Cultura Digital, Design, Tendências

Introdução: pós-Moderno, digital, design e você. (III)

(anterior)

Por falar nisso: você já se perguntou por que tem mais identidade cultural com profissionais de sua idade e área de atuação em Xangai, Calcutá, Estocolmo, Cidade do Cabo ou Toronto que com as pessoas de uma cidadela do interior do seu país? Por que Nova York é verdadeiramente mais perto que o sertão?

A revolução é cultural e demanda comunicação. Além disso, ela é urbana. Para ser mais específico, se limita aos grandes centros – lugares tecnológicos, conectados, solitários, competitivos, individualistas, hedonistas e tolerantes(?). Depende de máquinas, símbolos e comunicação. Nelas, todos são estrangeiros, por isso é natural a relatividade de objetivos. Isso só aumenta a confusão, já que valores opostos ou incompatíveis, cada um com igual direito e razão (como qualidade de vida e sucesso profissional, impossível atingir 100% de ambos) são forçados a conviver em aparente harmonia.

Nas grandes metrópoles, todos vieram de algum outro lugar. Ninguém conhece ninguém, cada um tem a sua história e são tantos e estão tão ocupados que não há tempo nem espaço para avaliar alguém por suas qualidades pessoais ou pelas diferenças que tornam única sua personalidade. A forma mais prática de se identificar e conhecer o outro é a mais rápida: pela maneira como se vestem, pelos objetos simbólicos que exibem, pelo modo e tom com que falam, pelo jeito de se comportar em público. A comunicação essencial é toda baseada em símbolos exteriores. Como esses códigos mudam com extrema rapidez, as pessoas são aquilo que consomem. Sua visibilidade social e poder de sedução são diretamente proporcionais ao poder de compra e de mídia.

Informação, mais do que nunca, é poder.

Como disse no começo deste texto, muitos chamam essa condição – a forma com que as pessoas sentem e representam para si mesmas o mundo em que vivem – de pós-moderna. Mas o Pós-moderno é só mais um rótulo. Dos bem ruinzinhos, aliás, já que não define nada: só diz que as coisas acontecem depois de outra época, os “Tempos Modernos” do cinema mudo de Charles Chaplin.

(veja algumas mudanças proporcionadas por essa condição na tabela)

O mundo se tornou um grande espetáculo. A relação com ele demanda resultados cada vez mais rápidos e complexos. É como um videogame interminável, em que a andorinha tem de combinar e reciclar os elementos que conhece para, sozinha, fazer o verão. Em setembro. Por mais que pareça estranho, este ambiente de símbolos manipuláveis não é novo para alguém como você. Ele se chama interface. Seu planejamento é hoje em dia a principal função do design, que deve ser feito com inteligência e responsabilidade.

Mais do que conhecer bem as particularidades técnicas, o profissional de “novas mídias” precisa pensar de uma forma diferente, só assim conseguirá usar as máquinas interligadas como verdadeiras extensões da linguagem. As ferramentas podem até ser novas, mas a estrutura de páginas e links em mídias digitais nunca foi tão próxima de um papo de boteco.

Seja bem-vindo ao meu livro. Como os anteriores, ele não pretende ser um manual de técnicas, mas de questionamentos. Se propõe a instigar, explicar e perguntar, e, nesse processo, ajudá-lo a criar produtos inventivos, criativos e inovadores.

Hoje o mundo é muito grande porque a Terra é pequena. Do tamanho, como diz Gilberto Gil, de uma antena “parabolicamará”. Explorá-lo é o mais fascinante dos desafios.

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