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Respostas - parte II

(continuação do post anterior)

6. Por que textos antigos não tinham letras sem serifa?

Por tradição. Poucos liam e menos ainda escreviam. Se a serifa vinha do Império Romano e era usada na Bíblia, poucos tinham coragem de questioná-la. Para completar, até o fim do século XIX era muito difícil ter tecnologia para se produzir uma letra efetivamente com ou sem serifa.
Se você analisar com calma um documento antigo, verá que essa questão não é tão precisa.

7. O alinhamento de texto mais recente é à esquerda, à direita, centralizado ou blocado?

Essa é fácil: à direita. Blocado vem do Império Romano, centralizado desde a Bíblia, alinhado à esquerda surge com as primeiras tipografias e à direita só no século XX, em movimentos como a Bauhaus, o Dadá e a Neue Typographie.

8. Por que não se chama texto blocado de “justificado”?

Porque é um falso cognato, uma tradução mal-feita. “Justified” em inglês quer dizer “ajustado”, sem espaços nas margens. O que não tem nada a ver com erros e justificativas, a não ser que você use esse alinhamento em um bilhete pedindo desculpas.
O argumento “programas de computador usam o termo” não é exatamente uma boa desculpa, já que eles também usam “salvar” em vez de “gravar”.


9. Por que é tão difícil de se calcular em números romanos?

Porque eles não foram feitos para isso – naquela época se calculava em ábacos e só se usava o alfabeto romano para registrar o resultado. Por mais que pareça insano, era um dos primeiros sistemas de criptografia, já que é praticamente impossível de se falsificar um inventário talhado no mármore. Pense no seu talão de cheques, veja como é fácil mudar os números.
A idéia de símbolos que serviriam para registrar quantias e também para operá-las surgiu na Índia e chegou ao ocidente pelos países árabes, que chamavam essas “letras especiais” de algo como “al-kharism”, que virou algarismo e, mais tarde, algoritmo.

10. Qual a diferença de se usar bold e itálico em um bloco de texto?

Como bem definiu o designer gráfico Marcelo Martinez, “um grifo é um grifo” – ou seja, você pode até usar qualquer marcação, contanto que não mude as regras no meio do jogo. Se usou bold para se referir a nomes de autores, continue a usá-lo até o final do texto.
Muito bom, mas isso não responde a pergunta. Em linhas gerais, uma palavra em bold é exatamente o que o termo em inglês sugere: assertivo, confiante, um pouco agressivo e folgado. Ela é mais escura, portanto é lida primeiro e tende a ser vista várias vezes, enquanto outras linhas são lidas. Funciona mais ou menos como levantar um pouco a voz: não é gritar, mas é bastante firme.

Já o itálico (a origem do nome eu conto outro dia) tem uma função bem diferente. Como muda o eixo das letras – e conseqüentemente a forma das palavras – a leitura se torna mais lenta, segue um outro tom. Por isso é usada para citar palavras estrangeiras pouco usadas (connoisseur sim, marketing não) e citar pessoas (bem ou mal, é como imitar a voz de alguém).

Mas isso são só sugestões. Como muito bem diz o Marcelo, a regra é livre contanto que seja seguida.

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