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Introdução: Pós-Moderno, digital, design e você. (I)

“Six o’clock - tv hour. don’t get caught in foreign
Towers. slash and burn, return, listen to yourself
Churn. locking in, uniforming, book burning, blood
Letting. every motive escalate. automotive incinerate
Light a candle, light a votive. step down, step down
Watch your heel crush, crushed, uh-oh, this means no
Fear cavalier. renegade steer clear! a tournament,
Tournament, a tournament of lies. offer me solutions,
Offer me alternatives and I declineIt’s the end of the world as we know it
And I feel fine
(it’s time I had some time alone)”

— “It is The End of The World as We Know It”, R. E. M.

Você nunca se perguntou por que as coisas são do jeito que são
hoje em dia?

De uma hora para outra o mundo ficou muito esquisito e parece que ninguém percebeu. Tudo muda tão rápido que não estranhamos mais as roupas, as tatuagens, os piercings e até as cirurgias plásticas de nossos amigos – muito menos quando a foto deles é trocada por um ícone qualquer no celular ou no computador. É certo que a tecnologia e a velocidade das mudanças atordoa e anestesia, mas não há como negar que o cenário é muito, muito diferente do que era há tempos atrás.

Talvez o mais estranho dos tempos atuais seja que o “antigamente” já não é mais como era antigamente. O mundo arcaico já não diz mais respeito à Idade Média ou à época dos nossos avós, mas há cinco anos. Tempo em que “banda larga” era coisa rara, que redes sem fio eram ficção científica e que o design digital não ia muito além da Web. Naqueles tempos temia-se pelo futuro do mundo. Não mais por causa da Guerra Fria ou do Ebola ou da Vaca Louca ou mesmo do Bug do milênio (lembra?), mas pelo ocorrido em 11 de Setembro (de 2001, nossa como o tempo voa).

Tudo realmente muda cada vez mais rápido, a ponto de um monte de gente se perguntar aonde isso vai levar? ou até mesmo quando isso vai parar?, perguntas que já não fazem o menor sentido. No fundo, todos sabemos que isso não vai levar a lugar algum nem tende a parar. Os teóricos chamam essa condição de pós-moderno, de fim da história, de sociedade do espetáculo, de simulacro, de cibercultura e outros nomes metidos a besta – escolha o seu.

Seja lá qual for o nome dessa coisa, seus elementos estão por toda parte. Ela é bem visível no mundo fashion, em que a moda deu lugar ao “estilo”; na estética, em que o que é considerado “belo” varia conforme o tempo e lugar; na música eletrônica, em que a composição e a regência se fundem… um exame um pouco mais dedicado e a encontramos em raves, novas drogas, “ficar”, antidepressivos, anfetaminas, energéticos, MDMA, encasulamento, culto ao corpo, networking, comunidades virtuais, blogs, fotologs, sistemas de mensagens instantâneas via comutador e celular, P2P, MP3, games, LAN houses, MMORPGs, pirataria, open sourcing, CreativeCommons, wikis, transgênicos, orgânicos, iPod, iTV, TiVo VoIP… um pequeno vacilo e surge uma nova tendência, uma coisa de nerd vira cult e se você não sabe do que se trata, já era.

Tire um momento para examinar com calma a situação. Não para classificá-la ou condená-la, com “saudades” de velhos tempos em que (sempre é bom lembrar) você não viveu nem pode resgatar, mas para tentar compreender onde está. Começando por aquilo que seus pais chamavam de “conflito de gerações”. Você já notou que ter 40 anos hoje não significa mais nada? Nem 18 ou 65? Você alguma vez se perguntou qual seria a idade de Steve Jobs?

Hoje o “velho” é quem não usa as “novidades” e as compara com os “bons tempos”. Ele pode ser qualquer um, incluindo eu ou você. Não se espante, isso é uma excelente notícia. O que separava as gerações – períodos de 30 anos, acredite – nos anos 60 era a resistência às novidades. Hoje, qualquer um com vontade de aprender e abertura para o novo é, tecnicamente, jovem. Por mais que as academias de ginástica e empresas de cosméticos tentem provar o contrário.

As diferenças que antigamente aconteciam por idade, hoje se dão por acesso. Ainda existe uma relação cronológica, mas ela só é evidente em pessoas que não têm muito contato com a área de tecnologia. Nesse mundo em extinção, a maioria das pessoas com mais de 50 não usa a web; com mais de 40 se atrapalha com a internet; com mais de 35 se irrita com flash; com mais de 30 tem só uma conta de e-mail; com mais de 26 evita MSN; com mais de 24 usa o celular só para falar; com mais de 22 não atualiza o blog, com mais de 20 não edita vídeos, com mais de 16 não desenha ícones, com mais de 10 já evita alguns tipos de games

(continua no próximo post)

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