruim de estar além da maioria é ouvir comparações do tipo “Porque você passou este valor se o sobrinho do fulano diz que faz por X/20”. rssss
Fala Luli,
Sabe que sempre acompanho seu blog e sabe o quanto compartilho de suas idéias.
Muito bom este texto. Eu venho falando sobre isto com meus alunos. E sempre tento mostrar a importância de se conhecer cada um destes pontos que citou.
Leandro, eu lí o se comentário e se me permite, eu não concordo com ele. Sei que muitas empresas tem “dado” os sites de presente, mas te digo, aqui na Bolt praticamente 100% dos clientes já tiveram uma experiência ruim com outra empresa. E em geral estes clientes chegam mais aptos a reconhecer as qualidades de um profissional como o citado pelo post do Luli.
Invista nisso… pode apostar que sei o que estou falando.
Abração
Alexandre
Bolt Brasil
Tudo bom Alexandre?
Concordo plenamente com o que diz. Inclusive, já passei desta fase que exemplifiquei a cima já faz muito tempo. Minha intenção não foi um fazer protesto ao mercado do interior. Este ano fará 10 anos que trabalho como webdesigner, e atualmente, minha agência trabalha com empresa de médio/grande porte.
Posso ter sido mal-interpretado, mas o que realmente quis colocar, seria uma possível alternativa do fato de ser tão difícil achar o profissional com as qualidades citadas.
Muitos estudantes, reclamam que quando se formam, são trocados por estagiários com conhecimentos técnicos equivalentes, e estes quando formarem serão trocados também e assim gera este circulo.
Moro em uma cidade de 300 mil habitantes (Franca-SP) e faço trabalhos para as maiores agências de publicidade e design da cidade. De todas elas, nenhuma que conheço tem um profissional que faz criação. São todos estagiários com conhecimentos técnicos.
O que quis dizer é que esta “realidade” atrapalha a busca por inovações desta mulecada conformista. E é por isso que é tão difícil achar um profissional que esteja tão por dentro desta onda “dois ponto zero”.
Mas de qualquer maneira, foi muito bem colocada a sua observação.
–
Luli, voltando a minha lamentação do primeiro comentário. Você já pensou em fazer o Podcast DWD:3
abraços a todos…
Olá Luli!
Assim como os brothers acima, tambem acompanho sua coluna na webdesign, tambem li seu livro [o original heim, olha só que raridade] e o PodCrer…etc…etc…etc…rssss
Agora, embarcando no post e nos comentarios acima…
Eu sou do interior, sou estagiario, faço parte dos estudantes que vao se formar, a empresa que sou estagiario não é grande, e vende site.
Ou seja, estou do otro lado citado pelo Leandro. =)
E o pior é que concordo com ele!
Eu procuro me manter atualizado, busco estudar, aprimorar meus conhecimentos para desenvolver bons projetos desde novo.
E cara, converso com meus amigos da faculdade, incluindo professores, e esta complicado manter um papo “cabeça” por aqui.
Povo aqui nao tem nem ideia da modinha 2.0 e as maiores agencias daqui, ainda estao na era do “folder e cartaozinho de visita”.
Falar em guerrilha e crossmidia aqui, é falar aramaico!
Já era para os profissionais estarem preparados para web de hoje, por prever isso…e nao começar a se preparar agora.
Quando o povo sair da faculdade, será um genocidio!
Enfim, hahaha
Continue ativo com materias otimas espalhadas por toda parte!
Grande abraço!
De onde sairá este novo diretor de criação? Das agências web ou de publicidade? E até quando essa segmentação irá perdurar se no fundo ambos lidam com comunicação?
Esse “drama”, citado pelos que aqui comentaram, não acredito que durará. Principalmente por que já tem muita gente trabalhando com essas novas possibilidades e a demanda por esse tipo de trabalho só cresce. Mais cedo ou mais tarde os empresários vão ter que se tocar que a qualidade é essencial, e isso não se consegue com meia dúzia de micreiros.
Talvez a postura mais importante para se tornar esse novo diretor de criação seja o de ter a humildade de perceber que de repente o que se sabia não tem mais tanto peso. “Teasers” não funcionam tão bem quanto antes, televisão não atinge todo mundo e se você fizer besteira, acredite, todo mundo vai falar tão alto que você vai ouvir.
Mestre Luli, listazinha complicada essa que você nos deu, heim. Onde encontramos pessoas assim, ou melhor, como nos tornarmos alguém assim?
Acho que o mais importante é que o profissional tenha noção de tudo que está acontecendo, que conheça todas as novas tecnlogias e possibilidades que elas oferecem. Não só para poder utilizá-las, mas principalmente para poder ser crítico quanto ao uso. “Isso funciona no video-game e na internet, mas no celular vai precisar de uma abordagem diferente” e por aí vai.
Nesse ponto concordo com o Michel: não dá pra ser especialista em tudo. Acho que a diferença virá de experiências onde especialistas em diversas áreas diferentes trabalham em conjunto.
Mas o dia em que nossos filhos “brilharem no escuro”, aí sim o bicho vai pegar! hehe
abraços
Muito boa essa síntese sobre os principais skills do criativo de hoje.
É interessante como o conceito de criativo mudou de uns tempos pra cá.
Muito se fala também de Informação, mas com certeza os melhores serão aqueles que sabem articular informação e conhecimento transformando-as em idéias.
Parabens pelo post e pelo Blog!
Andre
http://www.ruanoblog.blogspot.com
Luli, eu concordo em partes com essa lista de requisitos. Por exemplo, quando você diz que o Diretor de criação deve saber criar, roteirizar e produzir vídeo. Concordo que o DC deve sim saber criar e roteirizar, mas superficialmente. Produção é outra coisa. O DC deve ter noções da produção, mas existem profissionais pra isso. É como o próprio pessoal da RMM disse sobre games: Deixar para quem entende.
Esse tipo de profissional que você cita existe sim, o que não vejo é oportunidade pra ele. Geralmente, quando ele chega nesse estágio ele começa a se questionar sobre vários pontos. A grande maioria (os que eu conheço) sai do Brasil. Alguns outros abrem seu próprio negócio, ou decidem ser freelas. Tem aqueles, (que como eu) não sabem se ficam na área técnica (produção) ou pulam para um estágio mais elevado. E qual seria esse estágio? Hoje um profissional com esse perfil coloca medo nos colegas de trabalho e até em diretores da empresa. Ele é rebaixado a um cargo inferior e aí nascem as dúvidas e questionamentos. Eu sinto que no Brasil esse profissional multimídia ainda não tem seu lugar ao sol. Ou vc é muito bom em uma só mídia, ou vc tá fora dos “padrões”.
Muito bacana você estar tocando nesse assunto. Quem sabe o mercado começe a abrir o olho pra esse profissional.
Muito bem colocado, Elisa. Na verdade foi o que eu quis dizer quando falei em “produzir”: acompanhar, orientar, reger. Sempre existirão profissionais especialistas, mais focados, rápidos e (por que não dizer?) capazes em uma mídia específica. O DC não é um deles. É por isso que ele “dirige” a criação.
Vale frisar que os tiozinhos da marketing viral estão realmente se achando quando uma campanha chata tem um viral positivo
Lotus Miranda
http://www.SUPERCARIOCA.com
Pois é, mas se você estivesse na faixa de 40 annos, compraria um carro desses?
A propaganda fez de novo: uma “gracinha” sem noção que faz muito mais mal ao produto que bem.
Eu não entendo como tem cliente que aprova uma coisa dessas.
luli, 7 anos depois e ainda me ensinando.
abraco ao mestre com carinho.