Vou ser bastante econômico nas respostas às perguntas sobre cor, por três motivos:
* É muito chaaaato ler textos enormes na web (colou?);
* Quero que você leia o meu livro (mais honesto, mas também não cola); e
* Tou voltando à ativa e ainda tenho um pouco de preguiça (agooora sim).
Se você quiser saber mais a respeito, sempre poderá dar uma pesquisada por aí. O que quis mostrar neste post é que a Cor é muito importante nos tempos atuais – cada vez mais multimídia – e que, para os designers, ela é tão básica quanto as notas musicais para um músico. Mas chega de enrolar, vamos às respostas – às minhas respostas, os bravos leitores que se aventuraram a comentar o conteúdo têm as suas personalizadas:
1. Hoje se utiliza milhões de cores sem critério, mas nem sempre foi assim. Por quê?
Parte dessa pergunta é fácil, até previsível: porque os pigmentos para a criação de certas cores eram caros, de difícil produção ou mesmo instáveis. O que levou algumas casas reais e algumas divisões do clero a se “apropriarem” delas e proibirem terminantemente seu uso pelo resto do povo – o uso de uma cor “inadequada” (púrpura, por exemplo) poderia ser suficiente para uma sentença de morte.
2. Várias pessoas já escreveram sobre cor, incluindo um filósofo grego, um dos “pais” da Física e um dos maiores literatos alemães – este, inclusive, considerava sua literatura algo “menor”. Você sabe quem são?
Acredite se quiser: Aristóteles (que, extremamente curioso, escreveu sobre muitos temas, mas era obcecado por cores). Isaac Newton é fácil de se adivinhar, foi ele quem usou prismas para dividir o espectro – do latim spectrum, aparição ilusória – em “sete” cores, número mágico. Foi ele também que arrumou as cores em um círculo, desafiando a crença que elas seguiam um contínuo entre o preto e o branco. O mais impressionante é Goethe, que apesar de ter escrito maravilhas como Fausto e Werther, achava a literatura uma brincadeira e acreditava que seria eternamente reconhecido por seu Farbenlehre (teoria de cores), veja você.
3. Por que as mulheres adoram vestir preto?
Essa é difícil para mim – sou um especialista em design, não em mulheres ou moda. Perguntei à minha mulher e ela me respondeu “para parecerem mais magras, óbvio”. E a Roche gasta uma fortuna no desenvolvimento de Xenical… Sob meu ponto de vista, o preto, por não ter cor, absorve toda a luz projetada nele, sem refletir. Por isso torna a forma menos definida – se a modelo não for desfilar na Antártida, claro.
4. Por que se chamam algumas cores de “quentes” e outras de “frias”?
As cores similares que ficam em um lado do círculo imaginado por Newton têm tonalidades próximas do vermelho e amarelo. São chamadas de “quentes” porque lembram o sol, fogo, terra e outros objetos quentes e secos. Do outro lado, os espectros próximos do verde e azul são chamados de “frios” porque remetem à sombra, água e gelo. Mas isso é só aparência: um pedaço de metal incandescente é branco e não se é capaz de diferenciar, pela temperatura, uma camisa amarela de uma azul em um quarto escuro. Eis uma boa desculpa para o mau gosto.
5. Muitos processos racionais afetam a nossa percepção de cor. O principal deles é (!) a consistência lógica, que faz o cérebro recusar certas cores. Se você concorda com isso, me dê um exemplo dessa situação.
Exemplos disso existem em todos os lugares. Que cor têm as folhas de uma árvore? Milhões, do preto ao amarelo, mas a média é verde e, por uma questão de praticidade, o cérebro anula as outras cores, ficando na “média”. O mesmo raciocínio nos leva a “ver” o asfalto preto e tijolos marrons.
(continua)
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