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6. O que são “espelhos imperfeitos” e qual sua influência em nossa percepção de cor?
Essa não tinha como você saber, já que eu inventei o termo para a pergunta. Acompanhe o raciocínio, você vai ver que é óbvio: tudo que não absorva nem reflita 100% da luz – todos os objetos visíveis, portanto – são espelhos imperfeitos, refletem parcialmente a luz recebida. Uma tela branca de computador sempre será branca, pois emite sua própria luz. Uma folha de papel, no entanto, não tem cor – e sempre refletirá parcialmente a luz que recebe. Uma camiseta verde em um ambiente de luz vermelha será preta. Cuidado, portanto, com a camiseta que usa e com a luz ambiente quando for fazer qualquer processo que dependa de precisão cromática.
7. Vermelho, amarelo e azul são as cores ditas “primárias”. Por quê?
Porque são a base de todas as outras cores do espectro visível e uma delas não pode ser sintetizada por nenhuma combinação das outras. Simples assim. Na verdade, essas cores são o Vermelho Magenta, o Amarelo e o Azul Ciano. Soa familiar?
8. Por que usamos o sistema RGB – Red, Green, Blue – para compor as cores no monitor, com o verde no lugar do azul? Quais as conseqüências disto?
Usamos esse sistema novamente por limitações tecnológicas (ver pergunta 1). Os monitores de tubos de raios catódicos (CRT, em inglês), como os aparelhos de TV com tubo, usaram o modelo RGB (com um verde bastante intenso, razoavelmente próximo do amarelo) para a definição de suas cores, levando em conta a pigmentação do fósforo na tela e as condições de iluminação do ambiente. As conseqüências são evidentes: quando se escolhe uma cor usando a roda de cores em um programa gráfico, a harmonia e o contraste são diferentes das cores da luz que vemos na natureza.
9. Seguindo o mesmo raciocínio, por que as impressoras usam CMYK? Acima de tudo, para que o K (blacK, preto)?
Azul Ciano, Vermelho Magenta e Amarelo, quando iluminadas por luz branca, refletem boa parte do espectro visível. O preto é usado para reforçar as fronteiras entre os elementos (como contorno, não como preenchimento – ver pergunta 3) e também para se escrever texto. Assim se consegue cores vívidas e textos legíveis, economizando tinta.
10. O trabalho dos pintores Georges Seurat e Roy Lichtenstein, apesar de separados no tempo por mais de um século, tem uma característica em comum, fundamental para nossa compreensão dos processos da cor. Qual é ela?
O pontilismo de Seurat mostra a mesma coisa que a pop art de Lichtenstein, apesar de terem origens diferentes. Ambos definem grandes áreas monocromáticas através de pontos que, apesar de bastante separados, são “empastelados” pelo cérebro, por uma questão de praticidade (ver pergunta 5). É o mesmo princípio dos pontos de retícula gráfica e pelos pixels, que, arrumados em conjuntos, dão a impressão de tons contínuos.
11. Quais são os três componentes da cor?
Aquilo que chamamos de cor na verdade é um conjunto de sensações, já que os olhos captam de forma diferente a cor e a luz, mas enviam para o cérebro o resultado misturado. Para um designer, não saber identificar esses componentes pode significar uma bela dor de cabeça. De uma forma bastante simplificada, o que conhecemos por cor é dividido em três componentes (não, não são o RGB nem o CMY). Eles são o Tom, que nada mais é a tonalidade original (Amarelo ou Verde, por exemplo); o Valor, que é sua luminosidade – ou seja, sua mistura com branco ou preto. Um rosinha é um vermelho com muito branco. Um azul-petróleo é um azul misturado com preto; o terceiro componente é o mais difícil de se entender – é sua Intensidade ou Saturação, ou seja a quantidade/densidade da cor. Um verde-bandeira é mais intenso que um verde-água, mas essa diferença só se dá pela quantidade de verde que tem ali – misturar qualquer uma dessas cores com preto ou branco não resultaria na outra.
Em inglês, o sistema Hue – Saturation – Value dá uma boa idéia do que é isso.
(continua)
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