Por mais que todas as teorias de educação preguem o contrário, o fato é que as escolas treinam as crianças para que busquem a solução CORRETA, não a criativa. A maioria das pessoas nasce relativamente livre para ser, com o tempo, continuamente reprimida até quase não sobrar idéias. Em outras palavras, a criatividade é inata; a “caretização”, aprendida.
Esse sistema predatório em busca de “resultados” torna a massa extremamente dócil, já que, em qualquer cultura, é preciso coragem para se ter idéias novas. E muito, muito mais coragem para expô-las. Quantos não pensaram que a Terra era redonda mas não eram machos o suficiente para dizê-lo? E que o homem e o macaco tinham um antepassado em comum? Mesmo hoje, quantos não reprimem idéias que poderiam levar a um mundo melhor apenas pelo medo do ridículo?
Pois é. Para se ter idéias novas é preciso motivação, encantamento, relaxamento e, acima de tudo, uma baita duma coragem. Com isso em mente, seguem mais 10 dicas:
- Informe-se. A inspiração não surge do nada. Pessoas criativas normalmente conhecem a fundo os temas sobre quais opinam.
- Desfoque. A pressão para pensar em um único tema é uma inibição latente. Por mais que falem maravilhas de se permanecer “concentrado”, é sempre bom ter em mente que esse processo restringe e limita idéias novas.
- Busque experiências diferentes. Entre em contato com manifestações artísticas ou atividades físicas inéditas. Novos esportes, radicais ou não, tipos de dança ou coreografias como Capoeira, livros de autores desconhecidos ou inéditos para você (Dostoiévski, por exemplo). O mesmo vale para gêneros musicais e artísticos em geral.
- Tire um tempo para si. Procure reservar de 15 minutos a meia hora por sessão, pelo menos umas três vezes por semana, para escrever, desenhar, tocar algum instrumento ou mesmo cochilar, sem ser interrompido.
- Redefina visuais. Desenhe um mesmo objeto de vinte ou mais formas diferentes. Se não souber desenhar ou estiver com preguiça, procure fotografar um mesmo objeto de 50 formas diferentes.
- Fotografe sua rua. Aproveite que câmaras digitais tornam a fotografia uma experiência barata e condicione seu olhar. Sem sair de casa ou de sua rua, fotografe texturas, folhas, cores, formas. Se aproxime de objetos cotidianos como tampas de bueiros e os explore visualmente.
- Exagere. Amplifique detalhes de sua experiência ou de sua relação com o mundo. Veja seu cotidiano pela ótica de uma criança de seis anos ou menos. Transporte-se para um olhar diferente do seu.
- Interrompa seu dia. Pare por alguns instantes e faça algo que demande atenção, de preferência física. Regue plantas, por exemplo. Isso ajuda a desfocar e quebra a concentração. Vá tomar um café, converse com alguém alheio ao problema (mas não se prenda ao assunto que está trabalhando).
- Copie. Por mais que pareça feio, essa atividade não tem nada a ver com plágio, muito pelo contrário. Ao copiar uma obra pronta sem saber qual foram as etapas seguidas para sua realização, você é obrigado a refazer o caminho passo a passo. Nesse processo, muitos desvios aparecem, sugerindo soluções mais adequadas. Para tornar o tópico mais divertido, copie coisas que não têm nada a ver com seu trabalho: esculturas, peças de teatro, prédios etc.
- Mova do literal para o pictórico. Desenhe, diagrame ou busque fotografias que ilustrem sensações ou situações cotidianas. O barulho de um mosquito, o cheiro de pipoca etc.
Mesmo que essas dicas todas não te ajudem, certamente não farão mal. Tenha em mente que aquele tipo focado e concentrado, o tipo que nunca se desvia do assunto, pode até ser bom profissional, mas é chatérrimo.
Muito bom o post, exceto pela sua pressuposição infame de que nós ainda não conhecemos Dostoiévski :)
Pois quem comete um crime, toma um castigo pra largar a mão de ser besta. Muito bem colocado, Walmar. A idéia de falar de Dostoiévski é que ele, como Einstein e Darwin, é muito mais citado que efetivamente lido – nada de se espantar, considerada a extensão de sua obra. Não quis dizer que o leitor deste blog não conheça o fenomenal autor russo, mas que ele não é leitura habitual hoje em dia, que há sempre algo a se ler dele e mesmo reler é uma grande experiência.
Fica aqui o pedido de desculpas, você está coberto de razão.
Olá Luli.
Um fato engraçado, é que nos ultimos quatro dias, tenho encontrado coisas relacionadas a você por toda parte…uma chuva de Luli. E tem sido deverás interessante.
Costumo visitar bastante este blog…porém nunca havia comentado. Desta forma, decidi desvirginar este espaço.
A criatividade é definitivamente bem mais preocupante, do que aquele cliente co-piloto. E no cotidiano, na rotina, raramente as pessoas param para atender coisas simples como estes exemplos, mas que fazem a diferença.
E pior, é que a maioria das corporações tambem não ligam para estes fatos.
Não é atoa que a Google tem o visual do prédio agradavel e patinetes para os empregados andarem.
A velha lenda da Microsoft e seu “horario maleavel”.
A antiga Pixar, agora encorporada a Disney, com área de fliperama…etc…etc…
Significando que a empresa em sí, pode proporcionar este tipo de estimulos às mentes brilhantes que abriga. O que tambem não deixa de ser uma forte estratégia de marketing interno, fazendo o colaborador ter afeição com a empresa.
Viajei demais já!
Grande abraço, voltarei sempre.
PS: Dostoiévski para mim, soou como uma sutil dica, uma vez que não conheço, perdão. =)
Legal, estas dicas além de serem ótimas ferramentas para criatividade, são também excelentes para evitar o estresse. rs
Um abraço.
Rapaz, muito interessantes as suas palavras, não conhecia teu blog, porém gostei muito de suas idéias.
Sucesso Luli,
Um abraço!
Boa.
Acabou de me estimular a desenhar.
Olá Luli,
ontem eu li um livro sobre o tema Criatividade, o livro é ótimo, muito interessannte, nada técnico e bastante otimista como esse seu post.
O nome é “Raciocínio Criativo na Publicidade” do Stalimir Vieira, editora WMF-Martins Fontes, o livro tem 113 páginas e custou R$ 14,00 na FNAC. Essa é minha dica pra quem quer compreender o trabalho de um criativo de publicidade, vale a pena!
Grande Abraço!
Olá pessoal,
Ainda não li o post do Luli (estou sem tempo), mas passei o olho e curto muito o tema de criatividade. Por isso, recomendo o livro “A WHACK ON THE SIDE OF THE HEAD: How You Can Be More Creative”, de Roger von Oech. Eu comprei, li, e é ótimo. Tem na amazon! Aproveitem que o dólar tá baratinho…
O livro examina 10 travas mentais que impedem as pessoas de serem mais criativas, como “Errar é errado” ou “Siga as regras” ou “Isso não é lógico”. Leitura obrigatória!
Se interessar, tem mais detalhes aqui:
http://www.amazon.com/WHACK-SIDE-HEAD-More-Creative/dp/0446674559/ref=pd_bbs_sr_1/105-8060967-0727669?ie=UTF8&s=books&qid=1181659595&sr=8-1
Recomendo também um artigo “Connect the dots”, de Mark Rosewater, designer do jogo de cards mais famoso do mundo, Magic: the gathering, e fanático pelo tema “criatividade”.
http://www.wizards.com/default.asp?x=mtgcom/daily/mr273
Acredito que esse artigo não tenha muitas referências específicas ao jogo, então mesmo quem nunca ouviu falar em Magic vai entender.
Acho que é só! Divirtam-se!
Abraços
Bruno Mendes
Ei, Radfahrer… td bem?
tomei a liberdade de linkar este seu post sobre dicas para a criatividade. Espero que não se importe.
Qualquer problema, é só me avisar, ok?
Abraço
Diana
Certíssimo, Diana, pode citar à vontade, sempre lembrando de relacionar a fonte direta. Muito obrigado, aliás.
Gostei bastante do post, criatividade é sempre bem vinda… quem não precisa sair da caixa as vezes e não sabe como, hã?
Parabéns pelo blog!
Abraço,
Novata
Gostei muito das dicas!
Liberdade!!!, para começar tem que vir de nós para nós mesmos, criatividade!
Muito boas essas dicas Luli, me parece mesmo que é no papo furado e sem pressão que as idéias boas aparecem…! Rss assinado merecidamente rsrsr
Abs
;D
“Redefina visuais. Desenhe um mesmo objeto de vinte ou mais formas diferentes. Se não souber desenhar ou estiver com preguiça, procure fotografar um mesmo objeto de 50 formas diferentes.”
Durante toda o meu curso de graduação, seus artigos me orientaram, motivaram, todos tiveram seu significado em seu determinado momento, depois de formada nada foi tão inspirador como essa simples dica.
Luli vc é SHOW!
Adoro vc e seu trabalho parabens.Muita paz e saude.
Bacana Luli.
A verdade é que o lugar menos propício pra exercitar a criatividade é o computador. Querendo ou não, tudo dentro dessa caixa luminosa foi criado por alguem. A grande gama de inspiração está la fora.
De fato não se deve ter medo de inovar. Alcançar aquele ângulo jamais visto antes e ser estranhado é um risco e vale a pena. Muito mais do que clonar fórmulas prontas (não desmereço a importância de ao menos conhecê-las).
Abraço a todos,
vamo que vamo
Olá Oráculo;
Venho acompanhando suas palestras nos encontros Locaweb (11º e 12º), e EDTED (15º). Caramba cara, como você consegue sempre surpreender aos demais.
A única coisa que posso lhe enviar a princípio, é “quando eu crescer, quero ser igual a você”, pois falar que admiro seu trabalho e tudo mais já está meio corriqueiro.
muito bom, principalmente o desfoque, que é o mais improvável e difícil de se aplicar.
abs